A conexão musical de The Last of Us 2

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por Julian Dedablio

Dentre todas as sensações e diferentes emoções que uma mídia é capaz de passar, uma delas é a conexão e a empatia que podemos ter com os personagens. The Last of Us parte 2 proporcionou uma conexão entre dois personagens que, também, ligou o jogador (ou expectador em muitos momentos) através de um meio que, aqui, na narrativa, é fundamental: a Música!

Compositor dos dois games da série The Last Of Us, Gustavo Santaolalla elevou a atenção musical a um nível lindo de imersão e composição. Seus trabalhos são largamente notados em obras cinematográficas como O Segredo de Brokeback Mountain e Motorcycle Diaries. Um game, cuja narrativa cinematográfica prende a atenção do público, exigia um compositor a altura, e ele entrega! A música aqui é um elemento vivo para o storytelling, fazendo jus a um belíssimo complemento para os cenários, o clima, a história e os personagens. Em ambos os games, a trilha guia para o sentimento proposto naquele momento, seja de um diálogo importante, seja apenas de apreciar a jornada de um road moment. O segundo game, lançado em 2020, dá um passo além do seu antecessor e não se limita a dar o clima necessário…ele É o clímax.

[ SPOILERS DE THE LAST OF US PARTE 2 ABAIXO ]

Se amor era um sentimento presente em TLOU 1, no 2 o sentimento é de ódio, bastante crescente no decorrer da gameplay, mas se tem coisas que relaxam um pouco essa sensação, são os momentos que os próprios personagens se permitem uma tranquilidade quando pegam em mãos um violão. Nos primeiros minutos do jogo, vemos Joel, o protagonista de TLOU 1, mostrando um ar emotivo, tocando Future Days, do Pearl Jam, de uma maneira completamente tímida, mas entregue, diante a sua “filha adotiva”, Ellie. A Promessa das aulas de violão de Joel para a moça, dado o contexto daquele mundo, só reforça o óbvio para o jogador: Ele vai precisar desses momentos tanto quanto os personagens.

Nós controlamos Joel para dedilhar as primeiras notas, antes que ele comece a tocar.

A letra de Future Days dá um prelúdio do sentimento denso que Joel carrega por uma decisão difícil, assim como descreve o que Ellie viria a sentir, após presenciar sua morte (em uma das cenas mais cruéis da história dos games). A partir daí, o game se torna vingança atrás de matança desenfreada, nutrida por ódio, entretanto, é possível baixar as armas e relaxar um pouco desse sentimento pois o jogo deixa, em alguns momentos estratégicos, um violãozinho descansado e, como resposta, o jogador morde a isca para tentar tirar algumas de suas músicas favoritas e esquecer que o mundo está em ruínas (eu mesmo tentei…sem sucesso obviamente). Na internet ja pipocam vídeos da Ellie tocando desde “Nothing Else Matters”, do Metallica, até “Ela Partiu”, do Tim Maia. Um momento de descontração que nos preparava para o que estava por vir…


Nothing Else Matters, “tocado” por KWfoxy

Em mais um show de narrativa, o game nos apresenta um momento de respiro de Ellie, ao presenciar ela tocar e cantar, de forma bastante entregue, “Take on Me”, para sua parceira de patrulha e crush, Dina, a qual dividem momentos de gameplay maravilhosos! Uma cena que a maioria de quem jogou não viu inteira, pois os olhos estavam marejados (os meus, inclusive), mas que vale a pena, não só pela sua montagem, mas por todo o contexto envolvido, que, não por acaso, também dava uma prévia do que encararíamos nas próximas horas.


"Take On Me", cantado pela Ellie

Não bastasse a trilha fenomenal original do game, “Future Days” e “Take on Me” são duas das escolhas acertadas de musicas colocadas cuidadosamente no game para contar, de forma tímida, o que vai acontecer… Na verdade, já somos sutilmente avisados no primeiro trailer, ao som da música “Wayfaring Stranger” cantada pela própria Ellie (na voz da atriz Ashley Johnson) o que presenciaremos. A conexão de Ellie com Joel, através da música num violão, só prova o que há anos é dito: a música une as pessoas, permite reflexões, devaneios sobre o que sentir e o que perdemos com as nossas escolhas… Tal elo é de tamanha importância na trama que, diante tudo o que vimos em aproximadamente 27h de gameplay, o coraçãozinho, já machucado, ainda é jogado na parede quando, depois da briga final, a Ellie perde dois dedos de sua mão esquerda, impossibilitando-a de executar algumas notas no violão, mostrando que esse elo, de certa forma, havia se perdido, diante das escolhas da Ellie.

Uma obra prima, com escolhas musicais tão acertadas quanto a sua história bem contada, é digna de uma conferida. Nos momentos musicais, esqueça o ódio e curta o som… e deixe o ódio para matar alguns estaladores na sua jornada. Você vai precisar.

Imagens: Reprodução

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