Entrevista: Barão Vermelho volta a Curitiba com nova formação

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O Barão Vermelho é uma das peça chave do Rock and Roll nacional. Desde os anos 80 o grupo construiu uma carreira sólida, com ótimos álbuns e turnês memoráveis. Ainda na sua primeira década de existência, passou por uma mudança de formação que poderia ter sido fatal: a saída do cantor Cazuza, que enveredou por careira solo e veio a falecer poucos anos depois. Para sua posição, foi recrutado Frejat, que já era integrante da banda, como guitarrista, desde sua fundação. A mudança deu certo e o grupo seguiu sua caminhada.

Mas com a virada do novo milênio as coisas mudaram, e Frejat com o tempo foi se dedicando cada vez mais a sua carreira solo. Tanto que o último álbum completo de inéditas do Barão Vermelho data de 2004, portanto, 13 anos. Finalmente Frejat saiu e o grupo se viu mais uma vez na difícil missão de substituir uma figura icônica. E eles viram na imagem de Rodrigo Suricato um possível candidato. O cara caiu como uma luva e agora a banda está na estrada, e cheia de planos para o futuro. A entrevista abaixo foi feita com Fernando Magalhães (guitarras e voz, desde 1986) e Maurício Barros, membro fundador e tecladista. Em tempo: Completam o time, além do novo cantor e guitarrista Rodrigo Suricato, o baixista Rodrigo Santos e o baterista –  e também integrante desde sempre – Guto Goffi.

por Clovis Roman

O Rodrigo Suricato já era fã da banda, como rolou o primeiro contato entre vocês e quando vocês decidiram que realmente ele era o cara certo?
Maurício Barros: No ano passado, fui convidado pelo Liminha (ex-Mutantes) para participar da turnê Nívea Rock Brasil, um projeto que percorreu algumas capitais do país, com Nando Reis, Paralamas do Sucesso e Paula Toller. A banda ainda tinha Dado Villa-Lobos, da Legião Urbana, eu e o Rodrigo Suricato. Ao longo dos meses de ensaios e shows, percebi o talento do Suricato cantando e também como guitarrista. Meses depois, quando surgiu a necessidade de ocupar a vaga deixada pelo Frejat, fiz o convite e ele aceitou na hora, pra nossa alegria.

Após esta turnê vocês estão pensando em registrar um disco completo de inéditas, em estúdio? Vi que vocês pensam em um single da música “Brasil”, certo?
Fernando Magalhães: Em breve lançaremos um álbum de inéditas, optamos por voltar aos trabalhos da banda, primeiro com uma tour, para nos ambientarmos novamente com a vibe do nosso repertório, já que estamos com um integrante novo, o Rodrigo Suricato. Vamos “azeitar” e afinar as nossas parcerias e estilos para criarmos repertório novo e fresco, como diz o próprio Suricato:”Vamos namorar primeiro, para depois fazermos um filho”.
Já fizemos outras releituras do Cazuza, como “Codinome beija flor”, e já tocamos “Exagerado” ao vivo em alguns shows especiais, o Barão tem esta propriedade de reler as suas obras, já que o Cazuza foi integrante, letrista de muitas músicas do grupo e tinha uma proximidade grande de linguagem e pessoal com a banda. Estamos tocando “Brasil” no show, está no repertório desta turnê, e coube como uma luva no set list do show. Uma letra sempre atual, para qualquer situação que o nosso país vivenciou e vive politicamente.
Esta versão esta totalmente Barão, é como se sempre pertencesse a banda.

Mesmo com uma formação nova, vocês pensam em registrar este momento que vocês estão vivendo em um DVD ao vivo?
Fernando Magalhães: É uma ideia atraente. Quando o Cazuza saiu da banda, o álbum “Barão ao vivo”, de 1989, fez um update dos sucessos da primeira fase da banda para a voz do Frejat. Acho natural que neste momento que o Rodrigo Suricato assumiu a voz e guitarra da banda fazermos o mesmo, pois é o novo Barão daqui para frente. Coisa novas virão na sua voz e músicas antigas e todo o repertório estão à sua disposição.

O último disco de inéditas saiu há 13 anos. Este tempo todo sem um álbum completo foi um dos motivos que levou a banda a olhar para frente e mudar a formação?
Fernando Magalhães: Não foi apenas esse hiato de disco novo e músicas inéditas. O Barão sempre foi uma banda de shows e estrada e com a ausência do grupo dos palcos, todos nós, integrantes, sentíamos uma vontade grande de estarmos tocando juntos ao vivo e também criando material novo, como fizemos por quase duas décadas ininterruptas. No ano passado tivemos uma fatalidade, o falecimento do nosso amigo e percussionista Peninha, que deixou uma lacuna impreenchível, tanto que decidimos não colocar outro percussionista nesta nova turnê. Teve ainda a saída voluntaria do Frejat da banda, que se deu por motivos de direcionamento e de sua opção pela carreira solo. Tudo isto tudo nos fez refletir sobre o futuro pessoal de cada um e da banda, então resolvemos botar fogo nas turbinas e continuar a fazer o que melhor fazemos: tocar, para sempre. É o que todos queremos. A volta para a banda de um dos seus fundadores do Barão, o tecladista, cantor e compositor Mauricio Barros, e a escolha certeira, na nossa opinião, do talentosíssimo Rodrigo Suricato para assumir a voz e guitarra, adicionou ainda mais combustível à força da grupo.
Com isto tudo e pensando para frente, resolvemos botar o bloco na rua novamente e aqui estamos, novinhos em folha.

Eu vi o repertório do show no Circo Voador, e vocês tocaram ao menos uma música de cada álbum da banda. qual é a importância de revistar toda a discografia do Barão Vermelho nesse momento? É uma maneira de afirmar a importância da banda e dizer que ela continua forte após todos esses anos?
Maurício Barros: Escolher o repertório para o show de uma banda com mais de 30 anos de carreira, não é tarefa fácil. Decidimos incluir algumas músicas que não tocávamos há muito tempo para brindar os fãs que acompanham mais de perto nosso trabalho, além dos sucessos que fazem parte da trilha sonora da vida de muita gente no país. Essas músicas e a longa carreira são uma prova da relevância do grupo.

Como fã de música, que banda ou artista vocês gostariam de ver gravando uma das composições do Barão Vermelho?
Maurício Barros: São muitos os artistas que admiramos. Muita gente que gostaríamos que gravassem nossas músicas. Como compositor, e pra citar apenas dois, ficaria muito feliz que Marisa Monte e Roberto Carlos gravassem uma de nossas músicas.

SERVIÇO
Barão Vermelho em Curitiba com a turnê #BarãoPraSempre
Data: 17 de junho de 2017
Local: Teatro Positivo
Horário: 21h15 (a casa abre 1 hora antes)
Ingressos: entre R$ 85 e R$ 135, de acordo com o setor (valores de meia ou promocional)
Venda: http://www.diskingressos.com.br/evento/5853


foto da banda: Leo Pacheco / foto ao vivo: reprodução do facebook

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