Zeca Baleiro rouba a cena na edição curitibana do 3º Festival BB Seguridade

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3º Festival BB Seguridade – Zeca Baleiro e Joe Louis Walker
Museu Oscar Niemeyer
Curitiba/PR
03 de junho de 2017

por Clovis Roman e Kenia Cordeiro

O Festival BB Seguridade de Blues & Jazz, em sua terceira edição, foi realizado pela primeira vez na capital do Paraná em 03 de junho, um sábado. O evento trouxe diversos artistas dentro desses rótulos, e teve como atração principal, Zeca Baleiro, que entrou de corpo e alma na proposta do festival.

Durante todo o dia, diversas atrações, das mais variadas, estiveram no palco montado na parte de trás do Museu Oscar Niemeyer – na área conhecida como parcão – entre eles, o fantástico Blues Etílicos. Chegando o final da tarde, com a ordem inicial de atrações alterada, subiu ao palco o americano Joe Louis Walker, que apresentou em pouco menos de uma hora o mais puro blues. O pessoal curtiu bastante, pois além de ótimo instrumentista, é uma simpatia só.

Atração principal do evento, Zeca Baleiro calcou seu show no Blues, claro, para atender as expectativas do evento. Versátil como ele só, tirou essa tarefa de letra. A primeira parte da apresentação veio cheia de canções com melodias tristes, mas que tiveram efeito contrário na platéia. O público, inclusive, foi um dos grandes destaques da festa, pois nos mais diversos espaços do “parcão”, o que se via era um ambiente tranquilo, amigável, convidativo. Os mais distantes sentavam no chão e faziam um piquenique, outros tomavam vinho em taças de cristal. Crianças e pets eram vistos em profusão.

No palco, entretanto, houve momentos de mais seriedade. Um momento de cunho político foi incitado pelo público, que entoou um “Fora Temer” por vontade própria. Ao final da música “Flor da Pele”, Zeca encarou o assunto de frente, com bastante lucidez. “Já que vocês tocaram no assunto… eu ia evitar, porque o país está uma bomba relógio. E aqui a gente está em um momento para aliviar esse peso da existência e se divertir com a força da música. Mas tá difícil não gritar certas coisas que vem do fundo do coração”, disse, de maneira honesta e consciente.

Ele ainda explicou o motivo de detestar o ignóbil termo República de Curitiba, e o fez exaltando o que Curitiba tem de melhor; e ele citou inúmeros escritores e artistas daqui, como Leminski e Trevisan e até mesmo Tezza, nascido em Santa Catarina mas aqui radicado. A cidade foi nomeada por ele como a república dos poetas, dos artistas e dos escritores, encerrando o discurso, sob aplausos, com a catártica frase “Foda-se a república de Curitiba”. Em homenagem a esses todos, Zeca Baleiro os dedicou a canção seguinte, “Versos Íntimos”, uma versão musicada de uma das obras mais famosas do abismal Augusto dos Anjos, que segundo Zeca, foi o “maior bluesman brasileiro de todos os tempos“.

Na entrevista que fizemos com ele momentos antes do show, ele, ao falar sobre a música “Toca Raul”, disse que deveria tocá-la naquela noite, dando a entender que ela não estava inicialmente no repertório. Estando ou não, o fato é que ela foi tocada na metade do show, e foi cantada em alto brado pela galera. Outra que teve recepção calorosa foi “Heavy Metal do Senhor”, cantada de maneira visceral por Baleiro. O show mostrou como o caldeirão de influências do artista permite a ele se encaixar nos mais diferentes cenários, e de maneira contundente.

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