[Resenha] Dymytry Paradox – Born from Chaos

Dymytry Paradox – Born from Chaos
(Shinigami Records – nacional)

por Clovis Roman

A República Theca é o cenário de um dos filmes mais assustadores e brutais de todos os tempos: Hostel 1 (no Brasil, O Albergue). De lá, também vem o Dymytry Paradox, que não é tão estarrecedor, mas também tem seu valor ao combinar rock, eletrônico e pinceladas metálicas, unidos a uma estética interessante de máscaras que parecem um desenho futurista.

O Dymytry Paradox é a designação adotada pela banda Dymytry (que atuava há mais de 20 anos, com letras primordialmente na língua natal dos caras) para sua atuação no mercado internacional, a partir de 2025. O grupo mascarado originou-se em Praga, e em janeiro de 2026, lançou o Born From Chaos pela gravadora Reaper Entertainment. A discografia sob este nome concentra-se nas letras em inglês, visando um alcance maior no mercado internacional. O repertório atual, segundo eles mesmos, aborda temas relacionados à condição humana e conflitos sociais, mantendo a estrutura musical baseada em guitarras distorcidas e bateria de bumbo duplo.

Na discografia no Spotify, além deste Born From Chaos, constam os álbuns Five Angry Man e Revolt (versão em inglês do CD de 2019 lançado com a antiga alcunha). O som deles é denominado Psy-Core, que é uma espécie de rock alternativo com fortes nuances eletrônicas e flertes eventuais com o new metal.

“Sun of a Broken God” tem versos oriundos do rap e passagens climáticas que demoram a engrenar; quando as guitarras tem oportunidade de aparecer, a música cresce bastante. Por sua vez, “Reignite Me” e “Oxygen is not Included” seriam boas música do Linkin Park, assim como “Red Sky Remains”, sendo que esta última conversa também com o gothenburg sound ao trazer aqueles riffs característicos do estilo.

Do lado mais pesado, estão músicas como “Empire of the Fallen”, com passagens rápidas e um refrão daqueles bem apoteóticos no estilo Amorphis, e “Overmind”, com um solo 100% heavy bem legal. O encerramento do disco, “Grave with no Name”, é climática e lenta, uma balada no estilo d Slipknot antigo.

A composição “Sun of a Broken God” caracteriza-se por versos oriundos do rap e pela presença de passagens climáticas. A estrutura da faixa apresenta uma progressão que demanda tempo para engrenar, atingindo um crescimento significativo no momento em que as guitarras recebem oportunidade de se manifestar na sonoridade.

As faixas “Reignite Me” e “Oxygen is not Included” assemelham-se ao trabalho do Linkin Park, sendo boas opções para singles. A composição “Red Sky Remains” compartilha essa mesma base de comparação, estabelecendo simultaneamente um diálogo com o gothenburg sound ao incorporar os riffs de guitarra que definem as características desse estilo.

O segmento mais pesado do disco concentra obras como “Empire of the Fallen”, que combina passagens de ritmo rápido a um refrão de proporções apoteóticas na estética do Amorphis. Por sua vez, “Overmind” integra a lista de composições mais robustas ao apresentar um solo executado integralmente dentro dos padrões do heavy. O encerramento do álbum ocorre por meio de “Grave with no Name”, uma faixa definida pela natureza climática e pela cadência lenta. A obra configura-se como uma balada que segue os moldes das estruturas musicais utilizadas pelo Slipknot em seu período antigo, finalizando a audição de um disco que tem nove músicas e 36 minutos de duração. A tática diminui a incidência da famosa “linguiçada”, tendo apenas músicas que tem algo a dizer. Sob este prisma, o Dymytry Paradox saiu de coadjuvante para protagonista dentro do cenário tcheco da música pesada.

Compre o CD: https://www.lojashinigamirecords.com.br/p-9503699-Dymytry-Paradox—Born-from-Chaos

Músicas:

  1. Red Sky Remains
  2. War Beneath My Skin
  3. Born f r o mChaos
  4. Sun Of A Broken God
  5. Reignite Me
  6. Empire Of The Fallen
  7. Overmind
  8. Oxygen Is Not Included
  9. Grave With No Name

Foto: Eulenherz Artwork / Liss Eulenherz.

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