[Cobertura] Cradle of Filth apresenta show reduzido em Curitiba

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Cradle of Filth
Tork N’Roll
Curitiba/PR
28 de maio de 2019

Por Kenia Cordeiro e Clovis Roman

A primeira vinda do Cradle of Filth a Curitiba foi histórica. Isso é fato, afinal, cada um dos presentes voltou pra casa satisfeito por ver a banda tocar o magnânimo Cruelty and the Beast na íntegra. O álbum lançado em 1998 é considerado por boa parte dos fãs o melhor registro da banda. Entretanto, o setlist foi extremamente curto na cidade, pois além das sete faixas do referido disco (desconsiderando interlúdios e afins), apenas outras duas músicas foram tocadas, totalizando nove.

Sculptor (foto: Clovis Roman)

Antes disso tudo, porém, duas bandas da cidade mostraram seu material para o público ainda esparso. A primeira delas foi a Sculptor, que fez nessa noite o segundo show de sua trajetória. A banda deve lançar seu primeiro disco ainda esse ano, chamado Untold Secrets. Dele veio o primeiro single, “Oblivion”, um dos destaques do repertório. O show dos caras teve 7 músicas, as mesmas 7 que estarão no referido álbum. Destaque para a performance segura do guitarrista Vinnie, que também mandou bons vocais limpos. A presença de palco certamente será lapidada e o Sculptor tem tudo para se destacar. As composições são fortes e dinâmicas, dando homogeneidade. Entre as influências, impossível não destacar Paradise Lost, mas o trabalho do quinteto tem sua amplitude. O grupo conta com com Vinne (voz e guitarra), Rick Eraser (vocal), Caco Ramos (baixo), Fabricio Reis (guitarra) e Mateus Schran (bateria).

Repertório Sculptor
1 – Intro
2 – Redemption
3 – Untouchable Truth
4 – Embrace Yourself
5 – Empty Space
6 – Oblivion
7 – Watch Rope
8 – No Control

www.sculptorofficial.com

Os veteranos do Semblant, com quase 15 anos de estrada, vieram na sequência, em um repertório enxuto, que trouxe canções do espetacular disco Lunar Manifesto (2014) e também material inédito, como “Left Behind”, que abriu o show, e “Dethrone the Gods, Control the Masters”, que mostram as diretrizes que a banda seguirá no vindouro 3º álbum do grupo, Obscura.

Semblant (foto: Clovis Roman)

Em determinada canção houve a participação de uma moça com um imenso candelabro na cabeça, dançando com espadas e interagindo com a banda, mas o que se destacou mesmo no set do septeto foi a dupla de guitarras de Juliano Ribeiro e Sol Perez, sincronizados como poucos, em sinergia análoga aos vocalistas Sergio Mazul e Mizuho Lin, com suas vozes em contraponto cantando melodias bem grudentas, principalmente nos refrões. O repertório ainda teve, além das novidades, sons já gravados em disco, como “Incinerate” e “The Shrine”, além de “Dark of the Day”, cujo sinistro clipe é um clássico local, e “What Lies Ahead” e seu divertido refrão. Uma das melhores bandas da cidade, sem dúvida alguma.

Repertório Semblant
1 – Left Behind
2 – The Shrine
3 – Dark of the Day
4 – Bursting Open
5 – Dethrone the Gods, Control the Masters
6 – What Lies Ahead
7 – Incinerate

www.facebook.com/semblantband

Besta cruel
A atual formação do Cradle of Filth é soberba. Os músicos são tecnicamente irrepreensíveis, e demonstram paixão pelo que fazem – não estão ali apenas pelo cachê. Isso dá uma unidade sonora absurda, vide os últimos dois discos de estúdio do grupo: Hammer of the Witches e o fabuloso Cryptoriana – The Seductiveness of Decay. A frente disso tudo está Dani Filth, membro da formação original, que até os dias atuais mostra um vocal extremamente potente e esganiçado. Seja nos guturais, nas vozes mais limpas ou nos inacreditáveis agudos, que se assemelham a um carro derrapando, o cara é coeso.

Cradle of Filth (foto: Clovis Roman)

E com a melhor formação que já teve, o Cradle of Filth retornou ao Brasil após apenas um ano, agora com uma turnê especial, onde celebram os 20 anos do disco Cruelty and the Beast, até hoje considerado o melhor trabalho da banda. E foi com ele que o show começou, após a introdução “Once upon Atrocity”, com “Thirteen Autumns and a Widow” e depois a clássica “Cruelty Brought Thee Orchids”. Dani Filth estava aparentemente ‘puto’ com algo, e parecia compensar isso em seus vocais. Foi notável que ele segurou algumas partes, cantando de maneira menos estridente. Mas isso em versos avulsos. Ele fez cada um dos gritos agudos mais esperados e marcantes da gravação original.

As pauladas “Beneath the Howling Stars” e “Desire in Violent Overture” deram continuidade à um show praticamente irretocável, que chegou ao seu ápice com a épica “Bathory Aria”, em seus colossais 11 minutos como um amálgama de todos os elementos e sonoridades presentes no disco. A música, uma das melhores composições de uma banda que tem várias faixas espetaculares, começou a ser tocada ao vivo apenas na turnê passada, em 2018. Ele não havia sido executada nem na turnê do seu álbum de origem. Erro corrigido antes tarde que nunca. Até mesmo “Lustmord and Wargasm (The Lick of Carnivorous Winds)”, a música menos megalomaníaca de Cruelty and the Beast, funcionou como um monólito sólido. Ela encerrou a primeira parte, com uma performance cheia de fúria de Dani Filth.

Cradle of Filth (foto: Clovis Roman)

O segundo ato da apresentação começou grudada na anterior. Sem ter tempo de respirar, o sexteto emendou o maior sucesso comercial do grupo: “Nymphetamine (Fix)”, cantada em uníssono pela galera. O problema é que na ordem do setlist regular, antes dela viriam “Malice Through the Looking Glass” e a fabulosa “Heartbreak and Seance”. Quem já sabia o setlist ficou apreensivo, ainda mais depois que “Saffron’s Curse” também foi pulada e começaram, como estivessem com pressa, outro grande hit, “Her Ghost in the Fog”. Assim que terminou seus partes, Dani saiu do palco praticamente correndo, e deixou sua banda finalizando a canção. Os cinco restantes se despedem do palco, de maneira muito simpática, como lhes é habitual, e se retiram, decretando o fim do show.

Todo mundo ficou sem entender nada, ao mesmo tempo extasiados com a portentosa exibição do disco Cruelty and the Beast e estupefatos com um show tão curto, com apenas 9 músicas. Boatos correram pela galera logo após, ainda dentro da casa de shows, mas a verdade veio com um post do vocalista em seu Instagram no dia seguinte, que contou ter estirado um músculo próximo de sua barriga, que lhe causou muita dor para se locomover. Que infortúnio.

Repertório Cradle of Filth
Thirteen Autumns and a Widow
Cruelty Brought Thee Orchids
Beneath the Howling Stars
Desire in Violent Overture
The Twisted Nails of Faith
Bathory Aria
Lustmord and Wargasm (The Lick of Carnivorous Winds)

Nymphetamine (Fix)
Her Ghost in the Fog

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