[RESENHA] Nightwish – HUMAN. :|: NATURE (2020)

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Essa é uma resenha oficial, em parceria com a Comunidade Nightwish e a Dynamo Brazilie.

Marcado para sair oficialmente no dia 10 de abril, HUMAN. :|: NATURE é o novo trabalho do Nightwish. A proposta é de um álbum duplo, com 17 faixas no total. Nove delas estão na primeira parte, “Human”, com vocais e percussões bem trabalhadas. Já no segundo disco, dedicado à natureza, há uma canção de mais de 30 minutos toda orquestrada, dividida em oito capítulos. Tuomas Holopainen, tecladista e fundador, diz não se tratar de um álbum conceitual e sim temático, já que a ideia de ser humano e de natureza está presente no decorrer de toda a obra.

Conheça aqui, a edição nacional. Vídeo produzido pela Comunidade Nightwish: 

Por Kenia Cordeiro

No antecessor “Endless Forms Most Beautiful” (2015), as músicas eram meio parecidas entre si, com reciclagens do que já haviam gravado, o novo lançamento chega de forma surpreendente, tirando a banda e fãs da sua zona de conforto e ao mesmo tempo soando mais Nightwish do que nunca.

Se no trabalho anterior Floor Jansen era a nova integrante, nesse ela soa totalmente entrosada e sacramenta seu posto de vocalista no grupo finlandês, cantando com muito mais segurança e mostrando toda sua técnica e feeling. A formação é completada por Tuomas Holopainen (teclados), Emppu Vuorinen (guitarra), Marco Hietala (baixo e vocal), Troy Donockley (multi instrumentista e vocal) e Kai Hahto (bateria).

Gravado em diversos locais, entre agosto e outubro de 2019,  foi produzido por Tero Kinnunen, Mikko Karmila e pelo próprio Troy Donockley. Karmila e Tero junto a  Tuomas, cuidaram da mixagem e Mika Jussila da masterização.

Human

A faixa que abre a primeira parte do trabalho é “Music”, que como o título preconiza, conta sobre as origens da música como um todo. Assim, faz sentido a longa introdução, que  começa com sons rudimentares até o instrumental tomar forma e chegar às vozes. Faz alusão à primeira música criada pelo ser humano, essa combinação expressiva de sons e pausas, capaz de erradicar o tormento dos corações pesarosos, como a letra indica. Já de cara, percebemos que a melodia vocal é rica e cativante. O refrão é um grude instantâneo. Ainda que seja a canção de maior duração, tem grande potencial para se tornar clássico absoluto e permanecer no setlist por muito tempo. Outras bandas já apostaram em músicas longas como single e deu certo. Vamos aguardar.

Na sequencia vem “Noise”, já conhecida por ter sido o primeiro single, lançado em fevereiro. A temática é uma crítica ao nosso comportamento nas redes sociais, muitas vezes nos tornando escravos do mundo virtual. Noise segue a fórmula já conhecida do Nightwish, onde a cozinha faz a base para os versos, semelhante à outras canções como “Storytime” e “Shudder Before The Beautiful”. Porém, diferente desta última, aqui fica evidente como Floor se sente à vontade nos vocais. Isso é uma constante em todo o disco. Enquanto no antecessor, Endless Forms Most Beautiful, havia um vocal mais contido, em HUMAN. :|: NATURE podemos apreciar toda a potência de Floor como intérprete.

E falando em potência vocal, em “Shoemaker”, mais uma vez somos surpreendidos com a versatilidade de Floor. As linhas vocais, inicialmente, têm influências da música folk  e mais ao final da canção, logo após a declamação de um trecho de Romeu e Julieta, de Shakespeare,  o tão aguardado vocal lírico, que há tempos não aparecida no Nightwish. Grandioso e emocionante, Floor canta repetidas vezes “Laudato Si Ad Astra”, onde Ad Astra – nome da última parte do disco 2, inclusive – significa algo como “até as estrelas”, podendo ser entendido como uma homenagem direta a Eugene Shoemaker, astrônomo, falecido em 1997, que até hoje é o único ser humano cujos restos mortais jazem fora do planeta Terra.

