[Entrevista] Attractha: o profissionalismo alicerça o trabalho de uma banda

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por Clovis Roman

O Attractha é uma banda paulista, que apesar de relativamente nova tem uma estrutura muito boa. Seja em composições fortes, letras profundas e até mesmo em sua gestão, onde conhecimentos externos se fundem para alicerçar o trabalho dos caras. Não entendeu? Confira nossa extensa entrevista com o baterista Humberto Zambrin.

Em sua biografia conta que você nos anos 90 e 2000 tocou com grandes músicos e teve muita experiência. E houve um período grafado como “fora do Metal”, tocando e estudando outros territórios musicais. Isto logo antes de formar o Attractha. Você consegue falar sobre o que isto trouxe de diferencial para a estruturação das composições da banda?
Opa, então: ter tocado com vários músicos e depois ter saído do Metal para tocar outros estilos, aprender outras coisas, variar um pouco o conhecimento, isso reflete na formação musical do indivíduo, né? No caso, na minha formação musical, isso mudou bastante coisa. Eu posso dizer que no começo da minha carreira eu era um baterista bem voltado para o Metal mesmo. Era isso que eu fazia, era uma coisa bem tradicional, focada em coisas que eu ouvia, como Dave Lombardo, que era uma grande inspiração, mas era uma coisa mais quadrada, mais reta. Realmente mais dentro da tradição do Metal. O mais enriquecedor de tocar um pouco fora do metal é que o vocabulário musical muda, ele aumenta. E os outros músicos também somam, porque acho que uma grande coisa que faz parte da evolução é você estar em contato com músicos que são melhores que você em alguns pontos que você quer desenvolver. Quando você está trabalhando com músicos que tem um nível superior ao seu, é inevitável que você aprenda e cresça muito com isso. Acho que a reflexão disso no som do Attractha está no CD, e no meu trabalho em geral. Qualquer coisa que eu fizer isso vai estar sempre lá, porque faz parte do meu estilo, da minha maneira de tocar.

Humberto, você fez todas as letras do álbum, quais os pontos que você buscou atingir com isto?
Sobre as letras, realmente eu fiz todas elas. Na verdade eu já venho escrevendo há muito tempo uma série de coisas, e no primeiro EP da banda fui autor de 90% do conteúdo  lírico. Para esse álbum, No Fear to Face What’s Buried Inside You, a gente tinha algumas músicas escritas; quando começou a pré-produção nós fizemos algumas outras durante esse processo. E as letras, elas vieram por último. Na hora que a gente começou a ter as ideias para o CD, de arte gráfica, de conceito e tudo mais, apareceu a ideia de um álbum um pouco mais conceitual, voltada para um conceito completo. Que tivesse princípio, meio e fim. Então eu comecei a direcionar, li as letras que eu tinha e vi que tinha algo em comum nelas, sobre o “eu interior” das pessoas. Então eu acabei desenvolvendo tudo em cima disso. É um conceito, que não é político nem ideológico, é um conceito de auto-conhecimento, vamos dizer. E as letras versam sobre isso: vão desde temas como a tristeza, a mentira, a auto superação, a visão social, a visão política, a visão do interior do bom e do mal, este conflito. É um álbum que tem um conceito  lírico de mergulhar e não ter medo de encarar tudo que está enterrado dentro de você. É uma jornada para o autoconhecimento mesmo.

As músicas, os riffs, vieram primeiro e então Humberto encaixou as letras. O ritmo das músicas, o andamento, influenciam na criação do conteúdo lírico?
Ah sim, sim! Com certeza! O álbum foi todo planejado antecipadamente, né? Então a gente sabia, mais ou menos, quantas músicas ele teria. A gente sabia o tipo de andamento que queria em cada música, que tipo de estrutura musical a gente ia colocar. Então isso é previamente feito, previamente planejado, para guiar o processo de composição. Se não você senta com um mundo totalmente em branco na sua frente. É meio complicado de se fazer isso. Então como a gente tinha metade do material pronto, a gente olhou tudo isso, pensou no álbum inteiro e falou: “OK! Aqui faltam músicas mais rápidas, falta isso, falta aquilo… né?”. Quando você está compondo,  algumas coisa mudam, porque aparecem coisas mais legais, diferentes, enfim. Eu deixo as letras prontas para serem colocadas depois, pois por mais que você tenha uma ideia temática, é esse ritmo, é esse andamento que vai definir isso, né? Seria muito difícil você escrever, criar uma balada e fazer uma letra sobre o cenário político do Brasil. Acho que a situação do cenário político brasileiro não cabe numa balada, é muito difícil romantizar isso. Da mesma forma que é muito difícil pegar uma música extremamente rápida, como por exemplo, a “Payback Time”, e fazer uma letra falando de amor, paixão, um amor correspondido, uma vida linda e maravilhosa e tal. São coisas muito difíceis de se fazer, não vou dizer que é impossível, mas é muito difícil. Então, com certeza, a estrutura musical e andamento, o ritmo e tudo mais definem o teor da letra, pois tem que haver uma harmonia.

