Com repertório focado no clássico Cause of Death, de 1990, a banda tocou por poucos mais de uma hora, mas fez valer os mais de dez anos de espera
Obituary
22 de fevereiro de 2025
Tork n’ Roll
Curitiba/PR
Por Luís Bocatios
Fotos de Clovis Roman
Após mais de dez anos, o Obituary finalmente voltou a se apresentar em Curitiba. A última apresentação da lendária banda de death metal havia sido em abril de 2015, na finada casa de shows Music Hall. Na ocasião, a banda tocou apenas uma música do álbum Cause of Death, amplamente considerado como a obra-prima da banda e um dos maiores discos de death metal de todos os tempos.
Dessa vez, o quinteto formado por John Tardy (vocais), Trevor Peres e Kenny Andrews (guitarras), Terry Butler (baixo) e Donald Tardy (bateria) apresentou um repertório focado exatamente no álbum, em uma extensão da turnê de comemoração de seus 35 anos, completos em 2025. A apresentação aconteceu no Tork n’ Roll e, mesmo marcada para às 21h30 de um domingo chuvoso, contou com uma casa praticamente lotada.

Com a duração de pouco mais de uma hora, a lista de músicas trouxe sete músicas do álbum de 1990 e seis músicas de outros álbuns: duas do autointitulado, de 2017, e uma de Slowly We Rot, Dying of Everything, Frozen in Time e The End Complete.
A abertura foi com a instrumental “Redneck Stomp”, que se tornou um dos grandes clássicos da banda por causa de seu incrível arsenal de riffs: são quatro partes diferentes e cada uma é melhor que a anterior. Com o público já totalmente envolvido, pulando e berrando, a música foi executada pela metade, ainda sem John Tardy no palco.
Quando o vocalista apareceu, o público ficou ainda mais animado e a banda mandou logo as duas músicas do autointitulado: “Sentence Day” e “A Lesson in Vengeance”, que, mesmo sem estar no grupo de grandes clássicos, fizeram com que o público enlouquecesse ainda mais, já abrindo um mosh que não se fecharia mais até o final da noite. Logo de cara, chamou atenção a energia do baterista Donald Tardy, com pedais duplos incessantes.

“The Wrong Time”, a música mais nova do repertório, de Dying of Everything (2023), foi uma das melhores da noite. Com partes de guitarra maldosas e fantásticas, a performance destacou a habilidade da dupla de guitarristas, que exibiu um entrosamento perfeito e, por si só, tocaram solos ótimos e partes complexas que envolvem harmônicos.
Se as coisas já estavam boas, ao chegarmos em Cause of Death elas ficaram ainda melhores. A introdução soturna de “Infected”, que abre o álbum, criou um clima de ansiedade na plateia, que foi liberada quando a música ficou rápida: era copo de cerveja voando, gente sendo carregada pela plateia e tudo mais. A performance da banda foi impecável, transitando entre os diferentes tempos da música com propriedade.
Em sequência, vieram dois petardos absurdos: a complexa “Body Bag”, na qual o baterista novamente se destacou, e a brutal “Dying”, cuja contraposição entre partes mais rápidas e riffs super lentos oferece uma qualidade um tanto quanto hipnótica à música, no final da qual o vocalista desceu do palco para cumprimentar a plateia.

A excelente faixa-título segue a mesma linha, exibindo uma influência de Celtic Frost que seria confirmada logo a seguir, com um cover da banda. “Cyrcle of the Tyrants”, originalmente do clássico To Mega Therion e regravada pelo Obituary em Cause of Death, é uma das pedras fundamentais do metal extremo e foi um grande momento da noite.
A brutalidade seguiu nas porradas “Chopped in Half”, que foi literalmente cortada no meio e emendou em “Turned Inside Out”, encerrando a primeira parte do show com em torno de cinquenta minutos de duração. Enquanto a banda estava fora do palco, o público gritava “ole ole ole Obituary” com a pior métrica já registrada no Brasil, mas o que vale é a intenção.
Mantendo a pegada curta e grossa do show, que teve pouquíssimas interações com a plateia, a banda voltou ao palco, agradeceu aos presentes e manda “I’m in Pain”, única representante do álbum The End Complete, e encerra o show com a clássica Slowly We Rot, faixa-título de seu álbum de estreia, que teve uma das melhores recepções da noite — afinal de contas, é irresistível banguear, pular e berrar ao som de uma das grandes músicas do death metal.
O reencontro de uma das maiores bandas do death metal com o público curitibano não deu nem tempo para a plateia respirar: o Obituary subiu ao palco, emendou um clássico após o outro, fez todo mundo enlouquecer, virou as costas e foi embora. Mais death metal impossível.

Repertório
Redneck Stomp
Sentence Day
A Lesson in Vengeance
The Wrong Time
Infected
Body Bag
Dying
Cause of Death
Circle of the Tyrants
Chopped in Half
Turned Inside Out
I’m in Pain
Slowly We Rot
