O Bride começou como uma banda de heavy metal, depois migrou ao hard rock e seguiu buscando novos caminhos musicais durante os anos subsequentes. A temática lírica dos caras, de cunho cristão, angariou uma legião de seguidores mundo afora, incluindo aqueles que não compartilham de suas visões religiosas. Seja como for, o Bride é uma banda incansável e de qualidade indubitável, que volta ao Brasil, agora ao lado do Stryper e do Narnia, em uma turnê imperdível. Eu conversei com o guitarrista Troy Thompson sobre futuro, presente e passado. E ainda revelou uma surpresa incrível aos fãs.
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por Clovis Roman
Primeiramente vamos falar sobre o novo disco, Vipers & Shadows, que é um CD duplo. É algo ousado a se fazer atualmente, porque as pessoas tendem a ouvir músicas isoladas no Spotify, os singles ou os videoclipes, e não escutam o disco inteiro. Aí vem o Bride e lança um CD duplo. De onde veio essa ideia?
Tínhamos muitas músicas que queríamos lançar. Dale e eu estamos compondo o tempo todo, fazemos muita música. Acho que poderíamos lançar um álbum a cada três meses se quiséssemos, mas as pessoas não estão interessadas em tanto material assim. Lançamos o Vipers & Shadows em um CD duplo porque tínhamos material o suficiente, e ainda sobraram dez músicas que colocamos no Last Reels Vol.4, então na verdade nós lançamos dois CDs com trinta músicas de uma vez só.
Sim, isso é ótimo! E você mencionou que vocês compõem muito… como isso funciona? Vocês moram perto um do outro, enviam músicas um ao outro pela internet e trocam ideias? Como esse processo de composição funciona pra vocês?
O que nós sempre fizemos é que eu escrevo as músicas e o Dale escreve as letras. Anos atrás, nós nos juntávamos e decidíamos quais músicas combinavam com quais letras, mas o Dale estava morando na Nova Zelândia há onze anos. Ele recentemente voltou para os Estados Unidos, mas o Vipers & Shadows foi gravado enquanto ele ainda estava na Nova Zelândia e eu estava nos Estados Unidos, o que tornou o processo mais difícil. Eu gravava as minhas ideias e mandava pra ele, ele colocava algumas amostras vocais e me mandava de volta; se nós concordássemos, eu regravava todas as minhas partes, estruturava e mandava de novo pra que ele colocasse os vocais pra valer, aí ele mandava de novo pra mim e eu colocava os solos e coisas assim. Então era esse vai e vem em todas as músicas, demora bastante quando estamos separados.
Talvez você tenha me dado a resposta da minha próxima pergunta, porque o Bride continuou gravando nesse período em que não fez shows. Vocês lançaram cinco discos de estúdio, um disco de natal, um disco de bluegrass, uma versão acústica do Snakes in the Playground…[risos]. O fato de Dale ter se mudado para a Nova Zelândia foi o motivo de vocês se ausentarem dos palcos ou aconteceu alguma outra coisa?
Dale conheceu uma garota da Nova Zelândia e eles decidiram se casar, então ele se mudou pra lá pra ficar com ela e eles moraram lá por aproximadamente onze anos. Agora eles decidiram voltar para os Estados Unidos, mas nesse meio tempo nós gravamos, como você disse, todos esses álbuns, mas também lançamos quase 100 remakes de músicas de classic-rock no Facebook e no Youtube. Lançamos todo tipo de coisa, e isso nos manteve ocupados, porque sabemos que não podemos lançar tanto material original quanto nós compomos, as pessoas simplesmente não conseguem digerir tudo tão rápido, então enquanto isso nós gravamos esses remakes também.
Ainda falando sobre as turnês que vocês fizeram antigamente e nos dias de hoje: a última turnê que vocês fizeram foi a Skin for Skin, em 2006 e 2007, e depois ficaram quase duas décadas fora dos palcos. Vocês voltaram e começaram a fazer shows nos Estados Unidos e depois vieram ao Brasil com a Petra. Como você vê a diferença de tocar antigamente e de tocar hoje em dia? A plateia mudou de alguma forma ou você sente que é o mesmo sentimento, a mesma plateia?
As coisas não mudaram muito pra mim, pessoalmente, além do fato de que eu estou mais velho. Posso não ser mais tão ativo quanto eu era, de vez em quando eu vejo uns vídeos antigos e penso “poxa, não sou exatamente como eu era há vinte anos atrás”, mas estar no palco novamente foi muito natural, muito normal. Foi como se não tivéssemos ficado um dia fora do palco. Fazer uma turnê no Brasil… os fãs brasileiros são incríveis, tem muita gente por aí que nos apoia. Ir tocar no Brasil como uma das nossas primeiras turnês após voltar a tocar ao vivo foi um combustível enorme pra nós, foi maravilhoso voltar.
O Bride é uma banda muito conhecida por trocar seu estilo de tempos em tempos, The Jesus Experience é muito diferente de Snakes in the Playground, enquanto o Fist Full of Bees é quase um new metal, apesar de eu não gostar desse termo. Trazia uma visão muito moderna do que a música era naquela época. Vocês fazem isso de propósito ou é uma busca por novas maneiras de se expressar musicalmente?
Não é de propósito, é só o que nós temos vontade de compor no momento. Todos os lançamento podem ser uma extensão do disco anterior, mas eu nos comparo a um pintor: se um pintor apenas pintasse cestas de frutas, ele estaria se limitando. O que nós tentamos fazer é compor folk, country, rock, heavy metal… eu toco vários instrumentos, e alguns desses instrumentos me inspiram a compor tipos diferentes de músicas. Se eu pego um bandolim, escuto algo; se pego um ukulele ou um violino, escuto outra coisa. Isso nos inspira a ir em direções diferentes.
