Por Luís S. Bocatios
É praticamente um consenso de que o auge do rock aconteceu nos anos 1970. Exatamante na metade da década, a sonoridade classic-rock já estava estabelecida, a influência do progressivo era cada vez mais sentida tanto no trabalho de bandas já famosas quanto em novos músicos que surgiam e, por consequência, os músicos estavam cada vez mais ambiciosos e confiantes em expressar exatamente aquilo que estavam sentindo.
Por isso, elaboramos uma lista com os dez melhores discos de rock lançados em 1975, um dos anos mais prolíficos da história da música. Nas próximas semanas, também será publicada uma lista com os dez melhores álbuns de 1975 fora do universo do rock, contando com nomes como Bob Dylan, Milton Nascimento e Joni Mitchell. Fique ligado em nosso site.
Menções honrosas: Born to Run, de Bruce Springsteen; Venus and Mars, de Paul McCartney; Fish Out of Water, de Chris Squire; One of These Nights, do Eagles; Nuthin’ Fancy, do Lynyrd Skynyrd; Horses, de Patti Smith; Come Taste the Band, do Deep Purple; Criaturas da Noite, d’O Terço; Extra Texture, de George Harrison; e Fly By Night, do Rush.
Tanto a seleção quanto a ordem dos discos são apenas opiniões pessoais, sem nenhuma pretensão de ser encarada como verdade absoluta e considerando todos os discos citados como indispensáveis para qualquer um que goste de rock.
10 – A Night at the Opera (Queen)

Se os ótimos Queen e Queen II apresentavam uma banda que ainda parecia estar em busca de sua identidade, o fantástico Sheer Heart Attack já trazia uma sonoridade madura e completamente autoral. A Night at the Opera, no entanto, é o primeiro disco em que 100% das grandes marcas do Queen já estão presentes. Tudo o que faz os fãs serem tão apaixonados pela banda está no álbum com juros e correção monetária.
Influências operísticas, solos de guitarra melódicos e únicos, uma sonoridade que mistura rock clássico com o progressivo, vocais absolutamente potentes. Baladas de encher o peito de emoção, composições extremamente trabalhadas, porradas roqueiras e progressões de acorde pouco usuais. Tudo isso faz com o que trabalho seja um dos mais incensados, celebrados e memoráveis da carreira do Queen.
Além de grandes sucessos como “Love of My Life” e a seminal “Bohemian Rhapsody”, possivelmente o maior clássico da história do rock, o disco ainda traz músicas menos famosas mas igualmente boas. “Death on Two Legs” e “You’re My Best Friend” são composições de piano incríveis e tem harmonias vocais brilhantes, enquanto “I’m in Love With My Car” é puro classic rock e traz vocais do baterista Roger Taylor, com um timbre rouco que remete a Rod Stewart.
Outras belas canções em A Night at the Opera são “‘39”, homenagem a Bob Dylan com vocais de Brian May que conta com aquela sofisticação melódica inerente ao rock inglês, e “The Prophet’s Song”, uma das composições mais sombrias, progressivas e trabalhadas de toda a carreira da banda, cuja sessão á capela é absolutamente sensacional.
O caldeirão de influências do álbum faz com que ele seja constantemente apontado como o melhor do Queen e uma perfeita representação não apenas da sonoridade da banda, mas também do espírito de liberdade criativa que marcou os anos 1970.
9 – Fleetwood Mac

O Fleetwood Mac surgiu no final dos anos 1960 como uma banda de blues que, posteriormente, viria a explorar elementos psicodélicos. Após a saída de Peter Green, um dos guitarristas mais celebrados da Inglaterra, a banda passou por inúmeras mudanças até que, em 1975, a entrada do guitarrista Lindsey Buckingham e da vocalista Stevie Nicks deu início à sonoridade pop-rock que transformaria o grupo em um dos mais bem-sucedidos de todos os tempos.
Ao lado da dupla que havia acabado de se juntar à banda, estavam a tecladista e vocalista Christine McVie e a cozinha formada por dois dos membros fundadores, o baixista John McVie e o baterista Mick Fleetwood. No auto-intitulado álbum lançado em 1975, o grupo dava os primeiros indícios da potência pop imparável que se tornaria em Rumours, de 1977, um dos álbuns mais vendidos da história.
O repertório traz pelo menos quatro músicas pop absolutamente perfeitas: “Monday Morning”, “Blue Letter”, “Say You Love Me” e “Sugar Daddy” são alegres, pegajosas, contam com melodias fáceis e deixam o ouvinte com um sorriso no rosto o tempo todo.
Também merecem destaque a balada acústica “Landslide”, um dos maiores sucessos da banda; “Over My Head”, cuja atmosfera vibrante e o timbre dos teclados fazem com que a canção soe quase como um precursora do dream pop; e “World Turning”, a mais trabalhada do disco, que na primeira metade é conduzida por um ximbau incessante, um riff de guitarra bluesístico, uma melodia muito bem trabalhada e harmonias vocais muito bem feitas. Na segunda metade, a música se transforma praticamente em disco music.
Quem foi pego de surpresa quando o Fleetwood Mac chegou ao topo do mundo com Rumours certamente não tinha ouvido o disco anterior, pois todos que o fizeram certamente foram capazes de prever que o grupo estava prestes a estourar e se tornar um dos maiores fenômenos dos anos 1970.
8 – Fighting (Thin Lizzy)

