Morost – Forged Entropy
(On Parole / Importado)
por Clovis Roman
Segundo álbum do Morost, Forged Entropy apresenta um prog/death metal pomposo e muito bem costurado, comprovando que a Eslovênia também é um celeiro de ótimas bandas de som extremo. O disco tem 56 minutos de duração, e músicas cuja média de duração quase chega aos oito minutos. O trabalho não é um lançamento, pois saiu em 2021, mas chegou a nossa redação apenas este ano. A capa é de Dana Kodermac, que fez um trabalho primoroso, que casa totalmente com o conteúdo musical deste CD, que saiu em digipack. A produção deixou o som encorpado e sombrio, o clima perfeito para este estilo de música.
Após uma introdução interessante, “Beg” flerta com elementos do black metal, aqueles que dão um ar mais épico à canção. Até a metade, o clima agressivo se mantém, até um interlúdio abrupto, mas bem encaixado, com um andamento seco e vozes que chegam a lembrar o trabalho vocal do Rotting Christ, até um crescendo que retoma a agressividade na medida perfeita. Os arranjos do baterista Jan Volkun Dobre (que também toca no Ancient) dão força extra à estrutura da faixa, que ainda brilha com um bem sacado solo de guitarra.Este épico se encerra pouco antes de completar dez minutos, com a sensação de que durou nem metade disto.
Técnica, vocais cavernosos e mudanças de climas constroem “Protector of Sanity” (incluindo partes que chegam a remeter ao Opeth), que assim como sua sucessora, “Artificial Time”, traz linhas complexas de bateria e tempos fora do padrão, mas sempre com um propósito. O trabalho se mostra, a cada faixa, uma obra de assimilação paulatina, fator este que traz mais significado ao ouvinte do que apenas um disco de metal extremo direto. Claro, ambas maneiras de expressão musical são válidas, mas é satisfatório demais descobrir novas nuances a cada nova audição de Forged Entropy.
Mostrando uma dinâmica inteligente, o disco segue com “Solace in Solitude”, ainda mais densa, com andamento um pouco mais moderado que suas antecessoras, mas ainda áspero e brutal. As guitarras trazem algo de Paradise Lost para um ambiente de hostilidade caótica. Sem intenção de cair na morosidade, o Morost entra em um cenário mais etéreo com “The Conundrum”, enquanto “The Joy Of Pandemonial Ruination” está nos mesmos moldes das músicas iniciais. O encerramento com “Fat Shepherds”, ao contrário do que o título sugere (eu esperava uma porrada supersônica de uma composição cuja abordagem lírica é uma crítica à ganância dos líderes religiosos), têm interlúdios introspectivos e um andamento moderado dominante, com um ar apoteótico apropriado para fechar o CD.

Por fim, Forged Entropy é um trabalho sofisticado de death/black metal técnico, dinâmico, grandioso e nunca cansativo. Atingiram o meio termo perfeito entre perícia instrumental e de composição com a crueza do metal extremo. O Morost, com sua formação atual, soltou em 2024 o EP Devour Thine Light, que é composto de uma única música com 22 minutos de duração. Eles não têm medo de arriscar, e estão sempre acertando.
Mais informações: morost.official
Músicas
1. Afterthoughts
2. Beg
3. Protector Of Sanity
4. Artificial Time
5. Solace In Solitude
6. The Conundrum
7. The Joy Of Pandemonial Ruination
8. Fat Shepherds
Capa: Arte de Dana Kodermac
