[Cobertura] Glenn Hughes lota show em Curitiba celebrando anos dourados do Deep Purple

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Glenn Hughes
Teatro Bom Jesus
Curitiba/PR
24 de abril de 2018

por Clovis Roman e Kenia Cordeiro

Vamos ser sinceros: os shows de Glenn Hughes são bacanas, ele tem muita coisa boa em sua carreira solo e ver uma lenda dessas ao vivo é uma experiência muto legal. Mas todo mundo, lá no fundo, queria mesmo era vê-lo na estrada cantando só os grandes clássicos de sua fase no Deep Purple. Demorou, mas rolou. A turnê Performs Classic Deep Purple foi planejada e chegou a América do Sul tendo datas lotadas ou bem próximo do sold-out. Em Curitiba, cidade conhecida por públicos ínfimos em shows, também teve grande aderência: pouquíssimos assentos livres eram encontrados. E a maioria destes era da galera que levantou e foi ver o show de pé, na cara de Glenn e sua banda.

Glenn Hughes (Foto: Clovis Roman)

Um show que abre com “Stormbringer” não pode ser assistido sentado. Então a galera das primeiras filas se levantou nos primeiros acordes e foi pra beirada do palco. O som em si é uma porrada de primeira, e funcionou magistralmente. A melodiosa “Might Just Take Your Life” e seus versos “You can’t hold me, I have told you. Might just take your life” foram cantados por muitos. Uma viagem no tempo.

A ritmada “Sail Away” trouxe os últimos para a frente, e virou uma bagunça na frente do palco. Ninguém reclamou. Glenn, inclusive, volta e meia olha fixamente para alguém próximo ou mandava beijos para outro. Ele estava visivelmente feliz em fazer este show, diferente das duas últimas passagens dele pela cidade (2015 e 2016), onde fez shows que – ainda que muito bons – foram bastante burocráticos. Aqui, o músico abriu sua alma e a expôs ao público numeroso que praticamente lotou o Teatro Bom Jesus.

Glenn Hughes ao vivo (Foto: Clovis Roman)

Há pouco escrevi sobre “viagem no tempo”. Ciente disto, Glenn convidou todos a lembrarem do fantástico show no festival California Jam, que o Deep Purple fez em 1974 (no mesmo dia tocou Black Sabbath, Emerson, Lake & Palmer e Eagles; é mole?). Tendo isto claro para todos, mandou uma versão gloriosa de “You Fool No One”, onde o jovem baterista Fer Escobedo se destacou por segurar a onda de um dos clássicos atemporais de uma das mais importantes bandas de Rock do universo. Sobre a banda de apoio, é necessário também citar que a performance de Jay Boe (teclado) foi exemplar, o grande destaque individual. O guitarrista Soren Andersen fez jus a seu posto de maneira discreta.

Em meio a tudo isto, muitos solos, como na década de 70. As vezes até demais. Mas quem vai a um show desses sabe o que vai encontrar, e quer ver exatamente isto. É que nem ir a um show do Motley Crue e reclamar que o vocalista é ruim. Faz parte. Se lá pela metade do show alguns momentos foram um tanto “menos empolgantes”, a reta final tratou de levantar até quem quase cochilava. A densa, sofrida e fantástica “You Keep on Moving” fechou a primeira parte do show, com uma performance vocal brilhante de Hughes. Antes, ele cantou “Smoke on the Water”, que não gravou mas cantou diversas vezes nos tempos passados.

Glenn Hughes ao vivo (Foto: Clovis Roman)

No encore, veio “Highway Star”, onde Glenn deixou o baixo para um roadie e cantou com microfone em punhos. Cena rara. E ele cantou como se fosse íntimo da canção. A música em si não era muito tocada pela formação do Deep Purple que o tinha como baixista e vocalista. A devastadora “Burn” veio como fogo que consome papel embebido em álcool. Absolutamente ninguém passou incólume. Glenn gritou as tripas pra fora e mostrou ser um caso único: nenhum outro vocalista de sua idade – e com o agravante do abuso colossal de drogas – chega a metade do que ele consegue fazer com sua garganta. Ainda por cima tocou magistralmente o baixo, que ficou repentinamente bem mais alto (o que foi muito legal, inclusive).

O cara fez um mix legal dos três álbuns que gravou com o Deep Purple, mesmo que só tenha tocado uma do Stormbringer, e cinco do Burn. Faltou sim muita coisa. Seria lindo ter ouvido a visceral “Love Child” ou a pancada “Lady Double Dealer”. A acelerada “Lay Down Stay Down” também seria muito bem vinda. Faltou também “Holy Man”, riscada do setlist antes da banda entrar ao palco. Mas o show valeu por atender os desejos de todos os fãs. Ver Glenn cantando seu catálogo dos anos 70 era o que a galera queria ver. Com todo respeito a sua carreira solo, logicamente.

REPERTÓRIO
Stormbringer
Might Just Take Your Life
Sail Away
Mistreated
You Fool No One
This Time Around
Gettin’ Tighter
Smoke on the Water (Georgia on My Mind)
You Keep on Moving

Highway Star
Burn

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