[Baú do Clovis] Festival reúne veteranos do Metal e mostra a força do underground curitibano

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Violent Black Soul
festival com Eternal Sorrow, Necroterio, Amen Corner, Offal, Deathsmoke
John Bull
Curitiba/PR
11 de agosto de 2018

por Clovis Roman

O texto abaixo não é assim tão antigo. Foi feito sobre um evento que rolou em Curitiba em Agosto de 2019. Fiz o registro fotográfico e escrito da união de 4 lendárias bandas da cidade, que tiveram também a companhia do Deathsmoke, que já há alguns anos batalha por seu espaço. Uma noite cujo sucesso poderia se repetir mais vezes nos eventos underground da cidade.

No dia 11 de agosto, nossa equipe prestigiou o festival Violent Black Soul,que reuniu a velha guarda do Metal curitibano: Eternal Sorrow, Offal, Necroterio e Amen Corner; com o adendo da Deathsmoke, banda mais nova, mas que conta com um pessoal ativo na cena local. A fórmula deu certo, e o público presente lotou o John Bull Pub. Algo um tanto inesperado, foi o cenário geral é de eventos underground com tímida presença de público, até mesmo em shows com grupos mais experientes. Curitiba é a cidade cuja qual um show teve que ser cancelado, por ter tido um total de zero pagantes.

A abertura da noite foi justamente com o Deathsmoke, adepta do Death Metal com letras sobre violência e afins. Eles tem uma demo, de 2016, chamada Desire for Carnage, que mostra um som com riffs característicos do estilo, com destaque para o vocal de Juliano Bertelli, que soa bastante forte. Seu gutural, nas partes mais graves, lembra o estilo do saudoso Marcelo Koehler, do Infernal. Aliás, os riffs do grupo também parecem ter a influência do finado grupo curitibano. Que venha logo um novo disquinho, que registre a evolução latente do conjunto.

Amen Corner (foto: Clovis Roman)

Na sequência, a lendária Amen Corner mostrou uma nova formação, com destaque para Tenebrae Aarseth, que imprimiu um ritmo característico na parte percussiva do grupo. Os comentários positivos após o show foram generalizados. E falando em Infernal, o baixista do Amen Corner agora é Coveiro, que gravou os clássicos Drowning in the Chalice of Sin (1993) e Ritual Humiliation (2001), e que recentemente passou pelo Dæmonical. Junto a eles estão os membros fundadores Murmúrio e Sucoth Benoth, duas lendas locais. O show contou com alguns sons clássicos como “Heir of Lust, Heir of Pleasure” e “Deusdemoteme”, do debut Fall Ascencion Domination (que completou 25 anos agora em 2018); “Black Thorn” e “Lamentation and Prize”, do Jachol ve Tehilá, de 1995. Essa canção, inclusive, também pode ser encontrada como “Lamentation and Praise”, caso você tenha o relançamento em digipack. Ainda rolou algo dos discos Leviathan Destroyer, Christ Worldwide Corporation (pena que a faixa título desse ficou de fora) e até mesmo a música que dará nome ao próximo full-lenght: “Under the Whip and the Crown”.

Eternal Sorrow (foto: Clovis Roman)

O Eternal Sorrow veio a seguir, fazendo um show que focou mais em seus antigos registros. Apenas uma música “nova”, do The House (2015) foi apresentada: “Finding Blood of Enemies”. Após dois anos longe dos palcos, a banda mostrou o entrosamento habitual, mesmo que faça apenas shows esporádicos. Isso, na verdade, acaba sendo bom, pois cria uma expectativa no público. Expectativa essa sempre atendida, pois as composições do grupo criam momentos de introspecção involuntária. Esse processo teve início com duas faixas do disco de estreia, The Way of Regret (1998), “Final State of Depression” e “Eternal Sorrow”, seguindo para o ápice com a dobradinha “Ammanda Thase” e “Dunes”, duas faixas lúgubres, que mergulham no vazio individual ao mesmo tempo que deixam, ao partirem, um sentimento de alívio existencial. Profundo, mas verdadeiro. Do mesmo disco dessas duas, Legacy (2002), ainda tivemos “Worry” e “Shroud”.

Offal (foto: Clovis Roman)

Agindo em outras áreas do inconsciente, o Death Metal do Offal também se mostrou efetivo. A banda fez um apanhado geral de sua carreira, por mais que tenham deixado seu debut de fora. Mandaram cinco faixas do mais recente play, Horrorfiend, de 2015, sendo elas: “Repulsive Creepy-Crawlers”, “Splatstick Sleazin’ Gutfeast”, “Beyond Madness… It’s Macabre!”, “Flesh-Grinding Thrills and Bone-Crushing Chills” e “The Hideous Return of Dr. Death”, que abriu o show. Ainda tivemos quatro faixas do espetacular Macabre Rampages and Splatter Savages – uma delas a curtinha “The Eyegouging” e uma cover do Autopsy, a principal referência sonora dos caras, com “Horrific Obsession”. É até difícil descrever um show dos caras; essa é uma experiência a ser vivida presencialmente.

Necroterio (foto: Clovis Roman)

Para fechar a noite, o Necrotério, que assim como o Amen Corner, tem um quarto de século de existência. Quando o grupo surgiu o atual baixista, Johnny Benson, nem era nascido. Curioso. O fato é que a encarnação 2018 do Necrotério é ainda tão mortal quanto antigamente. Há quase 15 anos os vocais são comandados por Mano Mutilated, uma lenda do Metal local, que já passou pelos principais grupos de som extremo da cidade. Atualmente, ele também é o frontman do Grimpha.

Curioso que o último disco deles foi gravado por Evandro Maidl, ex-vocalista do grupo, que chegou a ensaiar um retorno à formação, o que não foi para a frente por questões logísticas – afinal, o cara mora na Europa, onde por lá integra o fudido Kaapora. Ao vivo não tem pra ninguém, e Mano domina as atenções com seu jeito despojado e honesto. Mesmo quando uma corda do baixo arrebentou, interrompendo o show do grupo por cerca de 5 minutos, ele deixou o clima esfriar.

Uma noite incomum no underground curitibano, com casa lotada e um clima amigável, afinal, velhas figuras da “cena” saíram dos seus refúgios para prestigiar essas cinco bandas de qualidade. Um sonho, infelizmente, utópico seria termos essa galera toda nos shows de bandas emergentes também.

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