[Resenha] Ricky Warwick – When Life Was Hard And Fast

Nenhum comentário

Ricky Warwick – When Life Was Hard And Fast
(Shinigami Records)

Por Clovis Roman

Ricky Warwick é o vocalista e guitarrista da banda Black Star Riders, o antigo Thin Lizzy. Para quem não lembra, ele era da banda The Algmighty, que excursionou com o Iron Maiden na primeira metade dos anos 1990, e chegou a tocar no Brasil em 1994, abrindo para o Megadeth. Antes, nos anos 1980, o músico, influenciado por artistas como Patsy Cline, Johnny Cash, Thin Lizzy, Stiff Little Fingers e a Motown em geral, tocou como guitarrista base em uma turnê do lendário New Model Army.

O músico integra há alguns anos o Black Star Riders, que é na verdade a última formação do Thin Lizzy com novo nome. A banda tem quatro álbuns de estúdio, todos muito bons, e ao vivo, toca algumas canções clássicas das décadas passadas. Em 2018, tocaram no Brasil ao lado de Alice in Chains e Judas Priest. O Acesso Music este presente e cobriu a apresentação na Pedreira Paulo Leminski em Curitiba.

O ótimo álbum When Life Was Hard and Fast saiu em fevereiro, e é o sétimo registro solo do talentoso músico irlandês. No Brasil, o trabalho de Ricky Warwick, artista da Nucelar Blast, saiu pela Shinigami Records.

Black Star Riders (foto: Clovis Roman)

A excelente “You Don’t Love Me” ganhou videoclipe e tem um andamento mais soturno, principalmente nas linhas vocais, o que muda um pouco no refrão mais frenético, mas nunca ruidoso – há a participação de Luke Morley do Thunder (outra que excursionou com o Iron Maiden, inclusive no Brasil), no solo de guitarra. A faixa-título, que abre o CD, com uma pegada Thin Lizzy, tem excelentes melodias. Enquanto “I’d Rather Be Hit” mantém a pegada das anteriores, “Gunslinger” chega com contornos mais pesados, tanto nos riffs quanto na performance vocal de Ricky. Esta é uma versão da música composta por Willy Deville e gravada no álbum Cabretta (1977), o primeiro do grupo chamado Mink Deville.

A distribuição das músicas é muito bem pensada, pois após três canções mais candenciadas, uma meio termo puxa “Never Come a Rat”, quase punk rock, veloz e agressiva na medida. Ela tem que ser a última música dos shows solos de Ricky! Na sequência, uma quebra no ritmo do álbum vem com a balada “Time Don’t Seem to Matter”, que é uma belíssima composição, com excelentes vocais de apoio (feitos pela filha, Pepper Warwick) e linhas vocais envolventes. Um rock ritmado e acessível, novamente remetendo à banda de Scott Gorham, traz o disco de volta ao som mais vibrante. Impressiona a sobriedade de Ricky em construir canções onde nada é feito em excesso, e cada nota, acorde, melodia ou riff transborda bom gosto e energia.

Outro som mais ameno, porém não necessariamente uma balada, é a lúgubre “I Don’t Feel at Home”, que carrega em si angústia e tristeza, mesmo sem ler e/ou compreender a letra, que fala sobre o abuso de drogas, heroína em específico. O refrão, sofrido, murmura: ““I don’t want to live in this world anymore, I don’t feel at home and there’s nowhere left to go”. Mesmo que os últimos versos sugiram uma possibilidade de melhora, os versos da ponte “You want to sleep forever but there’s so many Strangers in your bed” e suas múltiplas possibilidades de interpretação, mais literais ou não, ditam o tom da canção.

O ar tenso segue em “Still Alive”, um rock enérgico mas carregado, soando mais sujo que o material ouvido na primeira parte do disco. A mais despojada “Clown of Misery” é outra que conta com letra mais densa, relatando a aparência feliz por fora que oblitera a percepção da tristeza interior. A canção, sem muitos atrativos, tem uma qualidade diferente de gravação, parecendo ser uma gravação demo, na voz e violão. Os últimos segundos reforçam esta impressão: parece que o músico, ao terminar de tocar, se levanta e pega o celular para interromper a gravação.

O título “You’re My Rock and Roll” não é uma enganação. A faixa que encerra o CD é um som empolgante e básico, com um belo refrão e versos dançantes, contrastando 100% com a anterior.

A banda que acompanha Ricky é de primeira qualidade: Keith Nelson (Buckcherry, assim como o baterista Xavier Muriel) cuida das guitarras e vocais de apoio. No baixo, Robert Crane, colega de Ricky no Black Star Riders; ele também tocou com Vince Neil, Ratt, Lynch Mob E Tuff.

O trabalho conta com diversas participações especiais, como Joe Elliot, a voz do Def Leppard, que vaz vocais de apoio em “When Life Was Hard And Fast” e Andy Taylor (ex-Duran Duran), que sola em “I’d Rather Be Hit”. Nos teclados, Dizzy Reed, do Guns N’ Roses aparece em um punhado de músicas. Até o empresário do cara participa: Adam Parson, que gerencia bandas como Europe, Saxon, Uriah Heep e o próprio Black Star Riders, assume as baquetas em “Gunslinger”,e manda bem!

A carreira de Ricky Warwick é permeada de ótimos momentos e discos. When Life Was Hard And Fast é outro highlight da carreira do veterano músico, pois é repleto de músicas efetivas e não chega a ter pontos baixos ou fillers.

Músicas
1. When Life Was Hard And Fast
2. You Don’t Love Me
3. I’d Rather Be Hit
4. Gunslinger
5. Never Corner A Rat
6. Time Don’t Seem To Matter
7. Fighting Heart
8. I Don’t Feel At Home
9. Still Alive
10. Clown Of Misery
11. You’re My Rock N Roll

Compre: https://www.lojashinigamirecords.com.br/p-9480720-Ricky-Warwick—When-Life-Was-Hard-And-Fast

Artista: https://www.rickywarwick.com

Fotos: Clovis Roman/Acesso Music

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s