Uma das bandas mais influentes do rock setentista, o grupo irlandês Thin Lizzy exibe um catálogo invejável nao longo de toda a década. Mesmo nos discos em que ainda estava calibrando sua sonoridade, como os excelentes Vagabonds of the Western World e Nightlife, o grupo entregava músicas maravilhosas, uma energia incrível e uma identidade única.
A voz rouca e inconfundível de Phil Lynott unia-se de forma alucinante às guitarras harmonizadas da icônica dupla de guitarristas formada por Scott Gorham e Brian ‘Robbo’ Robertson. Ficava para o baixo, também de Lynott, e para a bateria de Brian Downey o papel de segurar tudo aquilo, o que a dupla fazia de forma magistral, geralmente em um ritmo groovado que denota uma enorme influência da soul music.
O disco lançado em 1975, Fighting, é o momento no qual a banda chegou na sonoridade que os consagraria no seminal Jailbreak, de 1976, um dos maiores clássicos do rock da década de 1970. Os riffs ficaram mais parrudos e a sonoridade como um todo mais agressiva, mas o lirismo nas guitarras harmonizadas continuava presente e mais sofisticado do que nunca.
O repertório é impecável e todas as músicas são ótimas, mas os principais destaques são a clássica “Rosalie”, a maravilhosa “Suicide”, que traz solos de guitarra esplendorosos e uma performance vocal absurda; “Wild One”, cujas guitarras harmonizadas no começo carregam uma beleza sublime; “King’s Vengeance”, excelente composição altamente inspirada por The Who; e a brutal “Ballad of a Hard Man”, que tem um riff pesadíssimo e fantástico em um tempo quebrado.
Mesmo sem tantos hits quanto Jailbreak, Fighting é um maravilhoso exemplar da sonoridade que transformou o Thin Lizzy em uma das maiores potências do rock setentista, influenciando fortemente bandas como Iron Maiden e Metallica e transformando os integrantes em algumas das figuras mais idolatradas na Irlanda.
7 – Toys in the Attic (Aerosmith)

Poucas bandas representam tão bem a estética do mais puro rock clássico dos anos 1970 quanto o Aerosmith. A banda chegou ao auge logo em seu terceiro lançamento, o clássico Toys in the Attic, de 1975.
Se o repertório fosse composto apenas pela brilhante faixa-título, “Walk This Way” e “Sweet Emotion”, sua presença nessa lista já seria justificada. Além de contarem com alguns dos riffs mais icônicos do rock setentista, as canções ainda carregam uma vibe maravilhosa e muito representativa do estilo de som que marcou essa década — e, no caso de “Sweet Emotion”, uma das mais fantásticas linhas de baixo da história.
Mas está muito longe de ser só isso: o álbum ainda tem como destaque a classuda e levemente psicodélica “Uncle Salty”, as fantásticas “Adam’s Apple” e “No More No More”, que carregam levadas ‘stoneanas’ irresistíveis, e a pesadíssima “Round and Round”, que chega a se aproximar do heavy metal.
Um dos álbuns de entrada para qualquer um que esteja buscando conhecer o classic rock dos anos 1970, Toys in the Attic completa 50 anos mais relevante do que nunca, apresentando uma sonoridade crua, composições maravilhosas e representando o auge de uma das maiores bandas do rock norte-americano.
6 – Fruto Proibido (Rita Lee & Tutti Frutti)

