[Resenha] Warmen – Band of Brothers

Warmen – Band of Brothers

(Shinigami Records / nacional)

por Clovis Roman

A banda finlandesa Warmen foi formada no início dos anos 2000 pelo tecladista Janne Wirman, conhecido por seu trabalho no Children of Bodom. O projeto surgiu como uma forma de Wirman explorar ideias fora do contexto da banda principal, com ênfase em passagens instrumentais e uma sonoridade que mistura power metal, metal melódico e influências neoclássicas.

O primeiro álbum, Unknown Soldier (2000), destacou a habilidade técnica de Wirman e seus colaboradores, entre eles o guitarrista Sami Virtanen e o baterista Mirka Rantanen. Ao longo dos anos seguintes, o grupo lançou discos como Beyond Abilities (2002) e Accept the Fact (2005), consolidando uma identidade própria, apesar de sempre, de uma maneira ou outra, remeter ao universo sonoro do Children of Bodom.

Mesmo após o fim do Children of Bodom em 2019 e a morte de Alexi Laiho, Wirman manteve o Warmen ativo, reformulando a formação e lançando o álbum Here for None (2023), o primeiro com o novo vocalista Petri Lindroos (Ensiferum), que marcou uma nova fase, mais próxima de assumir o legado musical deixado pelo Bodom. O sétimo álbum do Warmen solidifica a atual linha mestra musical, que é mais voltado para banda e menos em demonstrações de virtuosismo desenfreado.

O espírito do Children of Bodom é mais nítido aqui que em qualquer disco anterior, mesmo que os vocais de Petri Lindroos (Ensiferum) não tenham tanta similaridade com o saudoso Alexi Laiho. Não que não haja partes extremamente intrincadas e virtuosas, mas Band of Brothers, como o próprio título indica, é muito mais o som de uma banda. O release indica que os demais integrantes contribuíram com partes para as composições, todavia, Janne Wirman, a mente criativa e fundadora do Warmen, assina todas as músicas e letras, como indicado no encarte do CD, cuja versão nacional é da Shinigami Records, licenciando o disco da Reaper Entertainment. Gravado em diversos estúdios na Finlândia, foi mixado por Mikko Karmila e masterizado por Mika Jussila no Finnvox Studios.

Começando pelo fim, “The Kiss of Judas” é uma cover do Stratovarius, banda que Wirman tem uma certa relação: ele foi o tecladista dos discos solos do vocalista Timo Kotipelto, Coldness (2004) e Serenity (2007). A releitura é instrumentalmente bastante fiel à original, com a diferença gritante do vocal gutural, que relega a melodia a segundo plano, tornado-a mais pesada. A roupagem mais agressiva brilha na parte instrumental, com solos excelentes de guitarra, e de Wirman nos teclados.

A tracklist regular abre com a faixa-título, bastante pesada com um teclado instigante, seguido por um riff bacana, que poderia ter sido mantido na entrada dos versos. As seguintes, “One More Year” e “Nine Lives”, seguem estruturas similares, com bastante peso e momentos bastante interessantes. “When Doves Cry Blood” é mais acessível, com um bom toque de Amorphis, caminho também seguido por “Kingdom of Rust”. 

Por outro lado, “Out for Blood” parece não ter vida, com um som magro e composição mais do mesmo. É a única escorregada. Mas do outro lado, em compensação, há “Untouched”, cria do Children of Bodom, a moderada “March or Die” e a mais modernosa – mas dem choradeira – “Coup de Grâce”. Com elementos de prog e protagonismo das belas linhas de teclado, “Dethroned” encerra o tempo regulamentar com placar elástico, mesmo tendo sofrido um gol contra. Em todo caso, é um trabalho sólido e indicado para fãs de metal melódico, power metal e até mesmo folk. 

Compre o CD: https://www.lojashinigamirecords.com.br/p-9503028-Warmen—Band-Of-Brothers 

Músicas

1. Band of Brothers

2. One More Year

3. Nine Lives

4. When Doves Cry Blood

5. Out for Blood

6. Kingdom of Rust

7. March or Die

8. Untouched

9. Coup de Grâce

10. Dethroned

11. The Kiss of Judas

Foto: Mark Sabogal

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