[Entrevista] ANTRVM: vocalista Victor Cutrale conta como a banda nasceu em meio à pandemia, traz o terror ao metal extremo e projeta turnês

Surgida em meio ao isolamento e às dificuldades impostas pela pandemia, a ANTRVM rapidamente conquistou seu espaço no cenário do metal extremo brasileiro com uma sonoridade brutal e conceitual. Em entrevista ao Acesso Music, o vocalista e fundador da banda revela como o projeto ganhou vida em tempos desafiadores, as influências do universo do horror em seus trabalhos e os planos ambiciosos para consolidar a banda, incluindo turnês previstas para 2027.

Como foi dar início a um projeto de metal extremo em meio ao isolamento e às limitações da pandemia, período no qual a banda nasceu?

Pessoalmente foi um desafio. Tinha acabado de deixar minha antiga banda e não tinha urgência de formar outro projeto. Mas do jeito que as coisas estavam acontecendo, milhares de pessoas morrendo e todos com medo, a ideia de registrar novas ideias e criar um novo legado musical fazia muito sentido. Haviam também os desafios logísticos de como fazer funcionar. As gravações do primeiro EP foram praticamente 80% feitas de modo caseiro. Um facilitador foi o Mauricio Weimar (Extreme Drums no Instagram), que gravou as linhas de bateria direto da Noruega. Ele foi certeiro nas composições e entregou uma grande performance.

O nome ANTRVM vem do latim e carrega um significado simbólico. O que essa ideia de “cavidade” ou “caverna” representa artisticamente para vocês?

Cara, acho que muito do significado vem da ideia de fazer um “som cavernoso”, saca? A sonoridade do nome, o significado, tudo remete a isso. Fora que era a coisa mais próxima entre Angra e Sepultura que encontramos (risos).

O EP Defiler iniciou uma trilogia inspirada no universo do horror. Quais filmes e autores mais influenciaram vocês nesse primeiro capítulo?

Defiler foi muito inspirado na obra “Hellraiser”, de Clive Barker. Tanto o livro quanto o filme foram fundamentais para que pudéssemos entender como queríamos soar e que tipo de clima deveria permear nessa primeira empreitada.  Uma coisa para deixar claro é que não fazemos músicas baseadas em filmes, apenas pegamos emprestado o clima como um norte na hora de juntar tudo. “A Pound of Flesh” foi inspirada em Shakespeare, por exemplo. 

Esse conceito de “terror musical” já foi utilizado por artistas como King Diamond e, mais recentemente, Ice Nine Kills. Algum álbum em específico foi uma referência para vocês ao adotarem esse conceito?

Definitivamente nosso Rei Diamante foi uma grande influência e sempre foi referência para nós. Them é um grande trabalho conceitual e com certeza fomos ouvir de novo para nos inspirar, mas, quando viemos com a ideia de misturar horror e música, para nós era uma coisa natural, pois metal e horror são nossos gêneros favoritos de música e cinema.  Apesar de amarrarmos os EP’s dentro de um conceito, nosso trabalho não é tão focado em criar histórias inteiras. Quem sabe no futuro. Sobre o Ice Nine Kills…eles fazem um trabalho digno de inveja, que pena que a sonoridade é pop demais, gostaria de curtir mais eles. 

A sonoridade de Defiler mistura death, thrash e hardcore. Com a chegada de novos integrantes em 2024, o som da banda mudou bastante. Como vocês descreveriam a evolução musical de Defiler para Social Death?

Não mudamos a forma de compor as músicas para o Social Death, porém, com integrantes fixos e mais focados no projeto, estamos criando coisas um pouco mais rápidas e complexas, então é seguro afirmar que estamos mais brutais do que nunca.

Enquanto Defiler trata de temas mais individuais, em Social Death vocês abordam mais questões sociais, como ideologias distorcidas, decadência coletiva e disfunções familiares. Como esses temas surgiram no processo criativo?

Nesse segundo EP pegamos outros filmes como referência. Para os amantes do horror, acho que ficou fácil saber em que mundo entramos agora. É incrível que quanto mais lemos e caçamos informações sobre os filmes e como eles conversam com a realidade, os temas do Social Death parecem terem sido tirados do jornal das oito e não de um filme de horror. Essa é a realidade em que vivemos, os filmes estão fracos perto do que passamos. 

Já existe uma visão clara sobre como será o terceiro e último capítulo da trilogia de EPs? Já existe alguma previsão de quando ele será lançado?

Sim, já temos tudo definido. É uma progressão. Se no primeiro falamos do indivíduo e no segundo falamos de família e sociedade, no terceiro o foco é o assunto global. Queremos expandir nosso tema para não só o que vivemos no dia a dia, mas também sobre construções sociais milenares que permeiam nossa existência. 

A ANTRVM já tocou ao lado de bandas como Project46 e Hatematter. Como tem sido a recepção do público ao som brutal e conceitual da banda?

Tirando o show ao lado do Project46, apenas tocamos em nossos eventos até o presente momento. O que totaliza dois shows que produzimos (risos). A resposta tem sido muito boa, pois nos dois eventos conseguimos lotar a casa. Nosso foco é trabalhar com tranquilidade para cada vez elevar o nível da banda, então precisamos ser bastante seletivos com quem vamos trabalhar quando o assunto é participar ou produzir um evento. 

O cenário do metal extremo no Brasil vive constantes transformações. Como vocês enxergam o papel do ANTRVM dentro dessa cena atual?

Somos mais um bando de criaturas das trevas procurando um lugar ao Sol, por assim dizer. Acho que somos um tipo de banda um pouco mais fácil de assimilar comparando nosso som com de outros colegas. Temos as partes extremas, mas sempre procuramos criar grandes riffs e grandes momentos na composição. Um dos grandes objetivos da banda é consolidar nossa festa anual, “Krampus Party”, para que seja mais um evento de qualidade e profissional para que bandas tenham para onde olhar e querer agregar. Estamos já preparando a edição deste ano e será de longe a mais brutal até agora. 

Já existe algum planejamento sobre o que a banda fará após o lançamento do terceiro EP ou, no momento, todas as forças estão voltadas para isso?

Vamos fazer o lançamento do Social Death em julho e pretendemos fechar o segundo semestre de 2025 com alguns shows e nosso evento anual. 2026 iniciamos as gravações do terceiro e provavelmente faremos poucos shows. Mas 2027 é o ano em que pretendemos cair na estrada para valer. 

Foto: Divulgação

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