[Resenha] Dogma Blues – Quietus

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Dogma Blues – Quietus
(nacional)

por Clovis Roman

Escrever crítica de álbuns é uma tarefa ingrata, que demanda um certo conhecimento e bagagem musical, assim como uma dose de arrogância. Para o leitor, basta entender que o parecer de um jornalista sobre um determinado álbum não é um decreto definitivo, e sim a opinião desse, baseada em sua vivência e experiência. Opinião e fato são conceitos bem distintos. Tendo esses parâmetros em vista, lhes apresento minha resenha de Quietus, EP de estreia do grupo curitibano Dogma Blues. A formação conta com Marcelo Paes (voz), Tales Ribeiro e Rodrigo Kolb (guitarras), Roberto Greboggy (baixo) e André Prevedello (bateria).

A primeira música é “Disorder”, um Rock and Roll sujo com um vocal rouco que remete à Lemmy Kilmister. Os riffs são bons e há uma parte excelente onde o baixo fica mais evidente. Isso é algo que poderia acontecer toda a faixa. O solo de guitarra também é digno de nota. A seguinte, a faixa-título “Quietus”, abre com um riff quebrado e depois se soma a uma parte mais caótica. Ao meu ver, se essas partes tivessem sua ordem alterada (a mais rápida antes e depois o ritmo mais cadenciado) fluiria melhor. A melodia do vocal no refrão é simples e bem bacana, assim como o breve interlúdio – novamente evidenciando o baixo – antes do magnífico solo de guitarra. Esse trecho em especial poderia ter o baixo moendo junto, pois incorporaria mais o som e acentuaria o tom apoteótico no final da canção.

Chegando na metade desse EP, “No Garden” parece demorar para engrenar, o que acontece mesmo apenas na hora do solo de guitarra. A quarta é “Dissolution” que se apresenta como uma balada com sua introdução dedilhada, que instiga o ouvinte. Belas melodias de guitarra de somam para então a composição crescer e adquirir peso com power chords. Em seu último minuto e meio, uma mudança providencial de andamento mostra o dinamismo nas composições do grupo.

A capa de Quietus, da Dogma Blues.

“Mucamba” encerra o disco reunindo as mesmas características ouvidas até então: excelente trabalho de guitarra, tantos nos riffs como nos solos, boas linhas de baixo e vocal monocórdico. Liricamente, a canção parece abordar o tema da escravidão, com versos como “working hard to become free, there is no hope just slavery“. Bom ver bandas abordando temas diferenciados.

Quietus é uma boa estreia, que mostra qualidades latentes do quinteto. Não deixar a voz tão em cima na mixagem e trabalhar um pouco mais em sua interpretação podem dar ótimos resultados. Afinar algumas melodias e a estruturação de algumas composições, também. Em todo caso, o primeiro passo do grupo está dado, e o resultado final de Quietus é positivo.

MÚSICAS
1. Disorder
2. Quietus
3. No Garden
4. Dissolution
5. Mucamba

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