[Cobertura] Curitiba se entrega ao Rock and Roll no Festival Crossroads

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O slogan Never Surrender indica resistência e paixão pelo Rock, porém o público de mais de 10 mil pessoas se rendeu a uma maiores festas Rock do Brasil 

Texto por Kenia Cordeiro e Patrícia Araújo
Fotos por Arianne Cordeiro e Clovis Roman

O termo profissionalismo é usado para definir àqueles que fazem seu trabalho com excelência. E se há um adjetivo melhor para o Festival Crossroads – Dia Mundial do Rock, desconheço. A edição 2019 da festa teve mudanças significativas em relação a anterior. O espaço da Usina 5, monumentalmente grande, foi melhor aproveitado, a disposição dos palcos estava mais funcional e o cast foi escolhido a dedo. Menos artistas de fora, porém mantendo a ideia original de unir bandas cover e de som autoral. E isso acabou provando como temos em nossa cidade bandas de qualidade, indo do Pop, Rock, Reggae e afins.

The Secret Society (foto: Clovis Roman)

O evento, que durante toda sua duração reuniu um público que superou as 10 mil pessoas, teve 5 palcos e 18h de música, começou às 12h, com o sol brilhando forte como se fosse verão. As bandas vindas das audições Never Surrender abriram as festividades, primeiro a Sex N’Roll, e depois Killer Jack e Newholly, todas entregando apresentações fortes e cheias de feeling. Várias famílias aproveitaram o dia claro para curtirem o evento. O gramado do Palco Dia Mundial do Rock estava até com cara de parque. Inclusive, nele haviam algumas espreguiçadeiras onde as pessoas se deitavam enquanto assistiam aos shows. Algumas levaram panos e esteiras para ficarem no gramado em frente ao Palco Thunderstruck. Teve gente que levou até rede de descanso.

Djambi (foto: Arianne Cordeiro)

O Djambi fez, durante a tarde, para uma audiência que ainda não era tão numerosa, um show bastante divertido, um clima amigável, quase familiar, entre banda e público. Claro que rolou Bob Marley, que a galera curtiu e cantou junto. No palco ao lado, o Punkake fez um show de 1 hora com seu Pop/Rock divertido, guiadas pela simpatia da vocalista Bacabí e pela empolgação da guitarrista Lívia Calil (ambas que, inclusive, tocaram mais cedo com o divertido RocKids). A versão de Toxic, de Britney Spears, ficou simplesmente genial. No palco Thunderstruck também tocou Tacy de Campos e os Marginais, em um show estilo Cássia Eller, com direito a canção da referida artista; bacana. Ao anoitecer, o Heart Shaped Tracks, um baita grupo – tanto pela qualidade quanto pela quantidade de músicos – que entregou versões desconstruídas de clássicos do Nirvana, algumas delas praticamente irreconhecíveis. É um show denso, um tanto complicado para eventos a céu aberto, mas que acabou funcionando, e aglomerou uma plateia considerável.

Punkake (foto: Arianne Cordeiro)

O ambiente tétrico da escuridão foi perfeito para a The Secret Society, que fez mais um show impactante, e é curioso notar como eles parecem à vontade seja em palcos pequenos, seja em locais grandes como este. O trio contou com a ajuda de um tecladista, dando um ar meio psicodélico ao Rock Gótico do grupo, que mandou ver um tributo à Iggy Pop como saideira, com “Cry of Love”. No mais, “Rites of Fire” e “The Architecture of Melancholy” se destacaram, apenas da homogeneidade do show.

TN/SHE (foto: Arianne Cordeiro)

No palco Crossroads, a principal atração da festa fez um show pesado e cheio de músicas. Sem tempo para firulas, o Matanza deu um baita upgrade em sua formação, pois agora conta com um vocalista de fato, e não com um personagem. Como o que mais importa na música é a música em si, com a adição do Vital Cavalcante a parte artística só tende a melhorar. Tudo bem, agora eles se chamam Matanza Inc, mas na verdade é o mesmo grupo de outrora. O guitarrista e compositor Marcos Donida voltou a tocar ao vivo, outro upgrade considerável, fazendo dupla com metaleiro Maurício Nogueira, o monstruoso ex-guitarrista do Torture Squad. O repertório foi recheado de sucessos do passado e teve também músicas do novo disco, Crônicas do Post Mortem: Um Guia para Demônios e Espíritos Obsessores (!), como a ótima “Tudo de Ruim Acontece Comigo”. O grupo Tn/She, pegou um dos maiores públicos do festival, tocando clássicos do AC/DC. A troca de energia entre o sexteto feminino e o público foi notável, em um dos momentos mais divertidos de toda a festa.

Matanza Inc. (foto:Clovis Roman)

Já o Dead Fish enfrentou um público dividido. Musicalmente o Hardcore do grupo é imbatível, e o show começou a mil por hora. Devido ao posicionamento político dos caras, as reações foram bem divididas. A liberdade de expressão é válida para ambos os lados, e o Dead Fish se reservou ao direito de declarar aquilo que acredita, em letras como da recém lançada “Sangue nas Mãos”, crítica veemente ao atual governo. A energia da banda, que está com nova formação, não baixou um minuto sequer em cima do palco. Logo na sequência, o Motorocker fez uma apresentação forte como sempre, onde mandou seus hits – sim, e são vários – além de resgatarem a antiga “Evil Hounds”, não tocada há anos pela banda. A referida canção integra o primeiro disco do quinteto, Igreja Universal do Reino do Rock (2006). 

Higher Dream (foto: Arianne Cordeiro)

Apanhado geral
A Folkin’ Dads, banda de folk rock formada por Felipe Zoio e Gustavo Ortigara, ganhadora do 2° lugar do prêmio de melhor canção autoral do 10° Festival da Canção de Pinhais com “Eu Já Sabia” (Gustavo ganhou prêmio de melhor instrumentista), foi uma das bandas que tocou para um público pequeno. Mesmo assim, foi uma bela apresentação que teve uma versão bem bacana de “Highway To Hell” apenas com violão e sanfona. O Suicide Blonde tocou clássicos do rock n’ roll e finalizou seu show lindamente com “Bohemian Rhapsody”, e os veteranos do Crackerjack fizeram tributo aos Beatles e Rolling Stones. A Linkin Park Brasil Cover, assim como no ano passado, teve uma plateia muito empolgada. O vocalista falou sobre o falecimento de Chester Bennington que completará dois anos dia vinte deste mês e logo em seguida cantou “Leave Out All The Rest” para homenageá-lo.

Rejection (foto: Arianne Cordeiro)

Abrindo os trabalhos do palco Jack Daniels, a Crowning Animals fez um show coeso, baseado no Emocore, e na saideira “Lunchbag” contaram com a participação especial de Matheus Vieira, vocalista do Killer Jack. Ali também passou o Rejection, cover de Pantera que lotou o espaço com uma galera sedenta por ver os sons da lendária banda, vale citar que o Rejection está há anos fazendo shows regularmente e tem qualidade nisso. O rolê Rock and Roll teve o fim decretado pela Higher Dream, tributo ao Iron Maiden, que começou seu repertório as 2h da manhã, tirando as últimas energias do público. Depois ainda teve DJ madrugada adentro.

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