Os dois primeiros discos solo de Rita Lee eram praticamente trabalhos d’Os Mutantes, visto que os irmãos Baptista-Dias não apenas assinaram algumas das composições como também participaram da gravação. Após deixar o grupo, a vocalista recrutou o quarteto paulistano Tutti Frutti para servir como sua banda de apoio.
A primeira colaboração entre a cantora e o grupo foi o brilhante Atrás do Porto Tem Uma Cidade, e logo em sequência veio o seminal Fruto Proibido, um dos registros mais importantes e sensacionais do rock n’ roll brasileiro. A formação traz o guitarrista Luiz Carlini, o baixista Lee Marcucci, o baterista Franklin Paolilo e o pianista Guilherme Bueno, que entregam uma sonoridade tipicamente rock n’ roll e performances perfeitas. Os solos de guitarra são alguns dos mais icônicos da música brasileira, o baixo tem linhas extremamente criativas e um timbre parrudo e perfeito, a bateria de Paolilo é energética e o piano de Bueno é fundamental para a sonoridade das canções.
A produção de Andy Mills, que conheceu Rita Lee quando era técnico de som de Alice Cooper, é fundamental para que o álbum soe de uma forma tão orgânica, se tornando uma das peças chave para que o trabalho seja tão inesquecível, pois sua sonoridade é tão atemporal quanto a das grandes bandas britânicas e norte-americanas da década de 1970.
Nada disso seria suficiente, é claro, se não fosse pelo impecável repertório: além de alguns dos maiores hits do rock brasileiro, como “Ovelha Negra”, “Agora só Falta Você” e “Esse Tal de Roque Enrow”, ainda há espaço para faixas menos famosas mas tão boas quanto, como a abertura “Dançar pra Não Dançar”, a faixa-título e “O Toque”, que são puro The Rolling Stones; as maravilhosas “Cartão Postal” e “Pirataria”, que poderiam ter sido lançadas por Eric Clapton; e a excelente “Luz Del Fuego”, cujo riff dobrado entre guitarra e baixo é um dos melhores momentos do disco.
É praticamente impossível encontrar qualquer brasileiro que gostava de rock nos anos 1970 e não foi impactado por essa obra-prima de Rita Lee, que influenciou e inspirou toda a geração roqueira que ascendeu nos anos 1980, especialmente bandas como Barão Vermelho, Blitz e Paralamas do Sucesso e artistas como Lobão e Lulu Santos.
5 – Ritchie Blackmore’s Rainbow (Rainbow)

Logo após deixar o Deep Purple, em 1974, o guitarrista Richie Blackmore recrutou o vocalista da ótima banda Elf, um tal de Ronnie James Dio, para ser o frontman de seu novo projeto, o Rainbow. O que poucos imaginavam é que o grupo se tornaria tão importante e genial quanto o Deep Purple, exercendo uma influência enorme no desenvolvimento da sonoridade do heavy metal, especialmente a partir da grandiosidade e das influências da música clássica que apareceriam no álbum Rising, de 1976.
O primeiro disco do Rainbow, no entanto, ainda segue um caminho bem mais puxado para o rock clássico, com uma identidade que se diferenciava do Deep Purple principalmente por causa dos vocais de Dio. Dividindo todas as composições, a dupla formada pelo vocalista e por Blackmore entrega um álbum lotado de petardos delirantes para qualquer roqueiro.
A faixa de abertura já é uma delas: com um riff que só poderia sair da mente de Blackmore, “Man on the Silver Mountain” traz uma das melodias mais marcantes da carreira de Dio, que entrega uma daquelas performances potentes que o transformariam em uma das vozes mais celebradas da música pesada.
“Self Portrait” e “Sixteenth Century Greensleeves” têm linhas de baixo fenomenais e dois dos melhores solos de Blackmore. “Catch the Rainbow” cativa por sua atmosfera onírica, “Temple of the King” é uma balada linda com um riff incrível de violão e “Snake Charmer” e “If You Don’t Like Rock n Roll” seguem um caminho mais direto — a segunda poderia tranquilamente estar em algum disco do Elf, especialmente Trying to Burn the Sun.
Além das fantásticas composições autorais, o disco ainda tem dois covers incríveis: “Black Sheep of the Family”, originalmente da banda Quatermass, é divertidíssima ; e “Still I’m Sad”, da The Yardbirds, encerra o álbum…
4 – Zuma e Tonight’s the Night (Neil Young)

