[Cobertura] Dia Mundial do Rock Crossroads junta de tudo um pouco em festa imensa

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Crossroads Dia Mundial do Rock
Usina 5
Curitiba/PR
14 de julho de 2018

por Clovis Roman, Arianne Cordeiro, Kenia Cordeiro

O Dia Mundial do Rock foi celebrado com alguns eventos pela cidade de Curitiba. O maior deles, entretanto, foi o realizado pelo Bar Crossroads no gigantesco Usina5, uma antiga fábrica que foi repaginada e se tornou um espaço para shows e eventos. O espaço contou com 4 palcos para as apresentações das bandas, além de outros espaços com música eletrônica. Havia até mesmo um palco, montado pela Academia do Rock, em que qualquer um podia subir e dar uma palinha. Claro que o espaço rendeu momentos constrangedores, mas também foram vistos ótimos músicos passando por lá. Muito bacana.

O palco Jack Daniels, em um galpão cujo acesso era por meio de uma escada, e portanto, um pouco mais afastado do resto, foi o que reuniu alguns dos grupos mais pesados da noite, como o headliner Project46. O Krucipha conseguiu conquistar o público, que começou o show assistindo de maneira um tanto fria. Do meio para o final do seu repertório, eles fizeram a galera se quebrar nas rodinhas e rolou até um “wall of death” no final, incentivado pelo percussionista Nicholas Pedroso, que ficou no meio do corredor aberto na pista. Ao seu sinal com o braço, todos que se concentravam nos cantos esquerdo e direito correram em direção ao centro e o músico ficou na rota de colisão. Brutal! Bom ver o público aplaudindo ruidosamente uma banda autoral. Boa recepção se repetiu na sequência com o Macumbazilla, que entre suas composições autorais, mandou algumas versões, inclusive de Billy Idol. O Stoner Rock dos caras funciona muito bem ao vivo, e o show pareceu até mais curto do que realmente foi.

Krucipha (foto: Arianne Cordeiro)

Antes, no mesmo palco, o The Secret Society trouxe sua música obscura, pesada e densa, que atraiu as atenções. Mesmo nascido há pouco tempo, o grupo é bastante experiente e conta com músicos conhecidos da cena underground. O vocalista e baixista Guto Diaz, antes da saideira, falou sobre o fato do festival ter algumas bandas covers, e disse que manteria o padrão tocando um “cover deles mesmos”; assim sendo, mandaram “The Infantry”, do lendário Primal, banda da qual ele mesmo e o baterista Orlando Custódio fizeram parte. A tétrica “Fields of Glass” e “The Architecture Of Melancholy”, cujo clipe foi recém lançado, foram pontos altos do repertório. O grupo é um dos melhores nomes surgidos por estes lados nos últimos tempos. Se música soturna é sua área, vá sem medo.

Bandas tributo também passaram no referido palco, como o Rejection, que toca sons do Pantera. Eles fizeram um show repleto de sucessos da banda americana e foram bastante aplaudidos. Recepção ainda mais ruidosa teve o Linkin Park cover, o que é entendível, já que este é um grupo de Rock mainstream. O público, bastante numeroso quando estes tocaram, se empolgou bastante. Em outros palcos, nomes do Rock nacional e um tributo ao AC/DC formado por garotas também renderam bons momentos musicais. O palco Heineken recebeu o show despretensioso e intenso do Machete Bomb, que chegou a mandar uma palinha de Bezerra da Silva, com o vocalista Vitor Salmazo soltando, em tom de pilhéria, que aquele som de Bezerra era o mais Rock and Roll do evento. Mais pra madrugada, tocou ali também o lendário Sugar Kane.

Machete Bomb (foto: Clovis Roman)

O palco Crossroads recebeu bandas do quilate de Blindagem e Motorocker, verdadeiras entidades do Rock and Roll curitibano. Ambas fizeram shows excelentes, cada uma a sua maneira. O Scalene também passou por lá, e a despeito de um atraso, fez um show surpreendente, com alguns momentos pesados, com nuances que chegam a remeter (de leve) a algo feito pelo Queens of the Stone Age.

Já o palco Absolut Pool, localizado em uma antiga piscina do complexo, recebeu um dos destaques da noite: os curitibanos do Black Maria chamaram ao palco Amauri Stochero, do Blindagem, para se reunir a eles no palco, tocando a faixa “A Bruxa” e agitando com o público, que vibrou muito durante todo o show. Músicas como “Jacaré do Barigui” e “Show Brother” também marcaram o repertório dos caras que, apesar de ser curto, mostrou a propriedade da banda em ser referência no cenário do rock curitibano.

Os repertórios curtos, na verdade, marcaram o evento, conforme já esperado. Por se tratar de um festival, a maior parte das bandas precisa reduzir seus shows, pois o grande número de apresentações exige menor tempo em cena. O público tentou se dividir entre as apresentações, mas a grande demanda e os horários apertados dificultaram um pouco a movimentação da galera. Isto fez com que algumas bandas acabassem pegando públicos pequenos, em detrimento a outras que tocavam em outros palcos.

Scalene (foto: Clovis Roman)

Algo que não agradou tanto alguns dos presentes foi o quesito “consumação”. Para comprar itens no local, era necessário adquirir um cartão e, aí sim, inserir créditos nele para depois comprar comidas e bebidas em cada barraca. A necessidade de um cadastro tornou o processo demorado, gerando filas, que atrapalharam um tanto a circulação em determinados momentos. O local é espaçoso, e quem sabe um palco a menos (o Absolut Pool) poderia ter dado maior mobilidade ao numeroso público, que passou das 8 mil pessoas.

Enfim, o evento teve muitos méritos, trazendo um elenco de peso e uma das maiores comemorações do Dia Mundial do Rock do país. Afinar alguns processos pode tornar as próximas edições ainda mais atrativas.

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