[Cobertura] Os Paralamas do Sucesso, sempre impecável, inaugura o Igloo Super Hall

Os Paralamas do Sucesso
18 de outubro de 2025
Igloo Super Hall
Curitiba/PR

Por Luís S. Bocatios
Foto de Clovis Roman

Na noite de 18 de outubro, sábado, Os Paralamas do Sucesso trouxe a turnê Paralamas Clássicos a Curitiba pela quinta vez. Após uma apresentação no festival Prime Rock, uma no Teatro Positivo e duas no Teatro Guaíra, chegou a hora da maior banda de rock do Brasil inaugurar a mais nova casa de shows da capital paranaense, o Igloo Super Hall.

Com capacidade de dez mil pessoas e localizada no Tarumã, no complexo do Jockey Club do Paraná, o espaço chega para abrigar shows grandes demais para a Live Curitiba, onde cabem cerca de 5 mil pessoas, mas pequenos para a Pedreira, que tem capacidade para 20 mil, e para os estádios da cidade, preparados para receber mais de 40 mil espectadores. É o lugar perfeito para abrigar shows de bandas como Judas Priest e Alice in Chains, por exemplo.

Sobre o espaço em si, a impressão inicial não poderia ser melhor: a estrutura é ótima e totalmente coberta, contando com dois grandes telões de excelente qualidade e um sistema de som extremamente potente, que estava muito equilibrado mesmo com a dificuldade de mixar todos os instrumentos do Paralamas, que trazem instrumentos de sopros, teclado e o trio principal, composto por guitarra, baixo e bateria — além, é claro, dos vocais e backing vocals.

Sobre o show, há pouco a se falar além do fato de que a banda é sempre impecável. Em um repertório com mais de 35 músicas, que ultrapassaram duas horas, o trio composto por Herbert Vianna, Bi Ribeiro e João Barone mostrou mais uma vez o motivo de ser a banda de rock mais longínqua, relevante e bem-sucedida do Brasil.

O pontapé inicial foi com cinco clássicos da década de 1980: “Vital e Sua Moto”, “Cinema Mudo”, “Bora-Bora”, “Polvora” e “Ska”. As duas primeiras e a última foram cantadas a plenos pulmões pelo público, enquanto as outras duas ficaram um pouquinho mais restritas aos fãs dos primórdios da banda, que fizeram a festa.

Avançando para os anos 1990, os hits “Lourinha Bombril” e “Trac-Trac” voltaram a fazer todas as almas no Igloo Super Hall a cantar. Eis que teve início a parte mais pesada do show, com um pedaço de “Voodoo Child”, de Jimi Hendrix, emendando na excelente “O Calibre”, cuja letra sobre violência urbana está a cada vez mais atual. Já “Selvagem”, a melhor música da banda, é também sempre o melhor momento dos shows. Com um riff hiper rockeiro e uma linha de baixo pulsante e brilhantemente encaixada com a bateria, a música ainda traz citações à “Polícia”, dos Titãs.

Voltando às origens, a banda toca a ótima “Mensagem de Amor”, que traz um excelente solo de guitarra, e em seguida começa uma sequência com impressionantes onze baladas, uma mais famosa que a outra. Os grandes destaques dessa parte do show foram as imortais “Uns Dias”, “Quase um Segundo” e, especialmente, “Romance Ideal” e “Lanterna dos Afogados”, nas quais Herbert faz solos majestosos, os melhores de sua carreira, que também estão entre os melhores do rock brasileiro.

Um medley com “Será que Vai Chover” e “Assaltaram a Gramática” traz o clima lá pra cima novamente, botando todo mundo pra dançar, cantar e se divertir. O clima tem sequência com um outro medley, mas agora de covers do Tim Maia: “Gostava Tanto de Você” e “Você”, que a banda gravou no clássico Selvagem, de 1986.

Com o show já se encaminhando para o final, o grupo emenda as fantásticas “O Beco” e “A Novidade”, ambas com um baixo fenomenal e a segunda tocada na versão que foi registrada no disco ao vivo Vamo Batê Lata, de 1995.

A diversão fica maior ainda na despojada “Melô do Marinheiro” e na maravilhosa “Alagados”, que, com seu refrão irresistível, é um dos melhores retratos não apenas do rock brasileiro mas também do Brasil em si, por causa da letra que fala sobre a pobreza e o dia a dia da classe trabalhadora, mas sempre mantém um tom esperançoso e otimista.

Antes da banda sair do palco, ainda há os gigantescos sucessos “Uma Brasileira” e “Óculos”, dois dos maiores coros da noite. A pausa para o bis é curta, mas o bis em si é bem longo, com seis músicas. A primeira delas foi “Sossego”, outro cover de Tim Maia; em seguida, mais três clássicos: “Perplexo”, “Caleidoscópio” e “Meu Erro”, maior hit da carreira da banda.

Geralmente esse seria o encerramento, mas a noite era tão especial e a banda estava tão animada que ainda houve espaço para mais dois covers: “Que País é Este?”, da Legião Urbana, e “Should I Stay or Should I Go”, do The Clash, que encerrou mais um das dezenas de shows incríveis que o Paralamas do Sucesso já realizou em Curitiba. Que venham mais centenas!

Repertório

Vital e Sua Moto
Cinema Mudo
Bora-Bora
Perplexo
Ska
Lourinha Bombril
Trac-Trac
O Calibre
Selvagem/Polícia
Mensagem de Amor
Seguindo Estrelas
Uns Dias
Romance Ideal
Ela Disse Adeus
La Bella Luna
Cuide Bem do Seu Amor
Tendo a Lua
Aonde Quer Que eu Vá
Lanterna dos Afogados
Quase um Segundo
O Amor Não Sabe Esperar
Será que vai Chover? / Assaltaram a Gramática
Gostava Tanto de Você / Você
O Beco
A Novidade
Melô do Marinheiro / Marujo Dub
Alagados
Uma Brasileira
Óculos
Sossego
Perplexo
Caleidoscópio
Meu Erro
Que País É Este?
Should I Stay or Should I Go

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