O catálogo de Neil Young nos anos 1970 é uma fonte inesgotável de harmonias e melodias belíssimas, mas também de uma brutalidade única para a época. Com duas obras brilhantes lançadas no mesmo ano, se torna impossível escolher entre o pesado Zuma e o sombrio Tonight’s the Night, então a lista terá aquela roubadinha de leve para encaixar os dois álbuns que o compositor lançou em 1975.
Tonight’s the Night, gravado entre agosto e setembro de 1973 e lançado em junho de 1975, foi feito como um tributo ao roadie Bruce Berry, que trabalhava com Young e morreu por causa de uma overdose de heroína. A temática já é suficiente para imaginarmos o quão sombrio seria o conteúdo lírico e sonoro do álbum: já na faixa-título, conduzida por uma linha de baixo fantástica de Ralph Molina, o que temos é uma composição mórbida que transmite com perfeição o espírito de Young e de todos ao seu redor na época.
Mesmo em composições com uma melodia mais suave, como “Speakin’ Out”, “Mellow My Mind” e a sublime “Albuquerque”, há um tom melancólico desolador. Os momentos menos deprimentes do disco são a pesadíssima “Lookout Joe”, uma das melhores que Young já compôs, e a divertida “Come on Baby Let’s Go Downtown”.

Já em Zuma, lançado em novembro, é o lado mais brutal do compositor que salta aos olhos. Mesmo que o repertório tenha espaço para composições líricas e suaves, como a dobradinha formada pelas emocionantes “Pardon My Heart e “Lookin’ for a Love”, são as canções mais pesadas que fincam o disco como um dos melhores da discografia de Neil Young. Entre elas, se destacam a soturna “Danger Bird”, a roqueira “Drive Back”, que tem um dos riffs lindamente simples e pegajoso, e “Barstool Blues”, cuja harmonia é idêntica à de “It’s All Over Now, Baby Blue”, de Bob Dylan.
Mas o grande clássico do disco é mesmo “Cortez the Killer”, composição melancólica sobre o conquistador espanhol Hernán Cortés. A canção une as duas facetas composicionais de Young a partir do contraste entre uma belíssima melodia e solos de guitarra intensos, resultando em uma das obras-primas do artista.
No final das contas, o ano de 1975 representa muito bem a usina criativa imparável que Neil Young era nos anos 1970. American Stars n’ Bars, de 1977, é um nível abaixo, mas os sensacionais Comes a Time, de 1978, e Rust Never Sleeps, de 1979, encerrariam com chave de ouro a sequência inacreditável de álbuns inesquecíveis do compositor na melhor década de sua carreira, que chegou ao auge em 1975, com o lançamento de dois dos seus melhores discos.
3 – Sabotage (Black Sabbath)

Enquanto faziam a turnê de Sabbath Bloody Sabbath, os integrantes do Black Sabbath descobriram que, mesmo com shows lotados e vendas estratosféricas, eles estavam sem dinheiro, pois haviam sido roubados e enganados pelo empresário Patrick Meehan. Em meio a processos judiciais que buscavam encerrar os contratos com o empresário, a banda entrou em estúdio para gravar seu próximo álbum.
Como não poderia ser diferente, dado o contexto no qual os músicos estavam inseridos, o resultado foi raivoso, agressivo e ainda mais pesado do que os antecessores. Ainda assim, o quarteto deu continuidade ao desenvolvimento das influências do rock progressivo que vinham sendo sentidas em seu trabalho desde Vol. 4 e ainda mais expandidas em Sabbath Bloody Sabbath.
Misturando o peso cru das maravilhosas “Hole in the Sky” e “The Thrill of it All” com as aventuras progressivas e sombrias que são “Megalomania”, “The Writ” e a instrumental “Supertzar”, Sabotage é um dos lançamentos mais interessantes da carreira do Black Sabbath e tem um repertório impecável, protagonizado pela majestosa “Symptom of the Universe”, considerada por muitos como a obra-prima da banda e apontada por alguns como tendo o primeiro riff de thrash metal de todos os tempos.
Individualmente, os integrantes também estavam inspiradíssimos: a máquina de riffs Tony Iommi se provava cada vez mais como um arquiteto sonoro genial, enquanto a cozinha formada por Geezer Butler e Bill Ward atingia níveis surreias de entrosamento e peso.
O grande destaque, no entanto, é o saudoso Ozzy Osbourne, que tem a melhor performance de sua carreira. Basta ouvir “Symptom of the Universe” e “The Thrill of it All” para constatar que, em seu auge, Ozzy não deve nada a nenhum dos grandes vocalistas do rock, tanto em termos de potência e alcance quanto nas melodias extremamente fortes e criativas que elaborou para as músicas.
Em resumo, Sabotage é o melhor que poderia sair de um momento tão conturbado na trajetória do Black Sabbath. Se aproveitando do sentimento de raiva e traição que pairava entre os integrantes na época, o quarteto entregou um dos álbuns seminais do heavy metal, expandindo ainda mais as fronteiras do gênero e chegando ao auge de sua experimentação sonora.
2 – Wish You Were Here (Pink Floyd)

