[Cobertura] Max & Iggor Cavalera em noite nostálgica em Curitiba

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Max & Iggor Cavalera
ReConcert
Curitiba/PR
13 de junho de 2019

Por Kenia Cordeiro e Clovis Roman

O show dos irmão Cavalera em Curitiba, da turnê Return Beneath Arise, uniu gerações e tirou de casa muita gente que há tempos deixou o cenário do Metal para ‘cuidar da família’ ou por questões profissionais. Havia muitos por ali que chegaram a ver o Sepultura na fase clássica, mas muitos pela primeira vez viam a dupla em ação, mandando grandes sucessos do passado. Havia muita gente nova presente no rolê, o que deu um ar de união alicerçada em ferro e metal.

Krucipha (foto: Clovis Roman)

Para a abertura, duas bandas das de maior qualidade na cidade, o Macumbazilla, que pelos comentários flagrados ao ar no meio da galera, recebeu apenas elogios. Nossa equipe não teve tempo hábil de fotografá-los, entretanto. Na sequência o Krucipha, que tem seu som calcado no Thrash Metal, mas que alia à isso uma percussividade quase tribal, elemento que o próprio Sepultura usou no passado. Aqui, há também uma certa modernidade, tudo na medida. No CD o material é bom, mas ao vivo toma dimensões caóticas. Presença de palco firme e insana. Se em cima do palco mandam bem, quando o percussionista Nicholas Pedroso desce no meio da roda para organizar um wall of death, aí o Krucipha conquista de vez a galera, que se quebrou ferozmente. Além disso tudo, ainda houve tempo para uma breve homenagem à André Matos, com um trecho de “Nothing to Say”, do Angra. Belo e moral.

Repertório Krucipha:
Kruc-intro
Indigenous Self
Reason Lost
Fomo
Mass Oppression
Mass Catharsis
Nothing to Say [Angra – tributo]
Afforddiction

Esse foi o primeiro show de Metal na Reconcert, novo espaço para shows dentro do conglomerado da Usina 5. O ambiente escuro, de coloração rubra e decoração rústica, tinha lâmpadas penduradas por fios e frases de autores como Zygmunt Bauman grafadas em suas paredes. Áreas externas pelos dois lados davam espaço de locomoção e conforto ao público, que compareceu em bom número para o show dos irmãos.

Nostalgia
O show de Max & Iggor começou a toda velocidade, com dois grandes clássicos do disco Beneath the Remains: Primeiro, a faixa-título, depois “Inner Self”, grandiosa, que trouxe a memórias as cenas de seu videoclipe, e de como o Sepultura naquele momento trilhava a passos largos o caminho para se tornar uma das maiores bandas do mundo. Depois vieram “Stronger than Hate”, também nostálgica com sua profusão de riffs de puro Thrash Metal; e “Mass Hypnosis”, com seu início caótico, que logo se torna puro ódio musical. O público curitibano esqueceu sua frieza e se quebrou como nunca, de braços erguidos bradando o refrão. Finalizando o primeiro ato, constaram “Slaves of Pain” e “Primitive Future”.

Cavalera (foto: Clovis Roman)

O bloco dedicado ao disco Arise (91) foi ainda mais insano, com uma trinca absurda de abertura: “Arise”, “Dead Embryonic Cells” e “Desperate Cry”, essa última em especial com a banda despejando fúria de maneira sincera em cima do palco. Iggor moendo brutalmente seu kit e Max empolgado, tocando sua guitarra de cinco cordas de maneira honesta. A banda de apoio dos irmãos foi composta pelo fiel escudeiro Marc Rizzo (ex- Ill Niño), que toca com Max desde 2003 no Soulfly e integra também o Cavalera Conspiracy. No baixo, Mike Leon, que toca no mesmo Soulfly, há 2 pares de anos. Mas o que os Cavalera fizeram foi focar mesmo no Sepultura e em homenagear seus grandes heróis.

Duas covers de Motorhead apareceram no repertório, primeiro a já esperada “Orgasmatron”, e pouco depois, “Ace Of Spades”. No lado nacional, outra cover lendária deu as caras: “Polícia”, do Titãs, em versão ainda mais suja. E ainda, meio que de improviso, Max e Iggor tocaram sozinhos “Hear Nothing See Nothing Say Nothing”, clássico do Discharge, isso perto do final do show. Uma das provas que a dupla estava realmente curtindo o show em Curitiba. Claro que teve “Roots Bloody Roots” e no final, um medley com três músicas já tocadas antes, porém com andamentos diferenciados em alguns momentos: “Beneath the Remains / Arise / Dead Embryonic Cells”. Serviu para a galera bradar novamente alguns refrãos clássicos e para anunciar um final apoteótico, onde Max apresentou a banda e se auto-intitulou “Max filho da puta”.

Uma viagem no tempo, um evento histórico, que proporcionou resgatar memórias do passado, no caso dos veteranos, e cobrir uma lacuna aos fãs mais jovens que nunca viram o velho Sepultura em ação. O apelo popular à esse material é imenso, tanto que números oficiais dão conta de aproximadamente 1.200 presentes. Show lotado, em Curitiba, é para poucos!

Repertório:
Beneath the Remains
Inner Self
Stronger Than Hate
Mass Hypnosis
Slaves of Pain
Primitive Future
Arise
Dead Embryonic Cells
Desperate Cry
Altered State
Infected Voice
Orgasmatron [Motorhead]
Ace of Spades [Motorhead]
Troops of Doom
Refuse/Resist
Polícia [Titãs]

Roots Bloody Roots
Hear Nothing See Nothing Say Nothing [Discharge]
Beneath the Remains / Arise / Dead Embryonic Cells

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