O álbum No Fear to Face What’s Buried Inside You saiu em 2016, e teve reconhecimento de público e crítica. Como estão os planos para o sucessor deste disco?
Olha, eu não posso adiantar muita coisa do próximo álbum, por que ele está numa fase bem “embrionária”. A gente tem algumas coisas de conceito lírico e gráfico. Isso já está bem desenhado na minha cabeça de como deve ser. Mas musicalmente falando, não! A gente nem começou a produzir nada. Temos uma ideia daquilo que a gente quer fazer. E dá pra perceber que deve que ser diferente do que está no No Fear to Face What’s Buried Inside You, pois existe uma evolução natural, uma interação cada vez maior entre a gente. Vai ter bastante campo de trabalho harmônico/musical, porque a banda está ainda mais madura. Eu espero que seja um trabalho acima do que a gente já fez, eu espero realmente que supere o disco [atual] em todos os sentidos. Pelo menos vamos trabalhar para isso.

Vocês acham que há uma cobrança, mesmo que de vocês com vocês mesmo, para superar o resultado do disco de estreia?
Com relação a cobrança da superação do disco: com certeza há uma cobrança nossa. A cobrança dos fãs e esse tipo de coisa eu não me preocupo, porque o feedback que a gente recebeu é que as pessoas gostaram muito do trabalho. Esse não é um ponto que me preocupa e nem que me faz qualquer tipo de pressão. Mas internamente sim existe uma cobrança, por um ponto bem simples: Quando você tem uma banda que está num cenário mainstream, vamos dizer assim, que tem contrato com gravadoras e tudo mais, geralmente esses contratos têm um número que você tem que atingir, de [quantidade] de álbuns. Então você assina um contrato de três, cinco, dez álbuns… nos áureos tempos se fazia muito isso! Quando uma banda está numa situação como essa, o cara acaba fazendo o trabalho por obrigação. Como se o cara tivesse que entregar alguma coisa no trabalho que ele é obrigado a fazer, que ele que não está afim de fazer. O que acaba botando aí, é só a olhar a história, álbuns não tão bons de excelentes bandas.

No nosso caso e de muitas bandas que estão no underground ou independentes, não têm esse tipo de cobrança. A cobrança é diferente, é de se ter material, de continuar em evidência, de continuar na mídia. Que é uma coisa totalmente controlável pela própria banda. Então não temos uma pressão de fora, mas uma pressão interna pela qualidade do trabalho. Eu não quero chegar lá e fazer algo de qualidade inferior a aquilo que fiz no “Fear…”. O sentimento dos meus colegas de banda é o mesmo! Todo mundo se sente preparado, todo mundo se sente mais seguro, mais evoluído, com mais bagagem, com mais experiência tanto de pré-produção e gravação. Eu quero fazer um negócio muito melhor do que aquilo, pois é assim que eu encaro a vida! Sempre superando limites, procurando atingir patamares cada vez mais altos.

Houve músicas completas que cobraram das gravações do disco de estreia?
Não teve nada que sobrou de composição do último álbum. Se não me engano, quando entramos no estúdio, das nove músicas do álbum a gente tinha praticamente cinco prontas, e outras quatro a gente compôs, ali, de uma vez só. A gente sabia exatamente o número de músicas que a gente queria. O álbum é planejado antes de se entrar no estúdio. Então pra gente não rola isso de ter sobra, e acredito que para o próximo não deva ter. Provavelmente se você perguntar ao nosso guitarrista, o Ricardo Oliveira, é muito provável que ele tenha muitas idéias e riffs guardados com ele, que ele experimentou mas acabou nem mostrando, pois achou que não faria sentido. Mas músicas prontas, montadas, não sobrou.

