Acesso Geral – 01

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O Acesso Geral é uma nova seção do Acesso Music onde fazemos um apanhado geral de discos que chegam até a gente. Esse compilado traz resenhas um pouco mais concisas, mas que ainda se aprofundam na música e nos elementos que a compõem.

Nessa primeira matéria, falamos do trabalho de cinco grupos, alguns do Brasil – Hellgarden, Tributo Santo e Scream – e dois da América do Sul: Draconis (Argentina) e Primal Sinner (Colômbia).

por Clovis Roman

Primal Sinner (Colombia)
Material enviado por Reverbera Music Media

Dez anos após lançar o solitário single “Sin Bell Tolls”, o grupo colombiano Primal Sinner apresenta ao mundo seu primeiro disco completo, Dying Like the Sun in the West, que apresenta um Heavy Metal com pitadas de Thrash aqui e acolá, com melodias vocais bastante agradáveis e de fácil memorização. Há algo também de Hard Rock no som dos caras, o que torna o som mais aprazível à um número maior de pessoas.

“Red Horn Calls” abre bastante acessível (se fosse para escolher uma música para virar videoclipe, seria essa), seguida por “Scars of War”, mais veloz, com uma ótima performance do vocalista Dio Lopéz. A mais curta, “The Stage is Waiting” vai na linha de suas antecessoras, abrindo espaço para o ótimo Hard de “Rage for Freedom”, repleta de melodias fáceis, com notas de AC/DC e um retrogosto de Kiss facilmente perceptíveis. Um pouco mais orientada ao Metal, mas ainda com uma aura despojada de Rock and Roll, “Let Rock Be Heard” (bom, com esse nome não poderia ser diferente) mantém o negócio interessante. Curioso notar como há algumas partes mais lentas, daquelas usadas em shows para o frontman interagir com a plateia, registradas no disco. É o tipo de coisa que não aparece em estúdio, apenas nos shows. Devaneios a parte, ótimos solos surgem aqui, assim como em “When Lightning Falls”, que traz o Heavy novamente à evidência, com passagens mais complexas e velocidade.

O épico do álbum atende pelo nome “Albam Tenebrae (Blindness & Seeing)”, que surge grandiosa e cadenciada após uma introdução que pouco acrescenta (“Prologue”). Diversas partes são mescladas de maneira sóbria e consciente, e Dio Lopez aqui tem uma performance acima da média, mandando agudos certeiros em determinadas passagens. Mais virtuosa, a instrumental “Opus One” encerra, grandiosa, um excelente debut deste quinteto colombiano.

Uma das páginas do belo encarte.

De acordo com o release recebido da assessoria, o Primal Sinner resolveu focar seus esforços em compor e produzir um disco profissional e de qualidade, deixando divulgações vazias vias redes sociais de lado, assim como apresentações ao vivo, até que o disco estivesse nas mãos. Decisão acertada. Dying Like The Sun In The West foi produzido pelo renomado Jens Bogren (Symphony X, Angra, Sepultura, Opeth, Arch Enemy e mais um monte de bandas), masterizado pelo engenheiro de som Bob Katz (EMI, BMG, Virgin, Warner, Sony Music e Walt Disney). O encarte (sim, mesmo digital, recebemos todas as páginas) é outro ponto forte, cada música tem sua própria arte, todas elas muito bonitas, cortesia (cortesia é modo de dizer, ele certamente foi pago pelo trabalho) do artista polonês Igor Morski.

Músicas:
1. Red Horn Calls
2. Scars of War
3. The Stage Is Waiting
4. Rage for Freedom
5. Let Rock Be Heard
6. When Lightning Falls
7. Albam Tenebrae (Prologue)
8. Albam Tenebrae (Blindness & Seeing)
9. Opus One

Site oficial: www.primalsinner.com
Instagram: www.instagram.com/primal_sinner
Facebook: www.facebook.com/primalsinner

Ouça: open.spotify.com/album/4v4yFfJBvxOskd28flxDae


Hellgarden – Making Noise Living Fast (Brasil)
Material encaminhado pela Brutal Records e também pela JZ Press Assessoria

Os paulistas, de Botucatu, da Hellgarden começaram de fato suas atividades em 2017, quando completaram sua formação com a entrada de Diego Pascuci (voz) e logo depois, Guilherme Biondo (baixo). Os shows começaram a surgir (inclusive um ao lado do Krisiun) e logo começaram a compor o que viria a ser esse disco, chamado Making Noise Living Fast. A banda testava as músicas novas nos shows, para ver a reação do público. Boa sacada.

