Legacy of Kain promove mudanças e acerta o alvo com segundo disco, Paralelo XI

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Legacy of Kain – Paralelo XI
(independente – nacional)

por Clovis Roman

O Legacy of Kain foi anunciado oficialmente ao público em 20 de setembro de 2016, quando dois ex-membros recém saídos do Doomsday Hymn fizeram um comunicado oficial. Logo no ano seguinte saiu o disco de estreia foi I.N.V.E.R.S.O. (2017), e Paralelo XI é o segundo petardo do grupo de Curitiba, que agora conta com Karim Serri (guitarras), Marko Franzmann (vocal), Tiago Rodrigues (bateria) e o mais recente membro, João Lavinas (baixo). As quatro cordas nesse álbum foram gravadas pelo próprio Karim.

O trabalho abre, após uma rápida intro, com “This Pain is for Me and You”, brutal com partes quebradas, mas com refrão marcante. A faixa tem uma quebra repentina de andamento lá pela metade, algo que ficou bem bacana, pois mesmo assim a composição manteve coesão. Invocando um tanto do Gothenburg Sound, “Worse Days Will Come” é mais veloz, com ótimo trampo das guitarras comandadas pelo veterano Karim Serri; “The Throne” vai na mesma linha, mas ainda alternando com passagens mais cadenciadas.

“Indigenous Pride” abre com uma intro calma, sem distorção, com uma suave referência indígena ao fundo, e após cerca de um minuto começa a pancadaria. O som é muito bem construído, e ao caminhar aos versos onde Markos brada o nome da música, o arranjo ganha contorno um tanto mais acessíveis. Assim a faixa ganha identidade e é mais fácil de ser memorizada. Partes mais brutas também aparecem, assim como há mudanças de andamento em profusão.

Com ares apocalípticos, “Split in Half” é sobre o tema central do disco, e fala sobre cortar índios ao meio. A letra brutal é cantada por Markos ao lado de Fernanda Lira, de um dos grandes expoentes do Metal nacional na atualidade, o Nervosa. A parceria se repetiu em “Get Lucky”, ótima releitura daquele som dançante do Daft Punk, que infelizmente ficou de fora desse álbum; poderia ter entrado como faixa escondida no final da tracklist, ao menos. Para conferi-la, é necessário acessar um QR Code que consta no encarte do disco físico.

A escolha em mudar a língua e optar pelo inglês nas letras foi acertada (nos primeiros singles e no debut I.N.V.E.R.S.O. eles cantavam em português), pois esse tipo de som em português não soa tão natural. Somado a isso, a pronúncia correta de Markos Franzmann e sua voz áspera lapidam ainda mais a agressividade do som do Legacy of Kain. Dessa maneira, com maior coesão sonora, há maiores chances de penetração no mercado internacional. E o guitarrista Karim confirma essa minha impressão: “Eu particularmente gostaria de ter continuado a compor em português, mas o mercado aqui não desenvolve”, explica

Na temática lírica, como o título do álbum sugere, a banda trata do Paralelo XI, história acontecida nos anos 60 onde mineradores gananciosos exploraram e massacraram uma tribo indígena em busca de recursos. Nem todas as faixas falam disso, portanto, o álbum não é temático. Mas o tema é abordado em 5 faixas. Em “Beneath the Mud” a banda aborda questões sociais relacionadas aos criminosos episódios de Brumadinho e Mariana, quando barragens arrebentaram destruindo as cidades com água e lama, matando centenas de pessoas.

A segunda parte do disco conta com “The Genocide”, título explicativo, que tem gritos, cânticos indígenas e barulhos de tiros que assumem contornos percussivos em sua insistência compassada. “This Means War” se destaca pelo ótimo trabalho de guitarra, tanto nos riffs quanto nos solos, e a faixa título vai naquela linha mais quebrada, lenta, moderna. “Disease” fecha o play com versos grudentos e um instrumental que gentilmente conduz o ouvinte à percepção que o fim de aproxima. São 45 minutos distribuídos em 13 músicas, de um material coeso e forte. O salto do debut para esse segundo trabalho é sensível.

A The Parallel Tour deve entrar em 2020, depois de extensas passagens por diversos países da América Latina em 2019, como Peru, Bolívia e Chile, entre outros.

MÚSICAS

1. The Nightmare
2. This Pain Is for Me and You
3. Worse Days Will Come
4. The Throne
5. Indigenous Pride
6. Split in Half
7. Beneath the Mud
8. The Genocide
9. Paralelo XI
10. Silent Ground
11. The Promises You Made
12. This Means War
13. Disease

Ouça
Spotify: spoti.fi/2VGCBcD
Deezer: bit.ly/2Q60NPA
iTunes: apple.co/2W8sInA
Soundcloud: bit.ly/2HzMoaq
GooglePlay: bit.ly/2VIZ2xO
YoutubeMusic: bit.ly/2WKiVkp

Contatos
Facebook: www.facebook.com/legacyofkainbrazil
Instagram: @legacyofkainbrazil
Youtube: youtu.be/ktBX_ribIIc 

Formação
Markos Franzmann – vocal
Karim Serri – guitarra
Tiago Rodrigues – bateria
João Lavinas – baixo


Trocamos algumas palavras com o veterano guitarrista Karim SerrI sobre esse segundo álbum da Legacy of Kain. O parecer do músico que criou todas as músicas do disco (exceto a saideira “Disease”, do ex-integrante Angelo Torqueto) serve como complemento, ou contraponto, às impressões do jornalista na resenha acima. E vale frisar que Serri também produziu o álbum em seu estúdio, o Silent Music Studio.