O disco foi co-produzido por Eduardo Falaschi, como surgiu esta parceria?
Bom, o Edu entrou no processo quando a gente conheceu o trabalho do Almah, em 2014, se eu não me engano. Eu conheci o trabalho do Almah e eu levei isso para a banda, para o pessoal escutar, porque eu achava que era uma sonoridade muito interessante, um som mais pesado, criativo e tal. E a galera da banda no geral gostou, usando isso até como uma referência de algumas coisas que a gente vinha fazendo. Depois de um tempo entrei no site do Almah e vi que tinha um link para uma página do Edu Falaschi, produtor. Mandei um e-mail para ele, e foi muito engraçado, porque foi um e-mail despretensioso, porque no dia 23 de dezembro de 2015, que eu mandei esse e-mail para ele, era praticamente véspera de Natal. Ele me respondeu no mesmo dia, falando mais ou menos como era o trabalho, falamos de valores e já marcamos uma reunião logo depois do Ano Novo. Começamos a trabalhar logo em fevereiro, na pré-produção. A gente viu que o Almah praticamente todas as composições eram dele, as linhas de voz, os riffs. O Guilherme Momesso, que é o nosso baixista, e que curtiu um pouco mais essa fase Angra da época que ele estava, falou que as grandes composições do Angra eram dele também. Então a gente se interessou por isso; não tanto pelo Angra, porque o estilo é muito diferente do nosso, mas o Almah a gente considerava uma coisa mais próxima.

O trabalho de pré-produção foi excelente, a gente trabalhou durante um mês praticamente todos os dias, de segunda a sexta, junto com ele, na casa dele, refazendo arranjos, compondo o que faltava, criando linhas, gravando testes e tudo o mais. No processo de gravação, ele não conseguiu participar tanto, porque coincidiu com o lançamento de um álbum acústico dele, e ele começou a ter uma agenda apertada. Decidimos que era melhor a gente seguir na nossa agenda do que atrasar toda a gravação por conta disso. Não sabíamos no que ia desdobrar esse trabalho dele, se em alguma turnê, e o trabalho poderia ficar parado por tempo indeterminado. Mesmo assim, ele foi na sessões de gravação de bateria, baixo, guitarra e de voz também. A mixagem e masterização fizemos fora do país, então ele ouviu algumas versões da mix e trabalhou junto na versão final mesmo. Então, esse foi o processo, foi mais ou menos assim.

E como você vê o resultado desse trabalho?
Acredito que todos da banda ficaram extremamente satisfeitos. Nunca imaginamos que o álbum entraria para os melhores do ano, e muito menos que seria o melhor do ano em algumas publicações nos mais votados. O trabalho superou as expectativas que a gente tinha. É um motivo de orgulho absurdo uma banda que praticamente começou em 2012, do nada, com um EP de 4 músicas, que passou por mudança de formação nesse meio período, e em 2016, quatro anos depois, lançar um álbum que foi reconhecido em várias mídias. Além de nos colocarem como músicos nas listas de melhores do ano, melhor baixista, melhor batera, vocal e melhor guitarra.

Isso significa que o trabalho foi bem feito, que a gente atingiu o objetivo muito além daquilo que a gente imaginava, foi muito melhor. Eu me sinto muito realizado por isso, então no fim acho que foi um trabalho excelente, da banda inteira com o Edu e todo mundo que trabalhou, o pessoal da “Loud Factory” que fez toda a captação de áudio para a gente, e o Dani, lá nos Estados Unidos, que fez toda a mixagem e masterização, o João Duarte que fez a arte. É uma equipe gigantesca. O que eu sempre digo é que procurei me cercar das melhores pessoas, dos melhores profissionais do mercado para fazer esse álbum acontecer, e depois dele a gente continuou fazendo a mesma coisa com tudo mais que a gente vem trabalhando. Então é assim: é sempre primar pela qualidade, fazer o máximo que a gente pode, dentro dos limites que a gente tem, seja financeiro ou de tempo.