Por isso mesmo o trabalho é uma pancadaria sem trégua. “Spit on Hypocrisy” abre celebrando a desgraça, uma porrada certeira totalmente influenciada por Pantera. “Evolution or Destruction” também cairia como uma luva no antigo grupo de Phil Anselmo, assim como “Learned to Play Dirty” ou a “Fucking Hostile” da Hellgarden: “Fuck the Consequences”. O ‘lado B’ começa com duas faixas mais extensas, sendo “Brainwash” a maior, com mais de seis minutos. Se distanciando um pouco do Pantera e trazendo algo do Thrash anos 80 ao seu som moderno, a composição se eleva perante as demais. Nas restantes, por mais que o espírito de Dimebag esteja presente (confira “Believe in Yourself or Die”), dá para notar melhor a cara da banda. Nessa divisão de lado A e lado B, este último se sobressai. Mas o todo convence.

O disco foi gravado no estúdio ForestLab direto em fita (analógico), e o resultado final – seja resultante ou não desse fator – é excelente, o disco é um murro no peito de tão pesado, o som é cheio e tudo pode ser ouvido com clareza e volume. Outro fator que remete aos tempos antigos é a quantidade de faixas e duração: são 8 músicas em 34 minutos. E ciente de que tinha pouco tempo, a banda não deixou nenhuma enrolação no play. Cada segundo da audição é intenso e bruto.

PS: Dia 25 de abril, sábado, às 18h, o Hellgarden fará um show com transmissão ao vivo pelos canais oficiais da banda no Facebook e YouTube, direto do estúdio General Music, em Botucatu/SP, somente com os músicos e dois profissionais da parte técnica.

Músicas:
1- Spit on Hipocrisy
2- Evolution or Destruction
3- Learned to Play Dirty
4- Fuck the Consequences
5- Brainwash
6- Making Noise, Living Fast
7- Believe in Yourself or Die
8- Possessed by Noise

Facebook: www.facebook.com/OfficialHellgardeN
Instagram: www.instagram.com/officialhellgarden

Ouça: orcd.co/hellgarden



Draconis – Anthems for an Eternal Battles (Argentina)
Material enviado pela Brutal Records

O próximo lançamento da banda argentina Draconis chega ao mercado apenas na metade do ano. Anthems for an Eternal Battles mostra o grupo tocando seu Death Metal, que tem influências de Hypocrisy, mas passando por outras ramificações da música pesada, tendo no geral bons resultados. “Puppets who Ignore their Masters” vem mais calcada no Heavy, com bons riffs melodiosos, que contrastam com as partes mais rápidas e com vocal gritado. “Inner Quest” tem andamento mais moderado, enquanto “My Last Journey” e “Shadows of Emptyness” [sic] primam mais pela velocidade.


A banda em ação em um programa Argentino.

O trio formado por Gerardo Vargas (voz e guitarra), Bruno Vargas (guitarra) e Marcos Villaroel (baixo) acerta por apresentar músicas que mesclam várias nuances e ritmos, e por ter músicas curtas, no geral. Apenas uma chega a marca de cinco minutos de duração. Assim é possível ter tempo de assimilar cada passagem, sem entretanto termos repetições desnecessárias ou excesso de mudanças abruptas. Os rápidos flertes com o Heavy, com o Black e até mesmo com o grindcore em determinados momentos dão mais riqueza ao Death Metal apresentado pelo trio argentino. Isso se evidencia em um dos grandes momentos da audição, a faixa “Traitors of Everday” [sic]. Outra composição instigante é “Lost Angel”, que também se aproxima do Heavy e tem, lá pro final, uma rápida parte com vocal quase declamado. “Falling into Darkness” começa com um clima apocalíptico, depois engrenando numa paulada violenta, para encerrar bem esse que é, oficialmente, o 4º álbum da Draconis. Os registros anteriores são: Spreading the Virus (2017), The Beginning of the End (2016) e The Awakening of the Deads (2014).

Eles começaram suas atividades em 2003, e a partir de 2014 começaram a soltar álbuns completos, tendo materiais digitais, físicos e até um trabalho que saiu em fita K7. São um nome bastante prolífico daquele país. Com Anthems for an Eternal Battles eles devem se manter em evidência, pois é um bom trabalho, com momentos realmente excelentes. A gravação, principalmente o timbre das guitarras, poderia ser um pouco mais apurado, mas considerando as barreiras naturais dentro do universo underground, isso fica relegado a mero detalhe. O trabalho sairá pela Brutal Records no final de julho.

Músicas
1. Anthems for an eternal Battle
2. Puppets who ignore their Masters
3. Inner Quest
4. My last Journey
5. Shadows of Emptyness
6. Remember the Unremembering
7. Ship of Illussions
8. Traitors of Everyday
9. Lost Angel
10. Falling into Darkness

Site oficial: www.draconisband.com


Scream – Scream
Material enviado pela própria banda.

