[Entrevista] Robert Lowe estreia no Brasil cantando clássicos do Candlemass e Solitude Aeturnus

Considerado uma das vozes mais emblemáticas do doom metal mundial, o vocalista norte-americano Robert Lowe finalmente desembarca no Brasil em abril para duas apresentações imperdíveis com o projeto Disciple of Doom. Com passagens históricas por ícones do gênero como Candlemass e Solitude Aeturnus, o músico preparou um repertório especial focado nos grandes clássicos dessas duas instituições do doom metal, prometendo ainda algumas surpresas para os fãs mais dedicados.

Em conversa com o jornalista Clovis Roman, Lowe demonstrou grande entusiasmo com sua estreia em solo brasileiro, que terá início em São Paulo no dia 10/04, seguindo para Sorocaba no dia 11/04. A turnê é uma realização da Som do Darma.

Datas e links de venda:

10/04 – São Paulo: https://101tickets.com.br/events/details/Robert-Lowe-Ex-Candlemass-e-Solitude-Aeturnus-na
11/04 – Sorocaba: https://101tickets.com.br/events/details/Disciple-Of-Doom-com-Robert-Lowe-Candlemass

por Clovis Roman

Vamos falar um pouco sobre o Candlemass, eu tenho algumas perguntas. Primeiramente, sobre King of the Grey Islands: eu sei que você se juntou à banda e logo começou a gravar os vocais desse disco. É meio que duas perguntas em uma: como foi gravar à distância, porque você gravou nos Estados Unidos, e se você seguiu as linhas vocais das demos ou você criou novas ideais para as músicas?

Foi bem natural. Nós estávamos fazendo o “Alone”, do Solitude Aeturnus, então fomos ao estúdio e mandamos bem. Eu queria fazer um bom trabalho com esses caras, era muito importante pra mim.

Como você vê esse álbum atualmente? Ele cresceu em você de algum jeito?

Sim! Eu estava trabalhando, ensaiando e me preparando para esse show no Brasil e estávamos ouvindo esse disco e ao Death Magic Doom, para que a gente pudesse encaixar tudo e fazer o melhor show possível.

O disco inteiro é incrível, grandes músicas e grandes melodias vocais, mas tem uma música específica que foi usada como um lado B, “Edgar Grey”. Você pensou em cantar essa música ao vivo nessa turnê? Qual a sua opinião sobre essa música?

Excelente música! Eu pessoalmente adoro ela. É uma música difícil de cantar, uma daquelas que você escuta e pensa: “porra, por que eu fiz isso? Filho da puta!”, e aí você tem que ir lá e fazer de novo. Mas é o que fazemos como profissionais, garantir que conseguimos entregar — ou, para citar o Priest, “Delivering the Goods”.

E depois desse disco a banda lançou um EP cheio de músicas ao vivo e duas inéditas — uma delas é “Lucifer Rising”, a faixa-título. Eu queria saber a sua opinião sobre o remix dessa música.

Eu amo! A música é pesada, mas o remix… yeah! Em qualquer coisa que você estiver fazendo, tem que se divertir. A gente pegou a nossa própria música e pensamos “sabe o quê? vamos fazer isso!”. A gente estava em turnê pelos Estados Unidos na época, o Leif chegou e disse “cara, você tem que ouvir isso”. Eu perguntei: “o que você fez?” e ele disse “dei uma mudada na ‘Lucifer Rising’”. Colocou o CD e disse “você tem que gostar”.

Comparando Candlemass com o Solitude Aeturnus, você é mais envolvido com a composição na Solitude, enquanto no Candlemass o Leif faz quase tudo, as músicas e as letras. Eu estava olhando os CDs e sempre tem “todas as letras e músicas de Leif Edling”. Como era pra você lidar com isso? É mais fácil apenas cantar, colocar sua voz e sua personalidade nas canções, ou você prefere escrever e ter uma conexão mais profunda com as músicas?

Bem, eu concordo, porque naquela época eu estava com as duas bandas ao mesmo tempo, então o Leif já ter tudo preparado foi um alívio, de certa forma, porque eu estava fazendo muito mais coisas. Mas quero lembrar que, em alguns momentos, eu e Leif sentamos em um quarto de hotel em algum lugar e pensamos “podemos fazer isso, podemos fazer aquilo”, então o envolvimento estava lá, mas, respondendo a sua pergunta, foi bom ter o Leif cuidando de tudo. Poxa, é a banda dele! Foi muito legal e uma realização ter sido parte daquele projeto. Foi uma honra fazer parte daquela reputação, coleção, como quer que você queira chamar.