Humberto, como você trabalha a parte de gestão da banda? Como relaciona seu trabalho de executivo de empresa dentro do Attractha e em sua carreira de baterista?
Eu cuido disso da maneira que sei cuidar. É difícil separar o Humberto que trabalha em uma empresa do Humberto músico, é a mesma pessoa. Tenho uma carreira de trabalho e também na música de 30 anos, e então tudo isto vem se somando, conhecimento, maneira de trabalhar, modelos, uma série de coisas que são a ‘experiência’. Não dá para separar isto. Se você trabalha numa empresa grande com uma série de modelos, procedimentos e  esquemas que você sabe que funciona, me parece até estúpido na hora de ter uma banda ignorar isto e fazer as coisas de qualquer jeito. Trabalho para que a banda seja grande, que possa ser meu sustento, como muita gente fez. Assim nasceram as grandes bandas, de pessoas que trabalharam, as vezes com empresário, mas que fizeram seu negócio crescer. Se alguém hoje em dia discorda que o Kiss, Iron Maiden, AC/DC são grandes empresas, grandes negócios, está muito errado. São mais que banda, são “business”, geram empregos e mais empregos no mundo todo; tanto de pessoas que produzem ‘merchan’, com as que vendem, que trabalham em eventos e circulam a marca. E com uma grande diferença: você vê muitas pessoas com estes logotipos dessas bandas tatuados no corpo, mas poucas com Nike, Apple. A banda é uma empresa que possui uma identidade com o consumidor final absurda. Ignorar uma capacitação que tenho de gestão a administração, e fazer a coisas como um amador, não teria o mínimo sentido.

Você está lançando agora alguns vídeos sobre música e carreira, como os 2 vídeos sobre gestão de tempo. O que mais você pretende agregar ao seu canal no YouTube? Que outros temas pensa em abordar lá?
Você encontra um conteúdo voltado para bateristas, drum cams de músicas do Attractha. Estou preparando, meio a contragosto, alguns covers para fazer, pois há uma demanda para isto. Hoje os alunos, fãs e entusiastas também procuram isto, não só fazendo o que você criou, mas desenvolver aquilo que alguém fez. Então comecei a trabalhar algumas versões de músicas de Heavy Metal. E lancei dois conteúdos exclusivos, um é uma coluna “esborrachado”, pois estudamos os rudimentos de bateria nos pads de borracha, então estou fazendo uma série de vídeos sobre isto, como incrementar os estudos. Muita gente diz “ah, é muito chato estudar isto”. E eu quero passar nesta coluna maneiras diferentes, e até mesmo divertidas, de se levar este estudo para outro patamar. A outra coluna que estou fazendo é “dicas”, onde compartilho experiências de vida e profissional, onde falou da minha faceta mais voltada pra gestão, administração do tempo, auto motivação, qualidades que se precisa desenvolver e conhecimento que se precisa ter. Muitas pessoas não têm acesso a este tipo de coisas. Eu tive o grande privilégio de fazer parte de uma grande multinacional, uma das maiores empresas do mundo, onde eu trabalho, e ter sido treinado durante quase 20 anos. Então tenho muito conhecimento nesta parte, principalmente de gestão de pessoas. E quero compartilhar isto com a galera e trazer para o dia a dia da música. Você pode viver as duas carreiras, e elas são complementares: você pode aplicar muito de uma na outra para conseguir melhores resultados. Por isto até fui citado no blog do Kiko Loureiro há um tempo, por este tipo de iniciativa. Estão aparecendo demandas de pessoas por conteúdos, no sentido de dicas, mais aplicadas ao estudo do instrumento, que pode ser uma derivação no futuro.

Sobre sua carreira de baterista, como estão os planos para 2018?
Para este ano, na minha carreira de baterista, não estou vislumbrando muito trabalho de campo, viajar, fazer workshops, realmente não tenho tempo. Estou me adaptando a muitas coisas. Em contrapartida, é um ano que trabalho muito mais com meu canal no Youtube, tentando alcançar as pessoas pela internet ao invés de presencialmente; eu prefiro muito mais falar com as pessoas do que fazer pela internet, mas é a maneira de agora, do século XXI. Estou numa fase de mudança, estou migrando de estúdio, e me associando a algumas pessoas importantes do mercado e marcar, para fazer alguns trabalhos no final do ano, na área educacional, que gosto muito. Assim que eu tiver com minha nova sala montada, eu devo produzir estes drum cover que a galera pede e mais coisas pro meu canal. Vai depender da inspiração. O trabalho este ano é focado em cravar meu nome no mercado educacional na bateria e quem sabe no ensino a distância.

