[Resenha] Miasthenia celebra seu lado épico com o grandioso “Sinfonia Ritual”

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Miasthenia – Sinfonia Ritual
(Mutilation Records – nacional)

Material gentilmente enviado por Roadie Metal

por Clovis Roman

O Miasthenia, formado em 1994 em Brasília, é um nome de grande relevância do Black Metal nacional. Seu grande diferencial reside em sua proposta lírica rica em temáticas pagãs, que vão desde mitologia, cultura ameríndia à resistência a evangelização, deixando o satanismo rasteiro para principiantes. Uma banda de som extremo que entretanto sempre primou por estruturar bem seus sons, fazendo-os ter coerência e não serem apenas um amontoado de zunidos. Então, quando o grupo colocou no mercado um EP com músicas em formato sinfônico, não chegou a ser uma grande surpresa. Não foi uma surpresa, mas é extremamente prazeroso. E um grande passo artístico.

A vocalista do Miasthenia, Susane Hécate, já explicou que a ideia de Sinfonia Ritual – confeccionado em parceira com o produtor Ifall (Londres) – não é ser um disco de Metal. E não o é. As faixas aqui presentes são músicas já lançadas anteriormente pela banda, especificamente nos álbuns Supremacia Ancestral (2008), Legados do Inframundo (2014) e Antípodas (2017). São as que continham em sua originalidade linhas de teclado mais complexas, segundo a artista. A versão que chegou aqui na redação, em um belo digipack, foi lançado pela Mutilation Productions, e enviado pela conceituada Roadie Metal. Material de primeira.

Portanto o álbum, que deve ser considerado um item a parte da discografia regular do grupo, soa como uma grande trilha sonora de filme ou de algum jogo de videogame épico. É uma abordagem totalmente nova dentro do trabalho do Miasthenia, que evidencia a musicalidade de Hécate e a grandiosidade das composições do grupo. E constata-se que toda erudição musical do Miasthenia é um fator crucial em toda estruturação de suas composições.


13 Ahau Katun, aqui em sua versão original.

“Taqui Ongo” versa sobre sacerdotes andinos anunciando uma rebelião contra o cristianismo e o detrimento aos rituais ancestrais. A faixa seguinte, “13 Ahau Katun”, em seu entrelaçar de camadas, carrega em si elementos de música oriental, em um resultado épico. Há algumas vocalizações aqui e acolá, todavia, não há letras cantadas – o grupo aqui emana em frequências sonoras suas mensagens. Essa faixa em especial tem tema denso e complexo, como você pode conferir aqui. O material, como comentado pela própria banda nas redes sociais, é uma “trilha sonora que transporta à tragédia e honra das primeiras batalhas descoloniais pela sobrevivência de antigas cosmogonias e rituais conectados à profundidade e diversidade do ser”.

Para assimilar um disco desse é necessário tempo. Não adianta apertar o play e ir fazer outras coisas enquanto escuta. É preciso dedicação total aos cerca de 30 minutos de Sinfonia Ritual. De preferência, com uma taça de vinho nas mãos e fones de ouvido de qualidade. E olhos fechados. Nenhum movimento aqui é apressado ou desnecessário. É como uma teia orquestrada e construída racionalmente por uma habilidosa aranha. A agressividade é bem vinda e necessária na música e na vida. Não obstante, degustar delicadas melodias e pomposas orquestrações é igualmente prazeroso.

CONTATOS
www.miasthenia.com
www.facebook.com/miasthenia
www.instagram.com/miasthenia_band
Email: miasthenia.horda@gmail.com

MÚSICAS
01 – Taqui Ongo
02 – 13 Ahau Katun
03 – Kayanereh Kowa
04 – Coniupuyaras
05 – Deuses da Aurora Ancestral

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