[Cobertura] Green Day faz show extenso e enérgico na Pedreira Paulo Leminski

Nenhum comentário

Green Day
Pedreira Paulo Leminski
Curitiba/PR
05 de novembro de 2017

por Clovis Roman e Kenia Cordeiro
fotos por Lening Abdala

O Green Day havia visitado o Brasil algumas vezes (duas para ser mais exato, em 1998 e 2010), mas nunca tinha se apresentado em solo curitibano. Este erro foi corrigido em um domingo, 05 de novembro de 2017. Uma data para ficar na memória dos fãs ardorosos da banda e também do público que compareceu para conferir alguns singles de sucessos e um punhado de canções – para eles – desconhecidas. O dia verde na capital do Paraná começou cedo. As 18 horas, o The Interrupters deu início aos trabalhos, fazendo um show conciso e cheio de ritmo. O Green Day começou exatamente às 19h07 um espetáculo que durou inacreditáveis 150 minutos, ou seja, duas horas e meia.

A abertura ficou por conta do The Interrupters, que fez um set curto, com uma cover do Operation Ivy, nome também revisitado mais tarde pela atração principal. O grupo, desconhecido da grande maioria do público presente, deu seu recado com uma mistura bacana de Punk e Ska, e fechou sua apresentação com a grudenta “Family”, que em sua versão de estúdio conta com a participação do frontman do Rancid, Tim Armstrong.

Mas a noite era mesmo do Green Day. A Pedreira Paulo Leminski recebeu um volumoso público, que viu o trio (que na verdade é um sexteto ao vivo) iniciar seu set poucos minutos após as 19 horas. O espetáculo faz parte do giro mundial que os caras estão fazendo para divulgar o mais recente disco, Revolution Radio. Entretanto, apenas cinco músicas dele estiveram presentes (a saber: “Bang Bang”, “Forever Now”, “Revolution Radio”, “Still Breathing” e “Youngblood”), em um repertório de 26 canções. A apresentação começou enérgica, e já na primeira música um fã subiu ao palco, algo que se repetiu em “Longview”. Nesta, uma garota assumiu o microfone e deu sua interpretação visceral à música, com direitos a gritos no final. Momento bacana. Depois ainda teve mais um fã, desta vez tocando guitarra em “Knowledge”, do Operation Ivy.

O público curitibano foi empolgado do seu jeito, meio reservado, algo polido. Mas a massa curtiu muito os maiores hits, como “She” ou a fantástica “Longview”; em “Basket Case” houve o frenesi máximo, e nela o aviso da produção “Proibido mosh pesado e roda punk” foi ignorado por uma parcela da platéia. Outras que testaram os limites da agitação foram duas do mega sucesso comercial American Idiot: a faixa-título e a Ópera Rock “Jesus of Suburbia”, com suas diversas camadas coladas com perfeição, indo de riffs pesados a momentos no melhor estilo “All the Young Dudes”.

O que comprometeu um pouco o andamento do espetáculo foi o bloco de versões tocado logo após a ótima “King for a Day”. Os caras promoveram uma bagunça no palco, o que foi engraçado mas estendeu o tempo do show em um espaço onde caberia um punhado de outras músicas; “Nice Guys Finish Last” e “Brain Stew” (uma das melhores da longa discografia da banda) fariam bonito e seriam mais efetivas junto aos fãs que versões desleixadas de “Satisfaction” ou “Hey Jude”.

Interação
No quesito interação, todavia, o Green Day não deixou a bola cair. Foram vários os momentos onde Billie Joe Armstrong puxou coros e conversou com a platéia. Ele chegou a afirmar que aquele momento era uma celebração, não sem antes falar o quanto tudo estava bonito. Ele ainda ouviu um forte coro de “Fora Temer”, mais tarde seguido por outro, menos edificante, que mandava o atual presidente tomar naquele lugar. Diante dessa manifestação, o frontman disse algo – em tradução livre – como “Não entendi o que vocês falaram, mas tamo junto”. Armstrog, de maneira mais incisiva, ainda no começo do imenso repertório, falou para a galera guardar o celular e aproveitar o show. Ele ainda teve os holofotes somente para si quando entregou uma interpretação impecável de “21 Guns”, já no segundo e último encore. Um show que, mesmo com suas enrolações e bizarrices (eles com fantasias carnavalescas ou de faraó em “King for a Day”, por exemplo), é convincente do começo ao fim. Este foi um dos últimos grandes shows de Rock na cidade em 2017. Ainda vai rolar Deep Purple e Cheap Trick em dezembro.

REPERTÓRIO
Know Your Enemy
Bang Bang
Revolution Radio
Holiday
Letterbomb
Boulevard of Broken Dreams
Longview
Youngblood
Welcome to Paradise
J.A.R. (Jason Andrew Relva)
Hitchin’ a Ride
When I Come Around
Minority
Are We the Waiting
St. Jimmy
Knowledge [Operation Ivy]
Basket Case
She
King for a Day
Shout / Always Look on the Bright Side of Life / Break on Through / Satisfaction / Hey Jude
Still Breathing
Forever Now

American Idiot
Jesus of Suburbia

21 Guns
Good Riddance (Time of Your Life)

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s