[Cobertura] Caetano Veloso e filhos entregam show leve e intimista em Curitiba

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Caetano, Moreno, Zeca, Tom Veloso
Teatro Positivo
Curitiba/PR
21 de dezembro de 2017

por Clovis Roman

Caetano. Moreno. Zeca. Tom. O clã Veloso se uniu para uma turnê inédita, trazendo um show sólido, surpreendente. Caetano Veloso e seus filhos subiram ao palco do Teatro Positivo, em Curitiba, para apresentar um repertório extenso, que passou desde alguns clássicos do pai como por composições e parcerias de sua prole. Moreno (44) já tem uma carreira sólida, enquanto que Zeca (25) e Tom (20) dão seus primeiros passos.

Apesar da importância histórica e dos ingressos em conta (a partir de 60 reais), a lotação da casa ficou aquém do esperado. Os sortudos, entretanto, que compraram seus convites e compareceram, presenciaram momentos de rara beleza. Sob a batuta de Caetano, que foi o centro das atenções por sua figura e relevância na MPB, o quarteto se revezou nós instrumentos e vozes. Mas o curioso foi que em algumas canções, o pai tenha se limitado a dançar e fazer as vozes de apoio. O protagonismo, segundo sua concepção, deveria ser dividido igualmente entre os quatro. Tanto que Tom brilhou com performances surpreendentes com seu vocal extremamente fino, Zeca se destacou com sua habilidade nas cordas e postura tímida, enquanto Moreno, com sua experiência, se tornou o porta voz do grupo ao lado de Caetano.

Caetano Veloso (foto: Clovis Roman)

Entre os sons eternos de Caetano, “Alegria Alegria”, em uma versão crua e minimalista, mas ainda impactante; “Genipapo Absoluto” (outra que teve roupagem renovada e soou fantástica) e, claro, “O Leãozinho”. Com uma letra tétrica, e belíssima, “Todo Homem” teve lugar de destaque no show, cantada de maneira serena por Zeca. O compositor brilhou neste que foi um dos momentos mais marcantes do show, pois poucos ali conheciam a canção e o talento do rapaz. A sorumbática canção saiu recentemente como single do vindouro disco que o grupo vai lançar. Ofertório, que provavelmente deve sair em áudio e vídeo – nem Caetano soube precisar – trará um show realizado em São Paulo em novembro último, com um repertório praticamente idêntico ao apresentado na capital paranaense.

Entre outros momentos dignos de nota estão a performance em “De Tentar Voltar”, parceria de Moreno Veloso e Domenico Lancellotti e “How Beautiful Could a Being Be”, outra pérola de Moreno, que ele fez à época em que Caetano gravava, ao lado de Gilberto Gil, o álbum Tropicália 2. A maravilhosa “Oração ao Tempo”, vinda do álbum Cinema Transcendental, de 1979, ganhou o vocal de apoio tímido do público, que já na décima terceira canção ainda estava acanhado, mas encantado com o que estava presenciando. A platéia, entretanto, começara a acordar na canção anterior: “Alexandrino” é um batidão Funk simples, que contrastou totalmente com os acordes sublimes e vozes delicadas do primeiro terço do show.

O álbum Cores, Nomes (1982), de Caê, foi representado por duas canções, ambas indispensáveis: “Um Canto de Afoxé para o Bloco do Ilê”, que na original traz a voz de Moreno, ainda criança – e ele é co-autor!; e “Trem das Cores”. Sublimes, ambas. Ainda houve espaço para duas composições de Caetano eternizadas por outras vozes: “Ela e Eu”, uma das três músicas que escreveu para a irmã Maria Bethânia gravar em seu disco Mel (1979), e a emocionante “Força Estranha”, escrita para Roberto Carlos após uma conversa informal entre ambos.

Caetano Veloso (foto: Clovis Roman)

Trazer um tanto de sua vida pessoal para o palco foi mais uma das genialidades de Caetano. A proposta permitiu que todos fossem protagonistas. Ali, de frente ao público, os quatro eram apenas pai e filhos fazendo música. Afortunados aqueles que puderam presenciar tamanha simplicidade. Como cantaram em uma das músicas apresentadas, foi bonito de ser ver.

REPERTÓRIO
1. Alegria alegria (Caetano Veloso, 1967)
2. O seu amor (Gilberto Gil, 1976)
3. Boas vindas (Caetano Veloso, 1991)
4. Todo homem (Zeca Veloso, 2017)
5. Genipapo absoluto (Caetano Veloso, 1989)
6. Um passo à frente (Moreno Veloso e Quito Ribeiro, 2005)
7. Clarão (Tom Veloso, 2017)
8. De tentar voltar (Moreno Veloso e Domenico Lancellotti, 2014)
9. A tua presença morena (Caetano Veloso, 1971)
10. Trem das cores (Caetano Veloso, 1982)
11. Um só lugar (Cezar Mendes e Tom Veloso, 2015)
12. Alexandrino (Caetano Veloso, 2017)
13. Oração ao tempo (Caetano Veloso, 1979)
14. Alguém cantando (Caetano Veloso, 1977)
15. Ofertório (Caetano Veloso, 1997)
16. Reconvexo (Caetano Veloso, 1989)
17. Você me deu (Caetano Veloso e Zeca Veloso, 2015)
18. O leãozinho (Caetano Veloso, 1977)
19. Gente (Caetano Veloso, 1977)
20. Ninguém Viu
21. Ela e Eu (Maria Bethânia, 1979)
22. Não me arrependo (Caetano Veloso, 2006)
23. Um canto de afoxé para o bloco do Ilê (Caetano Veloso e Moreno Veloso, 1982)
24. Força estranha (Caetano Veloso, 1978)
25. How Beautiful Could a Being Be (Moreno Veloso, 1997)

26. Canto do povo de um lugar (Caetano Veloso, 1975)
27. Deusa do amor (Adailton Poesia e Valter Farias, 1992)
28. Um Tom (Caetano Veloso, 1997)
29. Tá escrito (Xande de Pilares, Carlinhos Madureira e Gilson Bernini, 2009)

 

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