Ambush + Grave Digger
12 de novembro de 2025
Tork n’ Roll
Curitiba/PR
Por Luís Bocatios
Fotos de Clovis Roman
Em uma das noites mais movimentadas do ano no cenário de shows em Curitiba, o Tork n’ Roll recebeu a sueca Ambush e a alemã Grave Digger. Na quarta-feira, 12 de novembro, a capital paranaense ainda sediou o show de Billy Idol, na Arena da Baixada; o da banda James, na Ópera de Arame; o da banda de K-POP Now United, no Teatro Positivo; e o do cantor português Tiago Nacarato, no Teatro Paiol.
Para a parcela metaleira da cidade, a escolha era muito fácil, afinal de contas tanto o Ambush quanto o Grave Digger são conhecidos por seu estilo puramente heavy metal, sem nenhum espaço para firulas, experimentações ou ousadia. E foi exatamente isso que aconteceu no Tork n’ Roll.
Ambush

Fundada em 2013 na cidade de Växjö, na Suécia, o quinteto tem quatro discos lançados: Firestorm, de 2014; Desecrator, de 2015; Infidel, de 2020; e o recém lançado Evil in All Dimensions, de 2025. Em todos os trabalhos até o momento, fica nítida a paixão que os integrantes têm pelo heavy metal oitentista, que os deu a reputação de ser uma das últimas bandas que carrega a bandeira do metal clássico.
A sonoridade é muitíssimo inspirada no Judas Priest, mas também há pitadas de Iron Maiden em algumas canções e Thin Lizzy em outras — a banda irlandesa, aliás, estava estampada na camiseta do ótimo baterista Linus Fritzson. As insubstituíveis “guitarras gêmeas” são performadas com muito talento pela dupla de guitarristas Olof Engkvist e Karl Dotzek, enquanto o baixista Oskar Andersson preenche o som da banda de forma competente.
O vocalista Oskar Jacobsson claramente busca emular Rob Halford, o que faz bem, mas sua voz em alguns momentos mais limpos chega a lembrar o timbre de Vince Neil no início do Motley Crue. O conjunto da banda é coeso, sem grandes destaques individuais, mas com todos servindo perfeitamente ao propósito de fazer a banda soar como se tivesse surgido no início da década de 1980.

O repertório teve início com a matadora “Firestorm”, primeira música do primeiro disco da banda. De fato, poderia estar em Killing Machine ou Stained Class, do Judas Priest, especialmente pela voz de Jacobsson, que soa especialmente similar a Halford nesta faixa. No final da canção, o baterista fez um mini-solo de bateria e, no final, deu um berro que animou a plateia a respondê-lo.
A segunda música da noite, “Possessed by Evil”, é a faixa de abertura de Desecrator e tem um dos melhores solos de guitarra da noite. O som esteve impecável durante a noite toda, mas, no meio da segunda música, a luz simplesmente se apagou e não voltou até a reta final. Nem o público e nem a banda se deixaram abater. Com um português excelente, o vocalista agradeceu a presença de todos com um “eu te amo muito pra caralh*!”.
A trinca inicial do show foi encerrada com a faixa-título e de abertura do disco mais recente da banda, “Evil in All Dimensions”, que tem uma pegada mais power metal e poderia até estar em um disco do Helloween ou do Angra. O pedal duplo incessante funciona com o baixo de forma a formar uma base perfeita para as belíssimas harmonizações de guitarra.

Seguindo a ordem do disco lançado este ano, a banda emenda “Maskirovka”, impossível de não ser comparada a “Metal Gods”, do Judas Priest. “Desecrator” e “Hellbiter”, única representante de Infidel no repertório, também são puro Judas. A luz voltou no meio de “Come Angel of the Night”, que revela um lado mais “maideniano” do Ambush.
Antes da próxima música, há um solo de guitarra estendido com partes de riffs de outras bandas — a esplendorosa “The Sentinel”, do Judas Priest, foi a mais celebrada pelo público. Se aproximando do final do show, “Bending the Steel” é mais metal oitentista pra ninguém botar defeito e “Natural Born Killers” foi uma das mais cantadas pelo público, que aclamou a banda durante todo o show.
O encerramento foi com “Don’t Shoot (Let ‘em Burn)”, que captura perfeitamente toda a essência do repertório e termina a apresentação com a energia lá no alto, em um show que não poderia ser mais apropriado como abertura do Grave Digger.
Grave Digger