No primeiro álbum vocês cantavam em português, e no segundo, houve a mudança para o inglês. Como se deu essa transição e o que a motivou?
Bom, a gente tomou essa decisão pensando no lado comercial do lance. Eu particularmente gostaria de ter continuado a compor em português, mas o mercado aqui não desenvolve. Alguns anos atrás eu tinha uma expectativa muito grande de que as coisas iriam melhorar com o surgimento de bandas como o Project 46, John Wayne e Ponto Nulo no Céu, mas a coisa não andou. Uma banda do porte do Project 46 segue patinando como todas as outras, e olha que o patamar de investimento ali é bem diferente do nosso. Então pensamos assim: Se continuarmos fazendo música em português, limitaremos nosso público ao mercado nacional. Em Inglês continuaremos com os fãs que temos aqui e existe a possibilidade de conquistarmos alguns lá fora. Sempre tem aquele que fala “Ah, mas o Ratos De Porão canta em português no mundo inteiro…”. Mano, Ratos é a exceção à regra.

No encarte do disco há, nos créditos, uma citação a versão que vocês gravaram de “Get Lucky”, do Daft Punk. Entretanto, essa faixa não está no disco físico. Qual o motivo?
A “Get Lucky” pode ser escutada e vista no Youtube através de um QR Code que colocamos no encarte. Esse disco foi 100% ‘Do It Yourself’, tudo grana do bolso. Colocar um cover do Daft Punk na versão física sairia caro, então optamos por fazer apenas via streaming. Isso nos isenta de ter que adiantar os royalties, que nesse caso são recolhidos pela própria plataforma digital.

Ainda sobre essa versão, como surgiu essa ideia? Afinal de contas, essa canção inicialmente não tem qualquer relação com o Metal. Como foi retrabalhar a faixa nessa releitura e como surgiu a participação da Fernanda, cantando limpo, algo diferente do que ela costuma fazer no Nervosa?
Cara, a ideia surgiu muito do nada, eu tava dirigindo e começou a tocar essa música no rádio. Eu já gostava dela pra cacete, veio a inspiração e resolvi que ia tentar fazer uma versão. Cheguei em casa, peguei a guita e fluiu. Simples assim. Estávamos pensando em alguém pra fazer as partes melódicas, pois fazer uma música dessas e suprimir as melodias não faz sentido pra mim. O Marllon Mattos, nosso assessor, veio com a ideia de chamar a Fernanda. Eu já a havia escutado cantando várias coisas melódicas e sabia que ela daria conta fácil. Ela topou na hora, sem pestanejar. 

O Legacy of Kain é uma banda da estrada, é impressionante a quantidade de shows que a banda faz. De que maneira essa regularidade nos shows ao vivo ajuda a lapidar o som da banda?
A gente tava conversando sobre isso esses dias. O fato de fazermos muitos shows nos ajuda em todos os aspectos, nos incentiva a continuar trabalhando, nos ajuda a bolar novos ‘merchans’ e nos ajuda na hora de compor. Vamos soltar um single ainda esse ano e vou te falar que fizemos ele inteiro pensando em como a galera vai responder a cada parte da música. Ajuda a pensar no que a galera quer ouvir.

Como se assemelham os perrengues que a banda já passou em países sul americanos com o que rola aqui no Brasil? As coisas são similares por lá ou é mais ou menos a mesma coisa?
Mano, sem comparação [risos]. Cidades grandes como Lima, La Paz, Santa Cruz e  Assunção são bem estruturadas, é tranquilo. O grande problema dessas tours é que tudo é muito longe. Fazemos tudo de ônibus e é cansativo demais. A gente passa muito tempo longe de casa. Os lugares onde dormimos, as comidas, as viagens, tudo isso depois de 20 ou 30 dias fica dez vezes mais difícil de encarar. E somos uma banda pequena, vamos meio que no 0x0, nunca sobra grana. Day off é por nossa conta e às vezes ficamos quatro dias sem tocar. Não é como na Europa que você toca de segunda a segunda, no final isso pesa. Mas se a gente não meter a cara e fizer, nunca vamos sair do lugar.

Qual banda vocês acham que gravaria uma cover bacana de alguma das músicas do Legacy of Kain?
Acho que seria legal ouvir algo mais eletrônico e melódico ou mais groovado do nosso som, um remix… Daft Punk ou Depeche Mode seriam uma excelente pedida [risos]. Só que vão ter que criar umas melodias aí…

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