HAMMERFALL
11 de novembro de 2025
Tork N´Roll
Curitiba/PR
por Clovis Roman
O Hammerfall surgiu na primeira metade dos anos 1990, formado pelo guerreiro do metal e guitarrista Oscar Dronjak ao lado de Jesper Strömblad (do In Flames), completando o time Niklas Sundin e Mikael Stanne (ambos do Dark Tranquility). A formação teve as adequações comuns em bandas iniciantes, e em 1997, saiu o primeiro álbum, o açucarado e poderoso Glory to the Brave, já com Joacim Cans no lugar de Stanne nos vocais, e músicas triunfantes de Strömblad, que saiu na sequência, mas cujas composições seguiram aparecendo nos álbuns seguintes: Legacy of Kings e Renegade (sem contar “One of a Kind”, no disco No Sacrifice, No Victory, de 2009).
Atualmente estabelecido com Dronjak, Cans, Fredrik Larsson no baixo, Pontus Norgren (há quase duas décadas na formação) na guitarra e David Wallin na bateria, o Hammerfall é uma instituição sólida do heavy metal. Em uma época em que louvam bandas pop com guitarra como as grandes sensações do metal – como Avatar, Sleep Token e outras tranqueiras que misturam mil coisas diferentes e carecem de qualquer identidade ou naturalidade – é ainda mais prazeroso ouvir e ver um show do grupo sueco que vem pavimentando o caminho do estilo há mais de três décadas.

A abertura, ousada, não trouxe um som supersônico, e sim, “Avenge the Fallen”, faixa título do mais recente trabalho de estúdio do quinteto. É como o Judas Priest abrir com “Out of the Cold” ou “Metal Gods”, sons cadenciados que vão construindo uma tensão que prende o espectador. Deu certo, pois após vibrarmos com o refrão poderoso da canção, fomos recompensados com vibrante e veloz “Heeding the Call”, um clássico atemporal forjado num aço que não enferruja com o passar do tempo. Outras veteranas, como “Renegade”, “Let the Hammer Fall” e a pomposa balada “Glory to the Brave” causaram comoção similar. A música do grupo é perfeita para unicamente pensar no Metal e esquecer quaisquer problemas da vida lá fora. Por uma hora e meia, somos 100% felizes.
Como a discografia é extensa, o repertório é bem abrangente, com foco igual nos discos clássicos e nos mais recentes, o que mais uma vez mostra que o Hammerfall segue relevante. Uma banda que grava petardos como “Hammer of Dawn” e “(We Make) Sweden Rock” não dá quaisquer indícios de estar perdendo as forças. Muito pelo contrário.
“Estamos felizes de voltar a esta belíssima cidade. Fazia tempo, né?”, pergunta o vocalista, lembrando que ficaram 18 anos longe de Curitiba; a última visita tendo sido na turnê do distante Threshold. Reforçando que o setlist abrangeria toda a carreira e que iríamos nos divertir à valer, Cans anuncia “Hammer of Dawn” (Hammer of Dawn, 2022), que nasceu clássica com seus riffs cortantes, melodias vocais inesquecíveis, cozinha minimalista e refrão no melhor estilo grito de guerra.

Longe de ser o favorito dos fãs, mas na mesma distância de ser considerado supérfluo, Chapter V: Unbent, Unbowed, Unbroken (2005) ganhou um medley com trechos de “Blood Bound”, “Secrets” e do épico “Knights of the 21st Century”, começando e terminando com as melodias apoteóticas de “The Templar Flame”. Além disso, “Fury of the Wild” foi apresentada na íntegra. A fase intermediária teve como destaques “Last Man Standing” e a dançante “Any Means Necessary”, enquanto o mais recente álbum foi representado pelas boas “Freedom”, a cortante “The End Justifies” e “Hail to the King”, corajosamente colocada como abertura do encore. O encerramento definitivo, obviamente, veio com a bombástica “Hearts on Fire”.
Uma semana antes, testemunhei jornalisticamente as performances do Linkin Park e Poppy em Curitiba, e saí com o coração apertado. Lavei a alma com o Hammerfall (processo de cura espiritual reforçado na noite seguinte, com o show soberbo do Grave Digger, outro herói do aço). Ao chegar em casa, estava decidido a quebrar meus CDs do Sleep Token. Como não tinha nenhum, o martelo caiu sem dó no Hybrid Theory e no Meteora, como ato simbólico, para fins de purificação da alma headbanger. O heavy metal vive!
Repertório
Avenge the Fallen
Heeding the Call
Any Means Necessary
Hammer of Dawn
Freedom
Renegade
Hammer High
Last Man Standing
Fury of the Wild
Chapter V: The Medley
Let the Hammer Fall
Glory to the Brave
The End Justifies
(We Make) Sweden Rock
Hail to the King
Hearts on Fire
