[Resenha] Hereticae – Ecos do Atlântico

Hereticae – Ecos do Atlântico
(Heavy Metal Rock/nacional)

Material gentilmente enviado por Brado Distro

por Clovis Roman

A riqueza musical do grupo Hereticae, de Londrina, salta aos ouvidos de cara. A música se desenvolve de maneira agressiva, natural, com um posicionamento bem definido e maturidade. Sem contar o cuidado com a apresentação do CD, um digipack primoroso.

A intro de precussão tribal “1492” é o ato de chamamento para “Ondas Negras”, que evidencia que o o estilo do grupo é o Black Metal. Ou melhor, Metal Negro Anticolonialista, como se rotulam nas redes sociais. O som aposta mais em partes cadenciadas, mescladas a partes rápidas que não fazem uso de blast-beat. Portanto, flerta com o Death e o Heavy em diversos momentos. Os vocais são rasgados, agressivos e vociferam as letras as português voltadas à “união e emancipação dos povos da América Latina”. O próprio nome da banda evidencia esta postura de combate a doutrinas.

De acordo com a própria banda, sobre as letras: “As letras, por sua vez, percorrem do mais direto e odioso grito de guerra à mais subjetiva e introspectiva reflexão do ‘eu’ e o universo”.

O Metal Negro (usarei sempre o termo em português) pode ser as vezes de difícil digestão aos não iniciados, porém o Hereticae faz isto de maneira tão classuda e lapidada que pode servir até mesmo de porta de entrada para os sons mais malditos do Metal. A épica “Antipátria” – com um solo de guitarra melodioso e de bom gosto raro – exemplifica bem a explicação. Os versos finais, “Meus heróis não receberam a santa Graça do divino, pois morreram lutando contra os agraciados”, são fantásticos.

O álbum Ecos do Atlântico é o primeiro full-lenght do grupo, e vem em embalagem luxuosa, um digipack com três painéis e um encarte generoso. Uma espetacular pintura em aquarela – por @daniloaug – envolve toda a embalagem, em belíssimos e melancólicos tons de azul.

A quase instrumental “Estrelas e Constelações” é praticamente um heavy metal com nuances negras, repleta de melodia, na qual a aletra se resume a “Entre estrelas e constelações, somos luz e escuridão”. Na cola, a maior faixa do disco, “Tupamara”, que brada logo em seus primeiros segundos: “A história da América Latina é uma história escrita com sangue”. O grande Opus musical deste trabalho antecede a última canção, a faixa-título “Ecos do Atlântico”, que segue a mesma pegada e finaliza esta pequena pérola da música extrema.

Apostando em faixas extensas, com letras intrincadas e diversas mudanças ritmicas, o disco conquista o ouvinte instantaneamente. Os 40 minutos do play, divididos em nove faixas, parecem durar bem menos, pois a imersão é prazerosa e natural. Este trabalho foi lançado em 2020, e gravado no decorrer do ano anterior; tudo de maneira independente. Contudo, o CD chegou ao mercado com uma parceria de diversos selos underground.

Detalhe: Dentro do digipack, no lugar no qual encaixamos o disquinho, é uma singela mensagem (abaixo de uma representação do mapa do Brasil de ponta cabeça): Fuck NSBM (Black metal nacional-socialista). Falou, tá falado.

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Músicas

  1. 1492
  2. Ondas Negras
  3. Antipatria
  4. A Ferro e Fogo
  5. A Cruz e a Águia
  6. Não Servirá!
  7. Estrelas e Constelações
  8. Tupamara
  9. Ecos do Atlântico

Conheça mais: https://www.facebook.com/hereticae
https://linktr.ee/hereticaeofficial  

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