[Baú do Clovis] O show transcendental de David Gilmour em Curitiba

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No final de 2015, eu fui devidamente credenciado como imprensa para cobrir o primeiro show de um integrante do Pink Floyd em Curitiba. Era David Gilmour, que subiu ao palco da Pedreira Paulo Leminski em um inesquecível 12 de dezembro de 2015.

Eu fui como correspondente de um veículo em específico, entreguei a matéria logo depois, todavia, ela acabou nunca sendo publicada. Confira o texto, até então engavetado, com as fotos brilhantes de Pri Oliveira (do Cwb Live), que gentilmente nos cedeu seus cliques dessa noite mágica.

por Clovis Roman

O Pink Floyd começou suas atividades nos anos 60, tendo como guitarrista e vocalista um sujeito talentosíssimo, porém fora dos padrões, chamado Syd Barrett. Esse, após um tempo, acabou sendo eliminado da banda por sua conduta, e para seu lugar, foi chamado o jovem David Gilmour. Ele, então, assumiu as rédeas do grupo, e o manteve na ativa mesmo com o duro golpe que foi a perda de Roger Waters em meados dos anos 80. Com extenso catálogo de obras-primas, é claro que a apresentação dele em Curitiba foi permeada de clássicos, além de registros de sua carreira solo.

As músicas do Pink Floyd, por razões óbvias, foram os momentos de maior ovação do público. Afinal, esses marcaram inúmeras gerações daqueles que apreciam a boa música. O que, claro, não denigre as demais canções apresentadas. Essas são também arranjadas e executadas de maneira primorosa, e emanam sentimentos dos mais variados. Aí cabe a cada espectador qual deles assimilar, e com o qual deles entrar em transe. Uma das que melhor exemplifica as diferentes possibilidades de viagem musical é “On An Island”, faixa título de seu álbum solo lançado em 2006. Quem estava acompanhando o repertório esperava por ela, mas a surpresa veio quando em seu lugar os acordes de “Coming Back To Life” ecoaram pela Pedreira Paulo Leminski. Ela integra o álbum The Division Bell, do Pink Floyd, que goza de grande prestígio pelo público brasileiro. Outra dele que apareceu no set foi a igualmente tocante “High Hopes”, um momento transcendental no qual o público foi transportado ao famoso show eternizado no DVD P.U.L.S.E.

Tudo bem que “The Girl In The Yellow Dress” e “Today” são um tanto extensas, mas isso não muda o fato do concerto de Gilmour ser nostálgico e ao mesmo dele ser ainda relevante. A banda que o acompanha contribui para o êxito do espetáculo. Na percussão, Steve DiStanislao, que já tocou até com Paul Anka. Nas quatro cordas o mestre Guy Pratt, que tem extenso currículo: já passou por Echo and the Bunnymen, Coverdale/Page, Madonna (sabe a música “Like a Prayer”? então…) Michael Jackson, Pink Floyd e Whitesnake, além do Roxy Music. Dessa também veio o guitarrista Phil Manzanera, parceiro de longa data de Gilmour. Outra atração, ainda mais especial para o público curitibano, foi o saxofonista João de Macedo Mello, nascido na cidade e recém integrado a trupe. Ele teve seu momento de protagonista, pois foi ao microfone falar algumas palavras sobre a emoção de estar ali. Completam a formação Jon Carin e Kevin McAlea (teclados), Theo Travis (sax e clarineta), e os backing Bryan Chambers e Louise Marshall.

Outro fator importante foi o público, que compareceu em peso ao evento. Em seu perfil no Facebook, Gilmour afirmou que havia 25 mil pessoas por ali. E a galera deu um show a parte, como em “Run Like Hell”, onde diversos fãs ergueram placas com a palavra “Run”, fazendo alusão ao título. Nessa, inclusive, houve um momento curiosíssimo, afinal, muitos confundiram a introdução dela com “Another Brick in the Wall”, canção que ele não costuma tocar ao vivo. Ficaram de fora sons de seus dois primeiros álbuns solo “David Gilmour” (78) e “About Face” (84), e também não tivemos material do póstumo álbum do Pink Floyd “The Endless River”. Mas nem precisava.

O repertório generoso de 21 canções abraçou momentos gloriosos do Floyd com seus trabalhos solo mais recentes. Teve até uma homenagem à Syd Barret, com “Astronomy Domine”, do álbum The Piper At The Gates of Dawn (67), de antes de Gilmour entrar no grupo. Tudo com extremo bom gosto, transbordando sentimento. E se o show todo foi emocionante, o encore, com “Time / Breathe (Reprise)” e a sorumbática “Comfortably Numb” (amparada por belos efeitos visuais com lasers verdes) foi o golpe fatal na multidão que lotou a Pedreira. Palavras não são suficientes para descrever.

REPERTÓRIO
Set 1:
5 A.M.
Rattle That Lock
Faces of Stone
Wish You Were Here (Pink Floyd)
A Boat Lies Waiting
The Blue
Money (Pink Floyd)
Us and Them (Pink Floyd)
In Any Tongue
High Hopes (Pink Floyd)

Set 2:
Astronomy Domine (Pink Floyd)
Shine On You Crazy Diamond (Pink Floyd)
Fat Old Sun (Pink Floyd)
Coming Back to Life (Pink Floyd)
The Girl in the Yellow Dress
Today
Sorrow (Pink Floyd)
Run Like Hell (Pink Floyd)

Time (Pink Floyd)
Breathe (Reprise) (Pink Floyd)
Comfortably Numb (Pink Floyd)

GALERIA DE FOTOS (Pri Oliveira)

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