Às 21h50, dez minutos antes do horário marcado, subiu ao palco o quarteto alemão formado por Chris Boltendahl no vocal, Tobias Kersting na guitarra, Jens Becker no baixo e Marcus Kniep na bateria. Atualmente, a banda está divulgando seu mais recente álbum de estúdio, Bone Collector, lançado em janeiro deste ano.
Com um repertório bastante diversificado que passeou entre os mais de 40 anos de história, a banda fez um show sob medida para tudo aquilo que os fãs estavam esperando. Após uma intro com “Reign of Bones”, o quarteto sobe ao palco para apresentar a épica “Twilight of the Gods”, que já contou com o público cantarolando a melodia da introdução e berrando o título da música.
A empolgação continuou lá no alto com a segunda música, “The Grave Dancer” — tanto que, ao final dela, o público puxou um coro de “ole ole ole, Digger Digger”. A terceira música foi “Kingdom of Skulls”, primeira das duas representantes de Bone Collector no repertório. Mesmo sem uma reação tão calorosa quanto a das anteriores, foi aclamada pelo público pois, de fato, é uma excelente música.

Tão boas quanto são “Under My Flag”, uma das mais divertidas da noite, e “Valhalla”, que tem um riff excelente e um refrão extremamente empolgante. Em seguida, Boltendahl anunciou a fantástica “The Keeper of the Holy Grail”, dizendo que a banda jamais havia tocado a música em Curitiba. Ainda bem que essa escrita foi quebrada, pois o tom místico e épico da canção contagiou o público, que cantarolou o riff e a transformou em uma das melhores da noite.
“Dark of the Sun” é mais direta, mas também carrega uma aura mais épica e grandiosa, assim como praticamente todas as músicas do álbum “Tunes of War”, um dos mais aclamados da carreira da banda. O simples refrão da canção foi entoado pelo público a plenos pulmões.
Em seguida, o vocalista apresenta “Curse of the Jacques” como uma de suas músicas favoritas do Grave Digger. Seguindo um caminho similar ao de “The Keeper of the Holy Grail”, a canção também contou com coros do público na introdução. Merece destaque a excelente performance de Jens Becker, que entrega tudo o que se espera de um baixista em uma banda de heavy metal.

Já em “Shadows of a Moonless Night”, possivelmente a mais pesada da noite, o grande destaque é a guitarra, com grandes riffs e um timbre matador que se estendeu à excelente “The Round Table (Forever)”, que evoca elementos da música medieval com elegância.
Já “Excalibur”, um dos grandes sucessos da banda, levou o público à loucura e contou com uma performance fantástica do baterista. “The Devil’s Serenade”, última música do disco novo a aparecer no repertório, foi apresentada pelo vocalista como “uma música de rock n’ roll”, mesmo sem ter uma grande diferença das outras composições.
Aliás, “Back to the Roots”, que veio logo em seguida, talvez tenha uma pegada ainda mais roqueira do que a anterior. A música é ótima e conta com um riff cavalgado irresistível. A última música antes do bis foi logo o maior sucesso da banda, “Rebellion (The Clans are Marching)”, que foi cantada pelo público do início ao fim.

A volta para o bis foi com uma pancada atrás da outra: “Scotland United”, agressiva e incessante, e “Circle of Witches”, que carrega tons místicos, foram perfeitas para deixar o público plenamente satisfeito e já se preparar para o final.
O encerramento foi com duas músicas dos primórdios, as faixas-título dos dois primeiros álbuns: “Witch Hunter” e “Heavy Metal Breakdown”, que promoveram uma verdadeira catarse e consolidaram a noite como uma das mais inesquecíveis do ano para os fãs do heavy metal clássico.
