Eluveitie – Ànv
(Shinigami Records / nacional)
por Clovis Roman
No começo da década passada, o Eluveitie se tornou figurinha carimbada nos palcos brasileiros. Nas turnês dos ótimos discos Everything Remains as It Never Was e Helvetios, além do instável Origins, a banda veio para cá quatro vezes entre 2011 e 2015. Depois, incontáveis mudanças de formação e álbuns menos fortes os desconectaram de boa parte do público. Eu mesmo, que gostava da banda e assisti – como jornalista – quatro shows deles naquela época (três em Curitiba e um em São Paulo), nunca mais havia ouvido os suíços.
Como o volume de lançamentos é insano no mundo do metal, é fácil esquecer de alguns grupos. Neste caso, retomei meu contato com o Eluveitie com um ótimo sentimento. As saídas de Meri Tadić e Anna Murphy (hoje liderando o bacana Cellar Darling) foram fortes impactos, mas isto aconteceu há mais de dez anos e a banda seguiu em frente, e encontrou em Fabienne Erni uma voz com personalidade e bastante adequada para este estilo musical. Liderado por Chrigel Glanzmann, o numeroso conjunto segue com a temática Celta em suas letras, com letras místicas, espiritualizadas e conectadas com a natureza.
Seja isto ou não, o fato é que, musicalmente, Ànv mostra uma banda mais madura e ao mesmo tempo, fiel às diretrizes musicais que a tornaram uma referência dentro do folk metal. O disco é homogêneo, e tem as faixas bem distribuídas, o que faz uma grande diferença no impacto causado na primeira audição. Nas subsequentes, memorizamos rapidamente refrães e melodias notáveis, e o álbum cresce bastante. Com jeitão de single, “Taranoía” é irretocável, enquanto a mais agitada “The Prodigal Ones” tem uma aura meio Amorphis simplesmente irresistível.
A etérea faixa-título “Ànv” serve como um interlúdio necessário, que descamba na porrada “Premonition”, facilmente uma das melhores composições que já fizeram nestas pouco mais de duas décadas de carreira: versos certeiros, melodias grudentas, solo de guitarra curto mas efetivo e um trabalho vocal primoroso de Glanzmann. Fechando um suposto lado A, “Arwen” segue as mesmas características, uma mescla perfeita de um som acessível, sem se tornar aquela coisa sem vida e pop de tanta banda que se intitula metal, mas não é. A produção de Thomas Vetterli – que vem trabalhando com o Eluveitie há 15 anos – é excelente, e ele teve papel importante não apenas nesse campo: O cara também co-compôs quase metade das faixas, e certamente ajudou no direcionamento de Ànv. Para quem não sabe, o produtor também é guitarrista do Coroner e gravou um dos melhores discos dos anos 1990: Endorama, com o Kreator.
A formação que gravou este disco conta com, além de Glanzmann (voz, flauta e instrumentos de corda), Fabienne Erni (voz, harpa celta, mandola), Alain Ackermann (bateria), Rafael Salzmann e Jonas Wolf (guitarras), Kay Brem (baixo), Lea-Sophie Fischer (violino, hurdy gurdy) e Matteo Sisti (flauta, gaita de foles, hurdy gurdy, mandola). Este último deixou a banda após o lançamento, reduzindo a banda, temporariamente, a um septeto.
Passagens mais tranquilas, como a instrumental “Memories of Innocence” e a delicada “Anamcara” explicitam as referências musicais fora do metal, enquanto “The Harvest” e “Aeon of the Crescent Moon” mostram a vertente mais pesada, sem deixar de lado a sonoridade celta. “The Prophecy”, mais arrastada, fecha o CD nos fazendo ter a certeza que o ouviremos novamente em breve. A capa é muito bonita, assim como o encarte, que traz letras, foto da banda na época e até uma ilustração extra do personagem da capa. A versão nacional é da Shinigami Records, pela parceria com a Nuclear Blast Records. Pra mim, este disco não pode passar batido por ninguém.
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Músicas
1. Emerge
2. Taranoías
3. The Prodigal Ones
4. Ànv
5. Premonition
6. Awen
7. Anamcara
8. The Harvest
9. Memories of Innocence
10. All Is One
11. Aeon of the Crescent Moon
12. The Prophecy
Foto: Manuel Schütz
