Cancer – Inverted World
(Shinigami – nacional)
por Clovis Roman
No começo dos anos 1990, o Cancer se destacou com dois álbuns importantes, a saber: To the Gory End (90) e Death Shall Rise (91), e ainda nos brindou com o ótimo The Sins of Mankind (93). Porém, após o horroroso Black Faith (que na real é um trabalho com momentos muito interessantes, mas não para o Cancer), encerraram as atividades, retomada apenas uma década mais tarde. O retorno veio com o verdadeiramente ruim Spirit in Flames (2005) e só começaram a voltar ao prumo com Shadow Gripped (2018), mesmo que com uma produção capenga.
Sete anos mais tarde, Inverted World chega com uma sonoridade mais coesa e encorpada (a produção é do baterista Gabriel Valcázar), mas ainda podre. Menos thrash e mais death, o grupo apresenta dez faixas em 44 minutos bastante convincentes. Outra mudança importante foi a formação: ao lado do líder John Walker (guitarra e vocal) está uma banda totalmente nova em relação ao registro anterior: além de Valcázar, Daniel Maganto (baixo) e Robert Navajas (guitarra).
O sangue novo pode ter trazido um novo ar, mas as composições são de Walker, e começaram a ser feitas ainda com os antigos integrantes na formação. “Comecei a escrever o material logo após o confinamento obrigatório pela Covid. Eu quase sempre começo o processo de escrita basicamente brincando com a guitarra; então, depois de um tempo, os riffs começam a se transformar em ideias musicais. Para as letras, costumo passar algum tempo pensando em um conceito e depois escolho o vocabulário apropriado para a ideia. A inspiração vem do que está acontecendo e do que já aconteceu no mundo, e de histórias curiosas que me interessam”.
Musicalmente, ele deixou de lado vocais mais limpos e voltou a algo que se assemelha aos anos 1990. As partes mais cadenciadas ou lentas são pesadas – “When Killing isn’t Murder” mostra bem essa característica, enquanto as velozes dão o dinamismo necessário: a intro de “Covert Operations” ou momentos de “Enter the Gates” se destacam. Esta última, inclusive, lembra muito algo que a Crypta faria. A audição do CD flui tão bem que, na primeira vez que o fiz, me espantei ao ver que já estava na faixa 7. Assim que acabou, apertei o play novamente.
Com passagens bem marcadas e algo até um pouco mais acessível, “Until they Die” tem clima denso, mas palatável. Pelo mesmo caminho vai “39 Bodies”, com um riff meio suingado, mas estranhamente hipnotizante, na abertura. Partes intrincadas e um solo fantasmagórico completam esta que é uma das melhores de todo o disco. Justamente ela, que lembra os melhores momentos daqueles álbuns ruins citados no primeiro parágrafo.
A mais caótica, quase doom metal, atende pela alcunha de “Test Site”, com partes mais arrastadas, partes ruidosas e peso na medida. Os solos soberbos se destacam novamente em “Amputate”. Como um bloco de concreto na cara, “Jesus for Eugenics” só dá uma folga na introdução dedilhada. A mais curta do álbum, “Corrosive” tem andamento maia acelerado e excelente trampo de Valcázar.
Após altos e baixos, o Cancer retorna a um patamar elevado, pois Inverted World entrega o que os fãs esperavam, sem vocais meigos ou experimentações alternativas, tampouco covers do Deep Purple. É o melhor discos dos caras desde 1993. A versão nacional saiu pela Shinigami Records.
Compre o CD: https://www.lojashinigamirecords.com.br/p-9502266-Cancer—Inverted-World
Musicas:
Enter The Gates
Until They Died
Inverted World
39 Bodies
Test Site
Amputate
When Killing Isn’t Murder
Covert Operations
Jesus For Eugenics
Corrosive
Foto: Manuel Giménez
