[Cobertura] Timo Tolkki se apoia na nostalgia e perde equilíbrio com show morno e muito curto

por Clovis Roman

Que Timo Tolkki (ex-guitarrista e fundador do grupo finlandês Stratovarius, um dos maiores nomes do power metal melódico de todos os tempos) tem uma história confusa e cheia de altos e baixos, todos no meio do metal já estão cientes. Shows cancelados e inúmeras polêmicas nos últimos tempos colocavam em dúvida a realização desta turnê deveras extensa, com inúmeras datas em sequência sem day off, de um homem que está fisicamente limitado há anos. A maioria dos shows rolou, com uma ou outra eventual baixa. Ao menos nesse ponto, foi uma turnê bem sucedida.

Programação do dia.

Prestes a chegar no país, Tolkki se machucou e fez os shows no Brasil sentado em uma cadeira. Compreensível. Todavia, o repertório extremamente enxuto não é igualmente tolerável. Em Curitiba, foram apenas nove músicas. O show da banda de abertura (65 minutos) durou mais. Além disso, perdeu-se muito do brilho dessas fantásticas canções do Stratovarius apresentadas no palco do Crossroads, pela performance correta, mas apenas mediana, da banda brasileira de apoio. Mas o principal ofensor à obra dos finlandeses foi o vocal que, infelizmente, ficou a anos-luz de qualquer similaridade com as gravações originais. Foi muito papo entre as músicas e tentativas de levantar coros com a plateia durante as canções, mas uma interpretação opaca e sem vida. Tolkki, inclusive, chegou a chamar a atenção do cantor sobre o excesso de tagarelice sem propósito nos intervalos. O grande astro da noite, todavia, também ficou aquém da expectativa. Para exemplificar, aquele último solo de “Speed of Light” (quando toda a banda para e fica apenas a guitarra) antes do retorno para o último refrão, ficou praticamente irreconhecível de tão mal executado.

A falta de fidelidade em termos gerais, somada ao som magro e baixo da guitarra de Tolkki fez com que, em alguns momentos, ficasse até mesmo difícil entender qual música estava sendo tocada. Conseguíamos ir acompanhando, afinal, todas essas músicas estão no DNA de qualquer guerreiro do power metal, porém, foi impossível ignorar, por exemplo, o resultado final de “Cold Winter Nights”, majestosa em estúdio e aqui, pálida e agonizante. “Hunting High and Low”, super alegre e dançante, virou uma sombra taciturna de si mesma.

Timo Tolkki (foto: Clovis Roman).

O público, em geral, relevou e cantou junto – com maior ênfase na baladinha “Forever” – enquanto Tolkki tomava suas caipirinhas sempre que possível. O clima entre ele e os demais músicos era bom, e o gringo até deu uns tapas na bunda do vocalista em determinados momentos.

O resultado final foi decepcionante, mesmo que as expectativas não fossem altas. Eu cobri um show do Stratovarius há cinco meses, e a performance estelar do grupo finlandês não tem como ser comparada com o testemunhado no palco do Crossroads por Tolkki e sua banda, devida a distância quase infinita entre estes dois opostos, seja em qualidade musical, execução, relevância, profissionalismo ou qualquer outro parâmetro que possa ser levantado.

Repertório
Hunting High and Low
Paradise
Cold Winter Nights
Stratosphere
Galaxies
Visions (Southern Cross)
Forever
Speed of Light
Black Diamond

Landfall (foto: Clovis Roman).

Landfall
A noite não foi um total desperdício, afinal, a Landfall foi a responsável pela abertura. Banda extremamente profissional e com músicos tecnicamente irrepreensíveis, está divulgando o recém lançado – e majestoso – Wide Open Sky (2025), o terceiro álbum. A formação atualmente conta com Gui Oliver (vocal), Felipe Souzza (bateria), Marcelo Gelbcke (guitarra) e o mais recente integrante, Luis Rocha (baixo).

Mesmo com um novo disco debaixo do braço, o setlist focou mais no segundo CD, Elevate (2022), com cinco faixas, contra quatro do mais recente, além de duas do debut The Turning Point (2020). Sobem ao palco com a introdução do filme Missão Impossível, abrindo com a clássica (já dá para chamar assim?) “Rush Hour”, que fisgou a atenção da galera de maneira imediata, seguida pela nova – e igualmente forte – “S.O.S.”.

O espaço reduzido do palco não permitiu muita movimentação, mas a música deu o recado. A mais viajada e progressiva “Hourglass” (que teve sua estreia ao vivo neste show) fez contraponto com as açucaradas “Two Strangers” e “Elevate”, que tocariam na Ouro Verde FM sem problema algum. Alguns problemas técnicos aconteceram aqui e acolá, mas tudo foi resolvido rapidamente e não impactou negativamente a performance. Aliás, a regulagem do som durante o show da Landfall estava muito melhor do que da atração principal.

Repertório
Rush Hour
S.O.S
Across the Street
Never Surrender
Running in Circles
H.O.P.E.
Waterfall
Intoxicated
Hourglass
Two Strangers
Elevate

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