Você gravou o “Psalms for the Dead”, que pra mim é uma obra-prima, mas saiu da banda pouco tempo depois e foi substituído pelo Mats Levén. Foi algo que aconteceu de repente ou já havia tensões ou dúvidas sobre o futuro?

Era uma coisa certa? Acho que não, mas não sei bem. A gente estava preparado pra fazer o 70000 Tons of Metal, mas algumas coisas aconteceram entre algumas pessoas; amigos, empresários, que seja. Eu estava sentado no Texas pensando “o que vamos fazer?”, mas não foi um grande problema. Não foi algo pré-fabricado.

Obrigado pela resposta! Agora é uma pergunta mais fácil e até um pouco clichê, mas eu tenho que fazer: o que você sabe sobre o metal brasileiro, já ouviu algumas bandas?

Pra ser sincero, eu escuto de tudo, então se você quiser especificar se algo é brasileiro, peruano, norueguês, o que quer que seja, eu escuto de tudo. Mas até onde eu sei, a comunidade metaleira do Brasil é algo que eu pessoalmente quero fazer parte. Eu quero ir ao Brasil e passar um tempo com os fãs, estou muito ansioso.

Você já respondeu a minha próxima pergunta, que era sobre as expectativas para a turnê. Até onde eu sei, será a sua primeira vez no Brasil, certo?

Sim, isso mesmo. Por isso estou tão ansioso, quero ficar com os fãs, tomar uma cerveja, fumar um cigarro, fazer o que eles quiserem e me divertir.

E com certeza nós vamos nos divertir com você cantando e ficando com a gente, vai ser incrível! Eu estarei em pelo menos um dos shows no Brasil, provavelmente dois, e vou te dar um CD de uma banda brasileira chamada Fallen Idol; o cantor dessa banda tem uma voz muito parecida com a sua.

Será ótimo, eu agradeço muito! Muitas vezes quando você conhece os seus camaradas de metal eles te dão algum CD e dizem “cara, isso é muito bom!”. Você não consegue isso ficando só em casa ouvindo Spotify, mas quando tem esse envolvimento pessoal você compartilha isso. Há muito tempo atrás, com a troca de fitas, você mandava uma fita pra alguém a 42 mil milhas de distância e recebia alguma que ouvia e falava “isso é bom demais, cara”.

É por isso que o metal é tão especial, nós temos tantas ligações e conexões.

É uma irmandade! É basicamente isso. É uma das coisas que eu aprecio sobre tudo isso, é que somos todos irmãos. Eu sou um texano que mora na Noruega e está indo ao Brasil, mas isso não é uma questão; a questão é que você vai passar um tempo com os seus companheiros e relaxar. É tudo sobre isso.

Eu tenho algumas questões sobre o repertório: primeiramente, falando sobre o Solitude Aeturnus, você recebeu algumas sugestões de pessoas ou apenas escolheu as suas favoritas pra cantar no Brasil?

É sempre uma daquelas situações em que você tem muita coisa pra escolher. Você precisa perceber que as pessoas vão pagar para ir ao show e precisa respeitar o que elas querem e não querem ouvir. Quantas vezes você foi a um show do Iron Maiden e pensou “eles não tocaram ‘The Number of the Beast’”? Então com esse show eu queria ter certeza que a gente acertasse todos os pontos necessários, mas também vou jogar algumas coisas ali que você não espera.

Print do DVD Ashes to Ashes, do Candlemass, gravado no Sweden Rock Festival em 2009.

Sobre as músicas do Candlemass que você escolheu: eu fiz uma pesquisa na inteligência artificial sobre você e as suas músicas do Candlemass só pra ver quais músicas a IA sugeriria, e ela sugeriu quatro músicas: “Hammer of Doom”, “Emperor of the Void”, “The Sound of Dying Demons” e “Devil Seed”. Eu quero saber qual dessas você vai cantar pra nós.

