[Cobertura] Brujeria diverte o público em show visceral no Jokers

Brujeria
14 de outubro de 2025
Jokers
Curitiba/PR

Por Luís S. Bocatios
Fotos de Clovis Roman

Com mais de 40 apresentações em solo brasileiro no currículo, o Brujeria voltou a se apresentar em Curitiba depois de anos na noite desta terça-feira (14), no palco do Jokers Pub. Foi a quarta apresentação do grupo, um dos maiores ícones do metal da América Latina, na capital paranaense.

Desta vez, a turnê foi pensada como uma homenagem aos ex-membros da banda Juan Brujo e Pinche Peach, que partiram dessa pra uma melhor em 2024. Para ela, a formação da banda conta com o vocalista El Sangrón, o guitarrista El Criminal, o baterista El Sativo, filho de Juan Brujo, e o baixista El Cynico (Jeff Walker, do Carcass).

No repertório, só velharias: quatro músicas do disco de estreia, Matando Gueros; sete do segundo álbum, Raza Odiada; cinco do terceiro, Brujerizmo; e uma do penúltimo, Pocho Aztlan. Esto es Brujeria, de 2023, foi ignorado. Antes da banda subir ao palco, são tocadas algumas músicas tradicionais mexicanas, que já preparam o público para a temática tipicamente latina que dominaria a noite.

El Criminal (foto: Clovis Roman).

A trinca de abertura já captura o público pelo pescoço e não solta mais: “Brujerizmo”, “El Desmadre” e “Hechando Chingasos” têm um peso avassalador, timbres de guitarra podres e uma bateria incessante. A reação da plateia não poderia ser melhor, com moshs já abertos e a porradaria comendo solta. “Anti Castro” e “Vayan sin Medo” mantém o clima de destruição sonora — que, pra falar a verdade, permaneceria intacto até o final da noite.

O principal destaque do repertório foi a sequência de três músicas do disco de estreia da banda: “Chingo de Mecos”, “Christo de la Roca” e a fantástica “Desperado” estão entre as gravações mais extremas da banda e são death metal puro, fazendo o mosh explodir e levando qualquer um que esteja na plateia ao headbanging mais poderoso, pelo menos, do mês. 

Logo após isso, o vocalista relembrou a memória de Brujo e Peach, dedicando o show e toda a turnê a eles, mas ressaltando que o Brujeria ainda está vivo: “o espírito está aqui. Viva Brujeria!”, bradou El Sangrón.

Vale ressaltar também que o som da casa estava impecável: muito alto, muito pesado e muito bem mixado. O único porém é que o som do baixo de El Cynico poderia estar mais alto, mas, pra falar a verdade, esse apontamento pode ser feito em 99,9% dos shows de metal extremo.

“Colas de Rata” talvez seja a melhor da banda, muito por causa de sua incrível performance de bateria, aqui executada com perfeição por El Sativo. “Division del Norte”, a última representante de Brujerizmo no repertório, é outra que conquista pela impossibilidade de manter a cabeça parada.

El Cynico (foto: Clovis Roman).

Logo antes de “Consejos Narcos”, o vocalista perguntou se alguém na plateia “tienes marijuana”. A resposta obviamente foi positiva, e um entre as dezenas de baseados que foram acesos acabou com El Sativo, que conseguiu a proeza de executar brilhantemente a canção com o cigarro na boca. É claro que foi praticamente um sinal verde para a plateia fazer o mesmo, e os minutos seguintes foram extremamente esfumaçados.

Em seguida, El Sangrón conversou com a plateia e mandou um “fuck” para a dupla Donald Trump e Jair Bolsonaro. O público, é claro, aproveitou para gritar palavras nada carinhosas contra o ex-presidente do Brasil.

O curto show, que durou um pouco menos de uma hora, foi encerrado com chave de ouro com as faixas-título dos dois primeiros discos da banda: a penúltima foi a violenta “Raza Odiada”, faixa raivosa sobre o preconceito que os mexicanos sofrem dos estadunidenses, e o encerramento veio com “Matando Gueros”, outra das melhores músicas do Brujeria. Foi o final perfeito para uma noite recheada de brutalidade e diversão.

Repertório

Brujerizmo
El Desmadre
Hechando Chingasos (Grenudo Locos II)
Anti-Castro
Vayan Sin Miedo
La Migra (Cruza La Frontera II)
Angel de la Frontera
Chingo de Mecos
Christo de la Roca
Desperado
Colas de Rata
La Ley de Plomo
Division del Norte
Revolucion
Consejos Narcos
Raza Odiada (Pito Wilson)
Matando Güeros

Fotos: Por Clovis Roman, do show do Brujeria em São Paulo, três dias antes da apresentação em Curitiba

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