Dois anos após Dark Side of the Moon, o discos mais vendido de todos os tempos até então, o Pink Floyd estava no topo do mundo, no auge absoluto de sua popularidade e criatividade. Com total liberdade, a banda criou em Wish You Were Here um trabalho melancólico, com conteúdo lírico tão potente quanto o de seu antecessor e uma quebra de barreiras sonoras ainda maior.
Já nos primeiros oito minutos do álbum, percebe-se que estamos diante de um disco especial. Antes de ouvirmos a primeira palavra, já aconteceram três solos de guitarra alucinantes e um dos riffs mais icônicos do mundo. Trata-se de “Shine on You Crazy Diamond”, uma das mais brilhantes músicas já compostas, feita como um lamento pela perda da sanidade de Syd Barrett, um dos membros fundadores do Floyd, que deixou o grupo em 1968 após desenvolver problemas mentais causados pelo uso excessivo de drogas psicodélicas.
Dividida em duas partes, a suíte percorre mais de 26 minutos e é uma das grandes obras-primas da história do rock: na performance mais atmosférica de sua carreira, o tecladista Richard Wright fornece uma base praticamente lúgubre para alguns dos solos mais sentimentais da carreira de Gilmour, evoluindo até a entrada da bateria de Nick Mason, que surge como uma avalanche e gera um dos momentos mais gloriosos da música mundial. O refrão dispensa comentários, pois é absolutamente impossível esquecer após ouvi-lo pela primeira vez. É um tributo à altura não apenas da grandiosidade artística de Syd Barrett, mas também da tragédia que foi sua vida depois que deixou a banda.
O álbum ainda discute os problemas da indústria musical nas excelentes “Welcome to the Machine” e “Have a Cigar”: a primeira começa como uma balada e vai evoluindo para um lado psicodélico daquela forma que só o Pink Floyd fazer; a segunda é um rock n’ roll mais básico, mas não menos incrível, e traz uma das letras mais sarcásticas de Roger Waters e um dos melhores solos de Gilmour.
Como se não fosse suficiente, ainda temos a faixa-título, possivelmente o maior clássico da carreira da banda. Com a introdução de violão mais aprendida por iniciantes do instrumento desde então, “Wish You Were Here” já deu uma boa saturada, mas, se buscarmos lembrar de nossas reações ao ouvirmos a música pela primeira vez, fica claro que o status da canção é absolutamente merecido.
Com uma missão quase impossível de fazer jus a Dark Side of The Moon, o Pink Floyd não apenas conseguiu cumprir o objetivo como também evoluiu ainda mais sua sonoridade, entregando algumas das músicas mais inesquecíveis de todos os tempos e se consolidando como uma das bandas mais geniais da história do rock.
1 – Physical Graffiti (Led Zeppelin)

No meio da década de 1970, o indiscutível auge do classic rock, o Led Zeppelin lançou aquele que pode ser considerado o magnum opus de todo esse movimento. Physical Graffiti, o único disco duplo da carreira do quarteto liderado por Jimmy Page, tem quase 90 minutos do mais puro deleite roqueiro.
Trata-se do lançamento mais ambicioso do Led Zeppelin, que serve como um resumo perfeito de tudo que transformou a banda em uma das mais lendárias da história. Alternando entre petardos como “Custard Pie” e “The Wanton Song”, épicos progressivos como “Kashmir” e “In the Light” e baladas inefavelmente lindas como “Ten Years Gone” e “Down by the Seaside”, o trabalho é uma imersão completa na mente genial de Jimmy Page e todas as influências que lá habitavam.
Como se o inacreditável nível das composições não fosse o suficiente, Physical Grafitti ainda representa o auge técnico e criativo de todos os integrantes. Para comprovar isso, basta ouvir a magnânima “In My Time of Dying”, que traz solos insanos de Jimmy Page, um vocal perfeito de Robert Plant, uma linha de baixo fretless extremamente criativa de John Paul Jones e a melhor performance de um baterista em todos os tempos, com John Bonham alternando entre estilos diferentes de condução ao longo da música e, nos últimos minutos, entregando viradas de bateria absolutamente delirantes.
Misturando rock progressivo, blues, country e rock clássico ao longo de dois vinis brilhantes, o Led Zeppelin conseguiu resumir em pouco menos de 90 minutos tudo o que transformou os anos 1970 na década mais efervescente e criativa tanto no rock quanto na música pop. É um trabalho absolutamente imortal que não pode ficar de fora de nenhuma lista dos melhores álbuns do mundo.
