[Cobertura] Matanza Ritual e Macumbazilla: pra tiozão nenhum botar defeito

Matanza Ritual + Macumbazilla
3 de agosto de 2025
Tork n’ Roll
Curitiba/PR

Por Luís S. Bocatios
Fotos de Clovis Roman

Domingo à noite, pós-rodada do Brasileirão, temperatura em na casa dos 20 graus, cerveja e rock. Parece a descrição do paraíso para qualquer tiozão médio brasileiro, mas é apenas o que aconteceu na noite do dia 3 de agosto no palco do Tork n’ Roll, em Curitiba, quando o Matanza Ritual fez sua primeira apresentação na cidade em 2025.

A missão de abrir a noite ficou com o power trio curitibano Macumbazilla, composto por André Nisgoski (guitarra e vocais), Júlio Goss (bateria) e Carlos Piu (baixo). O som da banda é interessantíssimo e se encaixa bem na estética sonora do rock dos anos 2000, mas com toques autorais bastante interessantes, como o peso além do comum para bandas da época e os solos de harmônica presentes em algumas músicas.

Macumbazilla (foto: Clovis Roman)

Logo na faixa que abriu o show, “Hellhounds”, a banda já convoca Leandro Lopes, posteriormente descrito como “lenda do blues paranaense” para fazer um belíssimo solo de harmônica. De cara, o público já gostou da banda e foi se aproximando cada vez mais do palco.

A segunda música, “Colossus”, trouxe o único problema da performance, quando o som teve um blackout completo e, por uns 15 segundos, apenas se ouvia a bateria. A essa altura, já dava para perceber que, a depender da composição, a voz rouca de Nisgoski poderia remeter ou a Lemmy Kilmister (Motorhead) ou à voz dos vocalistas de bandas como Creed e Nickelback. Por enquanto, era apenas Lemmy.

A terceira canção, uma das melhores do show, novamente contou com a presença de Leandro Lopes, com outro belíssimo solo de harmônica. Ela foi dedicada pelo vocalista a uma parcela extremamente abrangente não apenas do público, mas da sociedade: todos que “adoram uma cerveja e odeiam gente que se mete na nossa vida”. A seguir, “Blood, Beer and Broken Teeth” parece o título de um episódio de Game of Thrones, mas é uma ótima música cuja maior força reside na quebra de ritmo interessantíssima perto do final.

Macumbazilla (foto: Clovis Roman)

A introdução pesadíssima de “Blondie Phantom” dá o tom adequado para a música, que fala sobre a lenda curitibana da loira fantasma. A música evidencia que o baixista é muito bom e que a performance da banda seria ainda mais satisfatória caso o instrumento tivesse um destaque maior na mixagem; o baterista, por sua vez, tem uma performance impecável, apresentando viradas que chegam a remeter a Keith Moon. Já totalmente conquistado pela banda, o público se uniu em palmas em um momento mais calmo da canção, que foi seguida pelas competentes “The Enemy” e “Dark Hordes”.

A penúltima música, “Morningstar”, foi dedicada pelo vocalista a todos que têm ou já tiveram depressão e sabem o quão séria é a doença. “Às vezes tá tudo bem não estar bem, o que não pode é guardar tudo pra você”, declarou o vocalista, antes de brincar: “a gente é metaleiro mas também tem coração”.

“The Ritual”, a última do show, tem uma intro pesadíssima e um solo de baixo muito bom. Se a música anterior soava como Nickelback, a última soa como um Royal Blood melhorado e encerra a apresentação com chave de ouro e cumprindo com excelência tudo o que se espera de uma banda de abertura.

Repertório

Hellhounds
Colossus
Leave My Beer Alone
Blood, Beer and Broken Teeth
Blondie Phantom
The Enemy
Dark Hordes
Morningstar
The Ritual

Matanza Ritual (foto: Clovis Roman)

Matanza Ritual

Se o Macumbazilla precisou de um tempo para ganhar a plateia, o Matanza Ritual já entrou no palco com o jogo ganho e se aproveitou ao máximo disso, mesmo com alguns desfalques importantes.

Como o baixista Felipe Andreoli estava em São Paulo para o último show do Angra antes de um hiato, e o baterista Amilcar Christófaro estava tocando em Wacken com o Torture Squad, o quarteto subiu ao palco com o vocalista Jimmy London, o guitarrista Antônio Araújo, o baixista Juninho Sangiorgio (Ratos de Porão) e o baterista Walman Filho (acredite se quiser, produtor e baterista do Mundo Bita, projeto de músicas infantis de tremendo sucesso).

A performance começa antes mesmo da primeira música, quando a banda se une ao último acorde do tema clássico da obra-prima 2001: Uma Odisséia no Espaço, de Stanley Kubrick. Mesmo que o tom épico da introdução seja um pouco descabido para o que seria o show, o clima criado pelo final é muito efetivo.

Assim que “Meio Psicopata” tem início, o público vai à loucura e, antes mesmo de Jimmy subir ao palco, já começa a berrar. Quando começa o vocal, a voz do público soterra a do vocalista, cuja presença de palco caótica incita ainda mais a loucura na plateia. A transição para “Remédios Demais” é praticamente invisível, e a plateia intensifica ainda mais a participação, gritando cada vez mais alto.

A energia continua lá no alto com os sucessos “A Arte do Insulto” e “Bom é Quando Faz Mal”, que foi cantada completamente pela plateia até o final do primeiro refrão, quando Jimmy se aproxima do microfone para cantar apenas a frase que dá título à música.

Se o baixo do Macumbazilla poderia ser um pouco mais alto, o mesmo não se aplica ao instrumento de Juninho Sangiorgio, pois as quatro cordas que potencializam o som do Ratos de Porão estralaram as caixas de som do Tork n’ Roll. O som estava longe da perfeição, mas, paradoxalmente, era perfeito para a sujeira e a crueza que exalam do som do Matanza.

Enquanto Jimmy conquista o público pelo carisma, o trio que o acompanha oferece uma performance satisfatória e, mesmo que sem nenhum primor técnico, passa uma energia tremenda para o público. A empolgação dá uma caída com “Assim Vamos Todos Morrer”, assim como em todas as músicas do disco novo, A Vingança é Meu Motor, mas volta ao normal com “Clube dos Canalhas” e segue essa mesma linha até o final.

Os momentos mais divertidos da noite, é claro, foram os grandes sucessos, como “Mesa de Saloon”, “Pé na Porta, Soco na Cara” e “Ela Roubou Meu Caminhão”, que cumpriram com perfeição o papel de divertir o público e encerraram o final de semana de todos os presentes com um alto astral incrível.

Repertório

Meio Psicopata
Remédios Demais
A Arte do Insulto
Bom é Quando Faz Mal
O Chamado do Bar
Eu Não Gosto de Ninguém
Assim Vamos Todos Morrer
Clube dos Canalhas
O Último Bar
Maldito Hippie Sujo
Pé na Porta, Soco na Cara
Tempo Ruim
Lei do Mínimo Esforço
A Casa em Frente ao Cemitério
Carvão, Enxofre e Salitre
Quando Bebe Desse Jeito
Conforme Disseram as Vozes
Mulher Diabo
Nascido Num Dia de Azar
Mesa de Saloon
Interceptor V-6
Todo Ódio da Vingança de Jack Buffalo Head
Ela Roubou Meu Caminhão
Ressaca sem Fim

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