O Scream surgiu em 2013 como um despretensioso projeto, mas a coisa ganhou corpo e desaguou no disco homônimo, idealizado, composto e interpretado por Welbe, o vocalista, o disco também conta com Raphael Gazal, guitarrista que tem passagens por Pastore e Tailgunners). O resultado final é magnânimo!

O cantor varia de Chris Bothendahl à Bruce Dickinson com relativa facilidade, e essa habilidade é um dos bons destaques desse trabalho. A abertura “Ameeron” já mostra esse ecletismo vocal, e a seguinte “The Necromancer”, traz outra abordagem, com a abertura mais soturna, que abre espaço para mais uma performance enérgica de Welbe. Outra que mescla tudo isso é “Salt”, o épico do trabalho, com quase nove minutos de duração.

Se o som é um Heavy Metal bastante empolgante, a parte lírica também é deveras interessante. “Berenice” – que musicalmente tem uma pegada mais voltada ao Hard Rock – tem um nome que, a princípio, parece estranho. Mas quem aprecia a leitura, principalmente do gênero literatura fantástica, logo a associa com o clássico conto de mesmo nome de Edgar Allan Poe. E é isso mesmo. A história versa sobre a obsessão de um homem pelos dentes de sua falecida amada, e é um dos mais aterrorizantes do escritor, junto a textos como “O Barril de Amontillado”, “O Gato Preto”, “A Queda da Casa de Usher” e “O Retrato Ovalado”, apenas para citar alguns. Por sua vez, “Ameeron” parece baseada na saga de Elric, de Michael Moorcock’s. E a derradeira, “Dunwich”, como sugere o nome, conta a saga de Wilbur e sua cara de bode em busca do Necronomicon, livro fictício e maligno do universo fantasioso de H.P Lovecraft. Esse enredo faz parte da novela “O Horror de Dunwich”.

A última parte do álbum conta com “The Devil’s Lullaby”, com ótimo trampo de guitarra, principalmente nas partes aceleradas, e “Dunwich”, com ótimos solos de guitarra e performance vocal irretocável. No geral, o disco funciona muito bem, e é homogêneo, mesmo sendo bastante extenso. São 40 minutos cravados em 7 composições. Não cansar o ouvinte com essa característica é difícil. Mas o Scream consegue, pois quando o disco acaba, definitivamente não parece que se passou tanto tempo assim.

Músicas
1. Ameeron
2. The Necromancer
3. Crow
4. Salt
5. Berenice
6. Devil’s Ball
7. Dunwich

Facebook: www.facebook.com/Scream-Heavy-Metal


Tributo Santo – Tarde Demais
Material enviado pela própria banda.

Eu estou envolvido com o underground há mais de 20 anos, e trabalho com ele há mais de 15. Nesse tempo todo, eu tomei contato tanto com o Black Metal mais malvado quanto com o White Metal. Tanto que algumas bandas dentro dessa última alcunha figuram entre minhas favoritas da vida, como Bride, Petra e Stryper, apenas para citar algumas. Eu sei bem que o meio cristão, em geral, não gosta do rótulo White Metal, mas ele serve para englobar todo mundo que fala de deus dentro de um só pacote. Então, para fins de resenha, ele me serve.

Quando um grupo dessa galera canta em inglês, é mais fácil separar a mitologia lírica da música, por não ser essa nossa língua nativa. Mas quando os versos são em português, é necessário um esforço um tanto maior para isso. Para quem compactua com essa ideologia, tá tudo certo. Para o ouvinte secular (termo que eles usam para definir, em definição livre, o que ‘não é de deus’), é mais complicado. Afinal, versos como os da faixa título, como “Se erga, se prepare Jesus é a saída eficaz Mais tarde pode ser tarde demais”, ou “Deus promete a eternidade àquele que se arrepender”, são bem panfletários. Musicalmente, é um Hard/Pop bem interessante, com boas incursões de teclados antes do solo de guitarra.

Mais acessível, “Velho Viajante” conta com um andamento interessante, algo apoteótico, artifício comum também nos hinos de igreja. É uma artimanha musical usada para guiar a um grau elevado de emoção. A última é “Quando Ele Voltar”, com uma introdução bem bacana e extensa, que depois dá espaço para um Rock básico, com relativo peso e trabalho excelente dos teclados.

No que tange a questão musical, tudo aqui é muito bem feito, as composições são maduras e a gravação é ótima. O grupo mineiro contou com sete músicos em estúdio, e tudo ficou bastante coeso e honesto. Se você se identifica com – ou respeita, ou releva – a temática dos caras, vai fundo que não tem erro.

Músicas
1. Tiago 3
2. Tarde Demais
3. Velho Viajante
4. Quando ele Voltar

Facebook: https://www.facebook.com/tributosanto

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