[Resenha] Leandro Bertolo – A Flor do Som

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Leandro Bertolo – A Flor do Som
(nacional – independente)

Material gentilmente enviado por Cezanne Assessoria.

por Clovis Roman

Leandro Bertolo é um músico de mpb oriundo de Porto Alegre, Rio Grande do Sul. A Flor do Som não é apenas Mozart, mas sim a verbalização musicada da obra de um artista. Este é o segundo álbum solo de sua jornada, o sucessor de Clareza, que viu a luz do mundo em 2016, e obteve boa resposta do público. Este novo petardo está seguindo o mesmo rumo de aclamação.

O disco A Flor do Som abre com a faixa homônima, que brinca com o título de maneira despretensiosa, com um jazz/mpb redondo, de deixar Djavan orgulhoso. Composta em parceria com Gustavo Filho, “Momentos Felizes” evoca uma alegria das profundezas da MPB, com um arranjo com nuances jazzísticas e uma letra que evidencia aquilo que traz alegria ao indivíduo: amigos, paqueras e por aí vai. A letra traz novamente o elemento flor, vocábulo que se repete em algumas das outras canções no decorrer do disco.

Como um contraponto, “Armadilha” canta versos amargurados de um ardente amor que ficou para trás. Os arranjos também acompanham a verve tétrica da parte lírica, a despeito de serem reconfortantes ao fim da audição da faixa. “Adormecido Coração”, com uma irmã da antecessora, segue com o minimalismo do violão e orquestrações discretas e letra angustiada que relata as saudades da amada.

Composta em parceria com Bianca Marini (algo que se repete em outros títulos deste CD), “Luz do Amor” conta com título que preconiza o conteúdo lírico. É a narração inspirada de um relacionamento, onde ele canta a primeira vez e ela, a esposa, a segunda. São trocas de confidências, à vista de todos, de um casal. O artista gaúcho canta o amor, a maior parte do tempo, celebrando-o.

As suaves pitadas tropicais de “Te Espero na Canção” dão uma gentil guinada nos ares sonoros, a despeito de ser também um mpb nato, com um acento de bolero salpicado com uma percussão suave e, de quebra, um belo solo de violão. As linhas vocais, cantando um tema brando com certa garra (mas sem agressividade), são o complemento ideal. “Náufragos de Amar” resgata algo da música sulista, enquanto “Rotas do Sonhar” sugere algo oriundo da música nordestina. A seresta “Darcy Alves” é uma reverência ao músico gaúcho, que partiu em 2015.

Como um protesto, “Canto Forte” é um samba com letra que traz elementos estranhos ao ambiente. Com a pegada romântica das prévias canções, é uma mudança brusca de abordagem, em um momento onde o ouvinte está ambientado e confortável com os versos previamente entoados, e não com “Sangue, sangue, sangue”. Destoa, não obstante, a música é soberba, quiçá a melhor de todo o disco.

Para encerrar em alta, sem baladas ou letras incisivas, “At’Ki” é uma composição fortemente influenciada pelo axé e frevo, mas não chega a caber nestes rótulos. A energia vibrante é uma excelente escolha para fechar um disco conciso mas que se permite visitar territórios vizinhos no que tange a parte musical. O segundo registro solo de Leandro Bertolo é muito interessante, e vem em uma bela embalagem em digipack. A boa música transborda em todos os quinhões do Brasil, em qualquer estilo que seja. Aqui está um belo espécime de MPB.

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