[Resenha] A genialidade iluminada do Blackmore’s Night

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Blackmore’s Night – Nature’s Light
(Shinigami Records – nacional)

Material gentilmente enviado por Shinigami Records

Por Clovis Roman

Acompanhei com afinco os quatro primeiros álbuns do Blackmore’s Night, porém após o The Village Lanterne, me afastei. Seis álbuns mais tarde, encontro em Nature’s Light os mesmos arranjos delicados como um abraço reconfortante, passagens animadas, feitas para dançar ao redor da fogueira segurando uma caneca de chope e molhando tudo ao redor, e a voz angelical de Candice Night. Há também, claro, a genialidade de Ritchie Blackmore, um dos pilares da guitarra no Rock dos anos 1970, que há décadas trocou a distorção pela tranquilidade do violão e similares e fundou ao lado da cantora e esposa, o Blackmore’s Night.

A parceria deles deu certo de cara, afinal, eles tinham anteriormente tocado juntos: Candice fez vocais de apoio para o Deep Purple em parte da turnê do álbum The Battle Rages On (1993) e também na reunião do Rainbow em meados daquela década (são delas as vozes femininas em Stranger in Us All, de 1995). Esta parceria se repetiu nos poucos shows que a última encarnação do Rainbow realizou entre 2016 e 2019.

São 25 anos de parceria no Blackmore’s Night, que mostra ainda muito fôlego. O folk da autoral “Four Winds” assume contornos mais pop com o andamento e a batida acompanhada pelo pandeiro. Assim como a faixa de abertura, “Once Upon December” (uma canção tradicional italiana rearranjada por Ritchie), há harmonias vocais feitas milimetricamente para cantar junto.  Outra com melodia cativante é “Feather in the Wind”, daquelas que o Tuatha de Danann também é craque em criar.  Novamente quem brilha é Candice e seu timbre afável e inimitável.

Como um contraste a alegria saltitante desta, surge “Darker Shade of Black”, um agonizante canto de tristeza, que cativa pela beleza das melodias minimalistas. Os arranjos de teclado dão um ar fantasmagórico, quase de trilha sonora, à canção. A despeito do ar tétrico, o deleite que é a audição desta faixa faz crescer uma sensação de alívio iminente, como a primeira visualização de uma luz no fim do túnel. A interrupção no meio da música, com melodias de menestréis que conduzem a um solo a lá Pink Floyd, é simplesmente um recurso genial. Após esta belíssima obra-prima, mesclando estas abordagens (a alegria e a tristeza ouvidas respectivamente nas duas antecessoras), “The Twisted Oak” tem andamento moderado, assemelhando-se a uma balada. Grandiosa e levando o ouvinte aos tempos medievais, a faixa título eleva ainda mais o nível do álbum. Cada detalhe, cada segundo da composição é perfeito, reluzente.

A preocupação em deixar a audição empolgante e envolvente é facilmente perceptível. Após músicas que conversam entre si á despeito de terem características específicas, a instrumental “Der Letzte Musketier” (“O Último Mosqueteiro” em alemão) carrega em si teclados voluptuosos nos momentos iniciais, e depois desemboca em um andamento baseado no blues. Claro que isto serve de base para Blackmore fazer logos solos, econômicos em notas e abarrotados de feeling. A faixa título é um amálgama de todos os elementos espalhados pelos 46 minutos do álbum. Mesmo assim, as linhas vocais impressionam, aliadas ao ar pomposo do refrão.

Releitura de uma faixa oriunda do segundo disco, Shadow of the Moon (1997), “Wish You Were Here”, nada tem a ver com o Pink Floyd. É uma belíssima – mesmo – peça composta por Teijo Olavi Leskela, lançada originalmente em 1995 pelo Rednex, no álbum Sex & Violins (cuja capa é uma das piores já vistas pela humanidade). As versões do Blackmore’s Night, tanto a primeira quanto esta presente em Nature’s Light, são similares a original. Não teria porque ser diferente. Outra versão neste disco é “Second Element”, da cantora inglesa Sarah Brightman. A composição, com forte acento pop, se encaixa bem na proposta do trabalho, que mostra um apuro extra ao não trazer músicas parecidas entre si. Cada uma tem sua peculiaridade, que formam um todo deveras agradável.

A produção executiva de Nature’s Light, o décimo primeiro registro do Blackmore’s Night, é assinada por Ritchie, com assistência de Pat Regan (que trabalhou como engenheiro de som e ficou responsável pelos arranjos), outro parceiro de longa data do guitarrista; ele gravou teclado em diversos discos do conjunto e produziu tantos outros. O intervalo de seis anos com relação ao penúltimo disco, e o fato de terem reduzido a quantidade de músicas para 10 (o álbum de estreia, por exemplo, tinha 15) deram mais dinamismo ao material. É possível assimilar as excelentes composições com calma. Todas são sublimes e soberbas, com uma grande gama de instrumentos, que imprimem no ouvinte a sensação duradoura de leveza e paz ao final da audição.

Indicado para fãs de séries e música medieval, Tuatha de Danann e folk em geral. Na verdade, é para qualquer um que goste de boa música. Não há como não sentir boas sensações nascerem no âmago ao ouvir este álbum. Se após a audição, você permanecer impassível, ligue para a funerária mais próxima, pois dentro de você não há mais sinais vitais.

O atual álbum do Blackmore’s Night, Nature’s Light, saiu no Brasil pela Shinigami Records, em parceria com a Ear Music, em um belíssimo digipack.

Músicas

Once Upon December
Four Winds
Feather in the Wind
Darker Shade of Black
The Twisted Oak
Nature’s Light
Der Letzte Musketier
Wish You Were Here (2021)
Going to the Faire
Second Element

Compre o disco: https://www.lojashinigamirecords.com.br/p-9481510-Blackmore-s-Night—Nature-s-Light-%5BDIGIPACK%5D

Site oficial: https://www.blackmoresnight.com/

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