[Entrevista] Dead Fish celebra 30 anos de carreira com show em Curitiba

Um dos maiores nomes do hardcore nacional, o Dead Fish volta à estrada este ano com a turnê 30+1, para celebrar as mais de três décadas de carreira, guiada pela determinação e pelos riffs de guitarra e letras contundentes.

A apresentação da banda em Curitiba acontece no dia 25 de Março, no CWB Hall, região central da cidade. Confira os detalhes aqui.

Com a iminência do retorno do Dead Fish a capital paranaense, conversamos com o vocalista Rodrigo Lima sobre esta louvável e duradoura carreira.

Por Clovis Roman

Desde 1994, quando o Dead Fish tocou no Aeroanta com o Pinheads, Curitiba sempre esteve na rota do grupo, sempre tocando em casas maiores com o decorrer do tempo. Quais suas principais memórias da cidade nesses anos todos e qual sua relação com a cena local?

Nossa, é muita história, é muita gente, muitos anos. Acho que conhecemos pelos menos duas ou três gerações de pessoas envolvidas com o punk ai em Curitiba. Nosso ex baterista o Leandro “Nô” Mozachi e seu irmão são fundadores da banda em 91 e são dai, nascidos ai na região. Temos amigos aí que nem com o punk envolvidos estão mais e outros que estão desde sempre. Eu lembro como se fosse hoje desse show de 94 no Aeroanta, com IML, Dreadfull Puppets e minha banda preferida daquele tempo os Pinheads, no outro dia fomos ver Sepultura, Raimundos e Ramones na Pedreira, e apanhamos por horas da polícia do Paraná tentando entrar e esse show teve uma chuva histórica e lembro como se fosse hoje de tudo. De lá pra cá tem muito show memorável, de Family tocando conosco no Bar do Meio ao  Tocha nos dando seu primeiro zine, isso ali em 97 ou 98, a loja da Barulho, as marcas de skate, as pistas de skate… Chegamos a passar semana ai parados entre uma tour e outra na casa do Sr. Nelson Mozachi, andávamos de skate, conhecíamos as pessoas, e a gente era de muito muito longe naquele tempo, não se usava avião pra nada, era caro. A gente pegava o busão ou uma van em Vitória e ia. Vinte horas depois estávamos ai. Outro mundo, outra cena. Tempo duro, mas muito divertido. Tentamos até gravar um álbum em Curitiba, mas deu errado.

Acho que vimos muitas cenas surgirem e desaparecerem na cidade, acho que tocamos em 90% das casas da cidade, de grandes a micro pequenas de amigos ou de gente da cena local, restaurantes, galpões, festivais de moto. Não da pra citar todo mundo por que daria um livro, mas temos uma longa e bonita história por ai.

Dead Fish em Curitiba, 2019 (foto: Clovis Roman).

Nos primeiros álbuns, os discos do Dead Fish foram lançados pelo próprio selo. A partir do Zero e Um, a banda assinou com a Deckdisc. Houve alguma preocupação na época de ter que amenizar o som ou a mensagem, por estar em um gravadora de grande porte?

Não mesmo, o Rafael Ramos queria exatamente aquela energia que a gente tinha nos primeiros anos dos anos 2000. Acho que conseguimos até mais, por que o álbum “Zero e Um” é um dos meus prediletos até hoje.

Sobre a questão política que a banda aborda, vocês já chegaram a ter problemas mais sérios com o pessoal que pensa o contrário de vocês? Algo em shows ou em alguma situação similar?

Sim, já tivemos episódios de violência ou quase violência em shows aí inclusive, mas nesse momento se você não pontuar veementemente que existe um fascismo a brasileira vigente e no poder agora, penso que você está se omitindo e se bandeando pro lado dessa gente escrota. Então é preciso enfrentar, com ou sem ameaças violentas. No passado tivemos episódios de brigas aqui e acolá, mas era algo que não tinha esse recorte político como hoje.

Lado Bets saiu em 2020 com um compilado de faixas ainda inéditas nas plataformas digitais. Como foi escolher as músicas para este álbum? Este material chegou a sair em formato físico também ou apenas no streaming?

Formato vinil e CD não ainda, mas queremos demais que isso aconteça, por hora esta nas plataformas todas aí. Essas que pagam super mal. A ideia veio do Rafael Ramos e da Deckdisc, tanto que boa parte desses sons foi gravada nos anos do primeiro contrato com a Deck. Ele foi achando um monte de arquivo lá, eu fui catando uns por aqui, chegamos a ligar pro Phil Fargnoli pra pegar umas coisas que estavam com e ele, e cá estamos com um álbum inteiro de lados B.

Dead Fish em Curitiba, 2019 (foto: Clovis Roman).

Na primeira vez que eu vi o Dead Fish ao vivo, uma coisa me chamou atenção. O público entoou um “Hey Dead Fish, vai tomar no cu”, e notei que era uma coisa positiva, como um grito de guerra; o “hey ho lets go” do Dead Fish. Como surgiu esta “tradição”?

A responsabilidade é toda minha por essa frase nos perseguir. Essa frase saiu num álbum ao vivo no Hangar 110 em São Paulo acho que em 2002. Eu estava bravo com a banda, a banda estava desmoronando, ia acabar e eu mandei essa. Ficou gravada e virou grito de guerra antes dos shows. Era divertido nos dez primeiros [risos]. Hoje eu acho chato. Enfim… Algumas coisas não tem controle mesmo e se tu quiser controlar as coisas pioram.

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