[Entrevista] Roger Glover comenta sobre novo disco de covers do Deep Purple

por Clovis Roman

O Deep Purple lança em 26 de novembro, pela earMUSIC, o 22º álbum de estúdio da carreira, intitulado Turning to Crime. Produzido por Bob Ezrin, é inteiramente composto por covers selecionados pelos músicos Ian Gillan (vocal), Roger Glover (baixo), Steve Morse (guitarra), Don Airey (teclado) e Ian Paice (bateria), de artistas contemporâneos ou anteriores ao grupo, como Fleetwood Mac, Cream, Bob Seger e Bob Dylan.

O projeto foi concebido durante o período de isolamento social imposto pela pandemia, surgindo como uma alternativa à impossibilidade de realização de turnês mundiais. O título da obra reflete os bastidores de sua criação: inicialmente, o vocalista Ian Gillan opôs-se à ideia por acreditar que um álbum de versões poderia ser interpretado como um “crime” contra os fãs mais puristas. Após ser convencido pelos demais integrantes a integrar o trabalho, a resistência inicial do cantor acabou servindo de inspiração para o nome final do álbum.

Participei em primeira mão, no dia 24 de outubro de 2021, de uma audição online do trabalho. Durante o evento, Roger Glover respondeu algumas perguntas, e consegui fazer duas – uma se perdeu quase por completo por uma queda de conexão, mas a outra está aí. Abaixo, o mestre Glover:

Roger Glover com o Deep Purple em Curitiba, 2017 (foto: Clovis Roman).

Roger, quais são as suas linhas de baixo favoritas no Turning to Crime?

Roger: Oh, baby… baby baby baby… tem uma demo de “Shapes of Things” que o Steve (Morse, guitarrista) fez em que ele e o Don (Airey, tecladista) tocavam no piano ou no teclados algumas linhas de baixo que eles sugerem pra mim, mas que eu posso mudar se quiser. Eu olhei aquela linha de baixo pra “Shapes of Things” e pensei “uau, isso é incomum”. Vai a alguns lugares que eu não esperava que fosse. Não é complicada, é bem simples, mas eu não consegui pensar em nada melhor, então eu toquei aquilo mesmo. É engraçado quando você escuta junto com os vocais, aí tudo faz sentido. Não vou dizer que é minha favorita, mas outra que eu gosto é “Let the Good Times Roll”. Essa é divertida. Mas sabe, eu sou um músico de skiffle bem básico, mas tem uma coisa meio jazzy, meio boogie… é isso que eu gosto. Estou preso nessa linha do tempo.

Roger Glover com o Deep Purple em Curitiba, 2017 (foto: Clovis Roman).

A outra pergunta que fiz foi sobre a ideia dele cantar em alguns versos do disco, na música “The Battle of New Orleans” (de Johnny Horton). Quando ele ia começar a explicar, a conexão caiu. Mas fica o que conseguimos salvar, com Glover se mostrando feliz quando comentei que tinha achado muito legal a voz dele na referida faixa: “Pegue o endereço dele, vou mandar um cartão de Natal [risos]. Há um trecho no meio de ‘Speed King’ em que improvisamos, é um momento em que nos divertimos, e nunca sabemos exatamente o que vai acontecer.. Aí o Gillan veio até mim, porque eu costumava fazer alguns vocais…”. Fim!

atualizado 30 de novembro de 2021

O CD saiu no Brasil pela Shinigami Records – compre aqui. Ouça abaixo o álbum completo:

Foto: Clovis Roman

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