Vamos falar um pouco sobre a turnê brasileira que está prestes a começar: eu achei um repertório que vocês tocaram nos Estados Unidos e ele tem algumas músicas que vocês não tocaram na última visita ao Brasil. Vocês estão preocupados em trazer algumas músicas que não tocaram da última vez ou será mais focado nos maiores sucessos, já que vocês não são os headliners da noite?
Sim, isso faz diferença. Nosso tempo é limitado, temos pouco tempo pra tocar, então provavelmente tocaremos sete ou oito músicas, acho que apenas uma do disco novo e depois voltaremos no tempo para tocar “Heroes”, do Live to Die, algumas músicas do Snakes in the Playground, do The Jesus Experience e do Scarecrow Messiah, mas será um show bem curto, já que estamos abrindo para o Stryper.
Só pra confirmar: você disse que tocarão “Heroes” ao vivo?
Sim! Com uma guitarra, que torna tudo mais desafiador, mas o nosso baixista, Nenel Lucena, é tão incrível que esperamos que ele consiga preencher várias das partes que talvez fiquem faltando por termos apenas uma guitarra. Eu adoro tocar essa música, mas vai ser bem interessante, porque não a tocamos ao vivo há uns trinta anos.
Pois é, vai ser impactante, porque a plateia brasileira ama “Heroes”. Eu me lembro de vê-los em 2006 , em Curitiba, na turnê do Skin for Skin, e muitas pessoas pediram pra vocês tocarem “Heroes”, o Dale acabou cantando alguns versos à capella e a plateia enlouqueceu. E quais são as expectativas para essa turnê com Stryper e Narnia? Até onde eu sei, essas três bandas nunca tocaram juntas.
Nós tocamos com o Stryper no passado e esses caras são incríveis. É uma banda ótima que faz um show incrível, então o nosso trabalho será apoiá-los. Tentar deixar a plateia motivada para quando o Stryper subir no palco; como uma banda de apoio, é isso que faremos. Então nós vamos dar muita energia; como nosso tempo no palco é curto, conseguiremos dar 100%, sem economizar. As plateias brasileiras são sempre maravilhosas, as melhores do mundo. Nós tocamos em tudo quanto é lugar, e o Brasil definitivamente é o lugar no qual você quer tocar, sem nenhuma dúvida.
Ótimo! Falando um pouco sobre o futuro: vocês recentemente lançaram esse disco novo, mas já há planos para um próximo lançamento ou então para novas turnês como essa no Brasil, ou serão shows mais selecionados?
Nós já temos algumas datas marcadas no calendário para voltarmos para a Europa, para a Costa Rica, Guatemala, alguns shows nos Estados Unidos e coisas assim. Já começamos a trabalhar no próximo disco, temos duas ou três ideias, e acabamos de lançar no Facebook e no Youtube um remake de uma música do Cinderella, chamada “You Don’t Know What You Got Till It’s Gone”, então nós estamos sempre lançando material, porque é isso que fazemos. Nós somos músicos, queremos escrever o tempo todo e nunca tiramos férias; mesmo que a gente dê uma sumida de vez em quando, estamos sempre trabalhando. Eu estou no meu estúdio, o Dale também tem um estúdio, então nós estamos sempre compondo.
Agora é uma pergunta que eu faço pra todos que entrevisto: existe alguma banda que você gostaria de ouvir fazendo um cover de qualquer música do Bride?
Eu adoraria ter ouvido o Ronnie James Dio cantar alguma música do nosso início de carreira. Ele é o vocalista “premiere”. Ou o Soundgarden com o Chris Cornell, seria interessante ver o que ele faria com alguma das nossas músicas. A maioria são as bandas mais antigas, algumas das pessoas já morreram, mas essas eram as nossas influências no começo, pessoas que nós admirávamos e que nos influenciaram.
Legal! Você poderia dizer que o Queensryche foi uma influência nos primeiros álbuns do Bride? Eu vejo algumas similaridades, mas é claro que é o mesmo estilo musical e a mesma época…
Sim! Quando você está começando a fazer música, você ainda não encontrou a sua identidade, muita gente não encontrou. Nós estávamos procurando algumas coisas, fazendo coisas que eram populares na época e sendo muito influenciados pelo Steve Osbourne, que foi um dos nossos primeiros guitarristas, um músico fantástico que já morreu. Quando pessoas diferentes entram e saem da banda, as coisas mudam, o estilo musical muda e eventualmente você encontra o seu ritmo. Demora um pouco, mas acho que nós chegamos lá com o Kinetic Faith e o Snakes in the Playground, aquele hard rock meio calcado no blues, é o que acabamos fazendo.
Eu gostaria que você gravasse uma mensagem para os fãs brasileiros, os convidando para os shows.
Claro! Olá, aqui é o Troy Thompson, do Bride. Nós estamos voltando ao Brasil no final de julho em uma turnê com Stryper e Narnia. Vamos tocar em cinco cidades diferentes e eu espero que você possa estar em algum dos shows, nós gostaríamos de convidá-los e vê-los por lá para que possamos curtir juntos.
Troy, muito obrigado pelo seu tempo e pela sua inspiradora música. Muito obrigado e te vejo no show!
Te espero lá! Muito obrigado pelo seu tempo e Deus te abençoe!
Foto: Clovis Roman
