[Resenha] Brave – The Oracle

Brave – The Oracle
(Anti Posers Records – nacional)

Material gentilmente enviado por Som do Darma.

Por Clovis Roman

A banda de Itu, Brave, surgiu no final dos anos 1990, e desde então foram três álbuns de estúdio, sendo o mais recente The Oracle, de 2020. O disco chegou ao mercado nacional pela Anti Posers Records, um nome absolutamente genial que designa, obviamente, uma gravadora especializada em heavy metal tradicional.

E heavy metal tradicional é o que pratica o quarteto paulista em The Oracle, que abre com “Intro”, começando com uns ventos, trovões e afins, logo cortados por uma melodia bacana de guitarra, que chega a lembrar algo do Judas Priest no Sin After Sin. Quando “Firestorm” entra, o ouvinte é levado uma década a frente, com um som calcado no heavy dos anos 1980 (entretanto, sem soar datado), onde predomina mais o feeling e o clima metálico do que necessariamente a execução.

Os vocais funcionam mais nas partes mais gritadas, sendo que nas partes mais de garganta, o timbre remete a Steel Lord, Grave Digger e Manowar, mas pouco agressivo. A escolha de iniciar o CD com uma faixa mais cadenciada é arriscada, mas para o Brave, funcionou. A faixa título se destaca mais pelo refrão, indo na mesma pegada da anterior e sendo logo deixada pra trás com “We Fight for Odin”, com melodias marcantes em um ótimo trabalho da guitarra de Carlos Bertolazi. O refrão, memorável, certamente ficará ainda mais glorioso nos palcos.

Outro ápice metálico é “Fall to the Empire”, onde todos os astros se alinharam para criar um hino intocável e poderoso. Mais rispidez no trecho “The lie is over, as a life cycle, reborn the truth, by brutal force” seria muito bem vinda, mas é um detalhes frente ao excelente refrão. Onde a canção pede uma interpretação vocal mais sensível e com feeling, o resultado é brilhante, como na inesperada e excelente balada “We Burn the Heart”, que arrisco cravar como a melhor do álbum. Ela encerra o trabalho com uma leveza que contrasta e ao mesmo tempo equilibra a experiência do ouvinte.

Seguindo a mesma linha, “Valhalla” tem dedilhados suaves e um vocal cheio de feeling – mas que também conta com partes mais pesadas (até mesmo uns breves blast beats), lembrando os materiais de Bruce Dickinson e Halford solo no final dos 1990 e começo dos 2000. Um grande trunfo do trabalho é ter por volta de 33 minutos, ou seja, tudo aqui é direto ao ponto, sem firulas. A audição não cansa e cria no fã a vontade de ouvi-lo mais vezes.

Terceiro álbum da discografia do Brave, The Oracle é um belo artefato metálico, totalmente inspirado nos anos 1980, que traz ótimas músicas e composições marcantes, mas que pede uma interpretação vocal mais forte em algumas passagens. O resultado final, entretanto, ainda é bastante positivo, pois é como uma viagem no tempo e um brado de amor e devoção ao metal em sua forma mais pura. 

Músicas

1- Intro
2- Firestorm
3- The Oracle
4- We Fight for Odin
5- Valhalla
6- Wake The Fury
7- Fall To The Empire
8- We Burn The Heart

Informações:
Brave: www.instagram.com/bravepowermetal
Anti Posers Records: https://www.facebook.com/antiposersrecords 

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