Maria Gadu faz show intenso em mais uma passagem por Curitiba com atual turnê

Nenhum comentário

Maria Gadú
Opera de Arame
Curitiba/PR
23 de junho de 2017

A apresentação de Maria Gadú realizada em Curitiba, como parte integrante da turnê que divulga o DVD Guelã, foi um momento mágico. E para tentar passar ao leitor como a noite foi especial, fizemos não uma, mas duas resenhas sobre o show. Leiam, curtam e viagem nas palavras de Mara Regina, Clovis Roman e Kenia Cordeiro. As fotos ficaram por conta de Vitor Augusto.


por Mara Regina

Dia 23 de junho, foi visível a ansiedade de quem aguardava o espetáculo vindo à Curitiba. A Turnê de Maria Gadú, que passou pela terceira vez pela Capital, com seu álbum “Guelã”, chegou acompanhada de emoção e criatividade no interior da Ópera de Arame.

Dentre o “senta e levanta” constante da platéia, a respiração ofegante e os olhos vidrados àquele acender e apagar das luzes no palco. Em meio a tanta beleza observada através das transparências que compõe a Ópera de Arame, deu-se início ao Guelã.

Na noite fria daquela sexta-feira, o cenário que até então era composto apenas por instrumentos musicais, aos poucos foi ganhando vida. Assim, o baixo, a bateria, o cello e o microfone, passaram a ser respectivamente Lancaster, Felipe, Frederico e Maria Gadú, que nos primeiros acordes tiraram o fôlego de quem os apreciava.

Ao som de “Bela Flor”, “O Bloco”, “Ela”, “Há”, “Semi-voz”, “Aquária”, “Vaga”, “Tecnopapiro”, “Axé Acapela” e “Trovoa”, era impossível não sentir o coração disparar. Em cada canção, a intensidade de Maria Gadú, que com sua doçura nos apresentou a sua realidade cantada incrivelmente e tornou a noite dos curitibanos inesquecível.

Portanto, aos que desejam saber o que é Guelã, posso afirmar que é um misto de emoção, identidade, arrepios e liberdade. É sentir vontade de rir, chorar, levantar, abraçar e gritar. Guelã, é ser. Guelã é estar.


por Clovis Roman e Kenia Cordeiro.

Maria Gadú tem uma carreira que ainda está tomando forma. Sua estreia discográfica veio em 2009, portanto, há apenas oito anos. O auto intitulado – que trazia a “Ne me quitte pas”, Jacques Brel – foi sucedido por Mais uma Página (2011), uma belíssima obra que conta com a estonteante  “Axé Acappella”. O terceiro capítulo veio em 2015, com Guelã, o mais completo dos três, sólido e sublime. Mesmo sendo uma artista relativamente nova, ela já se sacramentou como nome importante na MPB; basta conferir a constelação que ela reuniu no álbum de parcerias Nós, de 2012.

Mesmo com a perna machucada, Gadú se entregou de corpo e alma em sua apresentação em Curitiba, cuja primeira parte durou uma hora. Ela até chego a brincar que misturar o vinho que tomava nos intervalos das canções com remédio para dor “não daria certo”, mas não houve consequências danosas. E ela é boa no diálogo com seu público, demonstrando respeito e gratidão. Em diversos momentos agradeceu a presença do público e elogiou a cidade. Mas a melhor recompensa que seus fãs tiveram foram suas músicas, obras viscerais e belas como “Axe Acapella”, a intensa “Altar Particular” ou “Tudo Diferente”.

No repertório também apareceu “Trovoa”, de Maurício Pereira. Assim como aconteceu com a versão que A Banda Mais Bonita da Cidade registrou no seu novíssimo álbum De Cima do Mundo Eu Vi o Tempo, a leitura de Maria Gadú deu uma nova vida a composição: transbordando sentimento, com sua voz sublime assumindo contornos viscerais, sendo acompanhada pela plateia, que cantou junto boa parte dos versos. O público, inclusive, foi elemento fundamental no concerto: cantou junto, gritou efusivamente nos intervalos e aplaudiu tudo o que Gadú disse, principalmente na hora do já esperado “Fora Temer!” ou de um sincero protesto contra a homofobia.

O “até já” dito por Maria Gadú após uma hora de show foi sincero. Ela voltou logo depois e mandou outra hora de repertório; o que seria um simples “bis” virou outro show completo. Entre mais sons de sua autoria, surgiram diversos tributos a grande nomes da música brasileira. Uma celebração digna de uma artista que já gravou seu nome no livro sagrado da música brasileira, e vai ainda escrever muitos e belos capítulos em sua história.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s