Steve Vai é o rei supremo da guitarra, show em Curitiba não deixa dúvidas

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Steve Vai
Opera de Arame
Curitiba/PR
08 de junho de 2017

por Clovis Roman e Kenia Cordeiro

Se Jimi Hendrix é referência unânime quando o assunto é guitarra, Steve Vai deveria ser sempre o próximo a ser lembrado quando o tema entra em pauta. O músico sempre primou por fazer uma música orgânica, que transborda feeling ao mesmo tempo que é bastante virtuosa. Ele agrega também muito peso em suas canções, que são sempre instrumentais (com exceção do disco Sex & Religion, de 93).

Cair no clichê ao falar de Steve Vai é muito fácil. Afinal, a sentença “a guitarra é uma extensão do seu corpo” vem invariavelmente a cabeça de quem assiste um show do cara. Na abertura, Vai chegou com uma blusa que tinha luzes no capuz, que soltavam feixes azuis e vermelhos, criando um efeito excêntrico e visualmente impactante. Logo o capuz é desligado, mas o músico permanece a mil por hora. Afinal, a canção que inicou a apresentação foi “Bad Horsie”, uma das coisas mais geniais criada nos anos 90, vinda do perfeito Alien Love Secrets, que saiu como EP em 1995, mas na verdade poderia muito bem ser considerado um álbum completo. Musicalmente, ao menos, ele é completo. Dele ainda veio “Tender Surrender”, transbordando sentimento, com melodias tão apoteóticas quanto o maior hit do guitarrista, “For the Love of God”, apresentada mais adiante.

A primeira parte do show contou com outras duas músicas além das do referido EP (que foram a primeira e a quarta, respectivamente): “The Crying Machine”, do Fire Garden (96) e “Gravity Storm”, do mais recente The Story of Light (2012). Depois dessas, um rápido intervalo serviu de prelúdio para a execução do clássico Passion & Warfare na íntegra na ordem da tracklist original. Então, a primeira a aparecer do álbum que em poucos meses completará 27 anos, foi “Liberty”, seguida pela ‘hardeira’ empolgante de “Erotic Nightmares”; seus riffs marcantes e solos formaram o momento mais genial da noite, junto a já citada “Tender Surrender”. Vai e banda deram continuidade ao repertório seguindo fielmente o script, mas houve um momento que esfriou um pouco, quando Vai resolveu falar ao microfone e fazer algumas piadas genéricas e com algumas segundas intenções. Foram cinco minutos cronometrados de tagarelice. Em um show onde a voz principal é a da guitarra de Vai, palavras soam deslocadas.

Mas foi apenas um pequeno lapso, afinal, todo o resto do espetáculo foi irretocável. O show trouxe momentos empolgantes, outros mais emocionais e supriu as expectativas de todo o público, que preencheu quase toda a Opera de Arame. Aliás, o local escolhido casou perfeitamente com o concerto, que além da musicalidade indiscutível, contou com muitos recursos visuais, com um telão mostrando imagens em sincronia com o som. Aliás, na grande tela, músicos como Brian May e Joe Satriani deram as caras em determinados momentos. A aparição de May foi durante “Liberty”, onde os dois fizeram um ‘dueto’. Outro dueto a distância foi com John Petrucci (Dream Theater), em “The Audiente is Listening”.

Excetuando uma apresentação em formato workshow em 2015, a última vinda de Steve Vai a Curitiba tinha acontecido em 2007. Na ocasião, o músico fez um show (na Hellooch) que hoje em dia é considerado lendário por quem lá esteve. Em 10 anos, os que o viram no palco da Opera de Arame também terão apenas boas lembranças dessa noite.

REPERTÓRIO
Bad Horsie
The Crying Machine
Gravity Storm
Tender Surrender

Liberty
Erotic Nightmares
The Animal
Answers
The Riddle
Ballerina 12/24
For the Love of God
The Audience Is Listening
I Would Love To
Blue Powder
Greasy Kid’s Stuff
Alien Water Kiss
Sisters
Love Secrets

Stevie’s Spanking [Frank Zappa]
Racing the World
Fire Garden Suite IV – Taurus Bulba

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