Bandas grandes do Metal nacional estão vivendo bons momentos: O Angra está com uma turnê de quase 100 datas pelo mundo divulgando o ótimo disco Omni; o Shaman anunciou seu retorno e terá casa esgotada e ao que tudo indica, uma turnê deve pintar em breve; o Sepultura lançou um disco bem recebido, Machine Messiah. Você acha que isto ajuda as outras bandas nacionais e a “cena?” de alguma maneira? Como você vê o atual momento do Metal no país?
Enquanto pensarmos no Metal como cena, não vamos sair de onde a gente está. O Metal é um mercado interessante, de nicho, ou seja, pequeno e limitado, principalmente para quem não está no mainstream. Vamos dizer que mainstream é uma coisa ligada ao Sepultura e ao Angra e seu legado, todas as bandas derivadas. O Angra criou uma árvore genealógica extensa no Metal nacional. Estes caras conseguem atingir um público além do Heavy Metal. Eles conseguem estar nas FMs, um pouco mais expostos e tem mais apoio da grande mídia; eles são sempre foco de notícias, então conseguem pegar um público um pouco maior, além do Metal. Eles pegam o público Rock and Roll, aquele cara de meia idade, que era headbanger e agora é pai de família, ele vai num show desses, pois é uma nostalgia. É um mercado de nicho importante, e está muito bom pra eles. É a mesma onda que o Edu Falaschi está surfando, o Confessori com sua banda solo, e a mesma onda que o Shaman vai surfar agora. Acredito que isso é bom para eles, mas para as outras bandas não. Para bandas como a minha, como tantas outras, isto não significa quase nada. Apenas que você tem atenção de um público potencialmente nosso, desviado para estas mesmas bandas, que estão aí há duas décadas fazendo sucesso. Pode até ajudar num nível menor, como a gente mesmo, de abrir estes shows, poder mostrar nosso produto e ganhar alguns fãs. Mas fora isso não. Isto não motiva o público a procurar novas músicas e bandas. Este revival faz com que as pessoas continuem se alimentando musicalmente daquilo, e não traz a opção do novo. Algumas dessas bandas derivadas estão produzindo material inédito: isto pode dar um ‘refresh’, quando o cara vem com novo material, com boa qualidade, isto pode ajudar esta renovação. Mas estes caras que continuam vivendo do legado que construíram há 20, 30 anos, isto não ajuda quem está trazendo o novo, pois não recicla esta base. Isto não é ruim, deixando claro. É bom pois deixa o mercado – e não cena – do Metal vivo, mas para as bandas que tem seu trabalho, autoral, começando, isto não muda nada. A não ser que estas bandas se associem com as bandas maiores. A gente teve apoio do Edu, de poder tocar com ele em São Paulo, e temos um apoio muito legal do pessoal do Noturnall, que faz a mesma coisa com a gente, isto ajuda, quando essas pessoas estendem a mão. Mas são coisas diferentes, O Noturnall é uma banda nova, que é praticamente grande, com material novo que não vive do passado, vive de presente e futuro, mas que consegue ter boa base de fãs vem  dando oportunidades para outras bandas, de poder estar junto com eles.

Esta é uma pergunta que fazemos para todos meus entrevistados: Qual banda ou artista você acha que gravaria uma cover bem legal de alguma das músicas do Attractha?
Putz Grila! Esta pergunta é difícil. Fiz questão de responder esta de primeira, para poder passar a sensação de dificuldade numa resposta para isto aqui. Vou contar uma pequena história, antes de responder, pois acho muito legal. O primeiro tributo a bandas que saiu, lá nos anos 90, foi um tributo de bandas de Metal extremo ao Slayer. Uma gravadora de fora organizou isto e teve repercussão mundial. E lembro de uma entrevista com Kerry King e com Tom Araya, responderam: “cara, parem de fuder minha musica”. E achei uma visão engraçada dos caras, pois o tributo é uma homenagem. Eu penso completamente diferente disto. Tem ‘N’ bandas que eu gostaria de ver fazerem um cover de música nossa. Vou dividir em duas: internacionalmente uma banda que tem potencial musical absurdo, mas que sempre vão ao lado comercial, que gostaria muito de ver esses caras fazerem uma versão nossa, é o Stone Sour. Eu gostaria de ver um dia o Mr. Corey Taylor e sua gangue tocando uma música nossa, só pra ver como ficaria. Aqui no Brasil, putz, são tantas bandas. Fico numa sinuca de bico, tenho muitos amigos no meio e conheço muitas bandas. Mas vou dizer dois nomes, vou nos dois extremos. Gostaria de ver o King Bird, pois é uma banda numa praia totalmente diferente da nossa, mais no Rock, Southern e Hard Rock, então seria interessante. E uma banda mais pesada, uma banda que admiro muito, o Torture Squad, seria legal, ia ser engraçado.

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