Eu não estou dizendo que essas quatro músicas serão tocadas, mas a IA está de parabéns! Uma das minhas músicas preferidas e a primeira que eu cantei com eles foi “Devil Seed”. Mas a IA não está errada.

Fico muito feliz, porque essas quatro músicas são maravilhosas! Você disse que “Devil Seed” foi a primeira que você cantou com o Candlemass; eu achei que tinha sido “Demonia 6”, porque você canta ela naquele primeiro show, no qual você foi apresentado como o novo cantor (show de aniversário da banda, em 2007 – assista aqui a partir dos 44’25”).

“Devil Seed” foi a primeira e depois foi “Demonia 6”. Aquele show foi bom demais, porque naquele momento o Candlemass estava voltando e pra mim era “o que podemos fazer para fazer isso maior e mais forte?”, e aquilo era exatamente o que precisava ser feito.

E você teve uma tarefa complicada, porque o álbum branco é maravilhoso. Eu acho que vocês mataram a pau, porque as músicas do King of the Grey Island são fantásticas, muito pesadas, as linhas vocais são memoráveis.

Eu espero que sim! Quando o disco branco saiu, nós estávamos fazendo o “Alone”, então eu e um amigo fomos a uma loja comprar algumas coisas e ficamos ouvindo o disco branco no carro.

Você estava falando sobre as músicas do Candlemass que serão tocadas ao vivo: você vai cantar alguma música que não foi gravada por você, de alguma outra era da carreira da banda?

Sim, obviamente será feito. O respeito por aqueles músicos anteriores está sempre comigo, o respeito pela história desse gênero. Muitas das coisas que fazemos ao vivo são muito divertidas, tipo “At the Gallows End”… sempre amo tocar essa música. Ou “Solitude”, sempre ótimo de cantar.

Eu li em algum lugar que “At the Gallows End” é a sua música favorita do Candlemass, acho que foi em uma entrevista que você deu quando se juntou à banda. Ainda é a sua favorita?

Essa é uma pergunta difícil. Ouvir aquele riff inicial sempre foi especial, e sempre foi uma música ótima de cantar. Mas eles nunca lançaram nada ruim, o Leif faz um trabalho incrível. É sempre sobre respeito. Se você é um guitarrista, você só quer subir ao palco e tocar bem pra caramba, então sempre foi muito bom cantar essas músicas — e essa sempre foi uma das minhas favoritas. Não sei se vamos tocá-la ou não, mas…

O último álbum do Solitude Aeturnus foi lançado há 20 anos, certo? Há planos para um disco novo, já que a banda voltou a tocar junta?

Caraca, já faz 20 anos, puta merda! Bom, nós estamos fazendo o que estamos fazendo, e a esse ponto acho importante que as pessoas gostem do que já fizemos, mas se terá outro disco? É difícil de responder, com tudo o que fazemos, mas eu não colocaria um “não” nessa resposta.

Bom, sem pressa! Vocês estão tocando e, se o futuro quiser…

Nunca houve um vazio ou qualquer coisa que seja em relação ao Solitude Aeturnus, nós ainda somos amigos e nos falamos todos os dias. Se um dos caras falar “hey, eu escrevi quinze músicas!” e elas forem boas, eu nunca vou dizer não a me divertir com os meus amigos e irmãos de música.

Muito obrigado pelo seu tempo, te vejo no Brasil em abril! Eu estarei pelo menos no show de São Paulo, com certeza.

Muito obrigado pelo seu tempo, agradeço muito!

SERVIÇO

SÃO PAULO

Data: 10 de abril de 2026
Local: La Iglesia
Endereço: Rua João Moura, 515 – Galpão 06, Pinheiros
Horário: 18h

Ingressos:

Lote 3 – Pista Comum – Meia Entrada ou 1kg de alimento: R$ 120,00
Lote 3 – Pista Comum – Inteira: R$ 240,00

Venda: https://101tickets.com.br/events/details/Robert-Lowe-Ex-Candlemass-e-Solitude-Aeturnus-na

SOROCABA

Data: 11 DE ABRIL DE 2025
Local: The Devil’s Pub
Horário: 19h
Ingressos: a partir de R$ 80
Venda online: https://101tickets.com.br/events/details/Disciple-Of-Doom-com-Robert-Lowe-Candlemass

foto: reprodução facebook

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