É interessante notar que HUMAN. :|: NATURE  não é um disco de riffs, a guitarra é mais tímida, sendo a melodia preenchida pelos teclados de Tuomas. Além disso, somos agraciados com o trabalho impecável do baterista Kai Hahto, demonstrando que para a linha de bateria ser boa, não precisa necessariamente ser rápida. Nesse quesito, a versatilidade, precisão e peso de Kai brilham.

“Harvest” chega com cara de trilha sonora e o vocal linear de Troy, mas a simplicidade aqui é bonita e casa com a proposta da canção. E convenhamos, ele canta uma música inteira em um total de 9 da primeira parte do disco, nada que deva incomodar os fãs mais assíduos da dupla Floor e Marco. Harvest tem um ar mais leve que as outras, que são mais densas e melancólicas. “Pan”, que trata o lado imaginativo do ser humano, já chega grandiosa, além de ter um ótimo refrão, possui coro marcante e arranjos de vocais de apoio muito bons.

Outro potencial clássico da banda é a cadenciada “How’s The Heart?”, que fala sobre empatia e é daquelas que a gente sai cantando o refrão já de primeira. Essa é uma música que pode funcionar muito bem ao vivo, com a melodia cativante das flautas, gaitas e demais instrumentos de Troy.

Tuomas já mencionou que usou a trilha sonora de Stranger Things como inspiração para “Procession”, e de fato, a introdução da faixa se assemelha à música de abertura da série, com o mesmo clima atmosférico. Aqui, mais uma vez, a interpretação da Floor é formidável. O diferencial é que ela não tem refrão e possui versos brancos, ou seja, que não necessariamente rimam, dando a entender que Floor está nos contando uma história.

Tribal” tem uma percussão mais primitiva e orgânica. Nos meados da canção, a dupla Floor e Marco faz linhas vocais mais agressivas. É a mais pesada do disco, com passagens rápidas e viscerais. Melancólica, uma das poucas em que o riff de guitarra cadenciado se destaca, “Endlessness” soa quase como um doom metal nos primeiros momentos. O refrão é tocante e emocionante, Marco derrama as palavras em tom lamurioso, cantando sobre o universo e sua infinitude. Essa definitivamente é a música em que vemos Marco brilhar de forma majestosa e comovente. Um belo encerramento para a primeira parte da obra.

Nature

O segundo disco é composto pela faixa “All The Works Of Nature Which Adorn The World” com mais de 30 minutos, dividida em oito partes. A primeira, “Vista”, abre a composição com uma narração. Mas aqui, a parte lírica cede espaço à orquestração completa. O que sucede nos demais capítulos são odes à natureza, pra ouvir e relaxar.

Tuomas descreve essa etapa do disco como uma carta de amor ao planeta Terra. Deve ser por isso que o disco se encerra com “Ad Astra”, onde é narrado  “Pale Blue Dot”, de Carl Sagan, considerado um dos maiores divulgadores da ciência de todos os tempos.

Sagan também é lembrado pelo tom poético e filosófico dos assuntos que tratava. Em “Pale Blue Dot”, a partir de uma foto tirada da Terra, demonstra  o quão pequeno é o nosso lar em um universo infinito, onde os humanos têm a capacidade de destruí-lo se não souberem cuidar dos recursos inerentes à vida. Ele enfatiza que nosso planeta é o único conhecido, até hoje, onde há vida. Sendo assim, é onde devemos ficar, por enquanto. É o que devemos cuidar, por enquanto.

 

Links e meios para compra da edição nacional, já disponível:

1. Comunidade Nightwish: envie até 10/04 um e-mail para vendas.comunidadenightwish@gmail.com e faça a reserva
2. Shinigami Records: encurtador.com.br/atwMZ
3. Die Hard Records: encurtador.com.br/gkqY1
4. Americanas: encurtador.com.br/estKX
5. Submarino: encurtador.com.br/aACFU

Foto da capa: Tim Tronckoe

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