[Cobertura] Público sai de alma lavada do show do Alexisonfire

Alexisonfire
CWB Hall
21 de março de 2022
Curitiba/PR

por Clovis Roman

Quando o show do Alexisonfire foi anunciado para 20 de março, nem o mais otimista imaginaria que os ingressos esgotariam poucas horas após o início das vendas. Com a alta procura, a produtora e banda decidiram realizar uma segunda data, em 21 de março, no mesmo local, o CWB Hall, uma improvável segunda-feira. Este também lotou. Fui credenciado para a segunda noite, e a experiência como um todo  não poderia ter sido melhor.

Com pontualidade britânica (a despeito de serem americanos), o Alexisonfire subiu ao palco às 21h, com um repertório diferente do apresentado no dia anterior, principalmente na ordem das músicas.

As surpresas vieram com as inserções de “Mailbox Arson”, “Crisis” e “Waterwings (and Other Poolside Fashion Faux Pas)”, não tocadas no domingo, que entraram no lugar de “Control”, “You Burn First” e “Polaroids of Polar Bears”. A energia do palco era quase palpável, e os curitibanos não deixaram por menos, se agitando do começo ao fim, com inúmeros moshes e rodinhas de quebração. Apostando numa cobertura meio “gonzo”, decidi não ficar ao fundo ou em algum canto fazendo minhas anotações. Fui pro meio da muvuca, suando, cantando e pulando com todo mundo o show inteiro (perdi dois quilos), para aproveitar ao máximo a experiência de ver uma banda que jamais pensei que veria um dia, ainda mais em Curitiba. Durante “Pulmonary Archery”, a primeira música que ouvi deles há duas décadas, a emoção veio à tona, não só neste que vos escreve, mas da galera como um todo.

Quando digo que o público saiu de alma lavada, foi tanto no sentido figurado quanto no literal, afinal, todos saíram molhados da cabeça aos pés devido ao suor causado pela agitação incessante da plateia. Não poderia ter sido diferente em sons como a hardcore “Dog’s Blood”, com a galera cantando os backings “We will all drown, we will all drown” do refrão, ou na contagiante “Old Crows”, com seu grudento e irresistível refrão “we are not the kids we use to be, stop wishing for yesterday”. Se bem que os curitibanos não se furtaram em cantar praticamente todas as letras de todas as 19 canções apresentadas.

Dos singles lançados pelo Alexisonfire após o retorno das atividades em 2015 (a banda havia se separado em 2013, após uma turnê de despedida que passou pelo Brasil), dois foram apresentados e ambos funcionaram espetacularmente bem, principalmente “Familiar Drugs”, no mesmo nível das melhores músicas que haviam lançado no primeiro período. O refrão desta faixa é fantástico, mesclando vozes limpas e rasgadas, numa tênue linha entre o som acessível e o agressivo. A outra, “Sweet Dreams of Otherness”, veio no meio do repertório, e sua pegada mais cadenciada e arrastada deu um breve descanso aos fãs, que puderam apreciar com um pouco mais de atenção ao palco, afinal, nas mais porradas, a quebração não permitia olhar para os músicos por mais de poucos segundos. Após o encerramento da primeira parte do show, com 16 músicas, a banda retornou ao palco, bastante grata com a receptividade alucinada, com a previamente citada “Pulmonary Archery” (com uma intro estendida), a bastante acessível (e igualmente espetacular) “This Could Be Anywhere in the World” e por fim, “Happiness by the Kilowatt”, que é uma espécie de amálgama de todas as referências que o Alexisonfire nos brindou nestas pouco mais de duas décadas de história.

O repertório extenso, com 19 músicas, foi precisamente selecionado, dando ênfase total ao álbum Crisis, o terceiro, lançado em 2006 – dele foram nada menos que oito faixas. O debut autointitulado (2002) e o quarto play, Old Crows / Young Cardinals (2009) contribuíram com três cada. O segundo registro de estúdio dos caras, Watch Out! (2004), por sua vez, cedeu duas músicas ao repertório. De resto, materiais de EPs e singles mais recentes. Por mais que o gosto pessoal nos fizesse querer ouvir uma ou outra em específico, não dá para reclamar de maneira alguma.

Cobrir um show de um público mais voltado ao hardcore é refrescante, afinal, este público curte de todas as maneiras possíveis. Toda a “violência” (note as aspas neste termo) foi de maneira totalmente amigável. Não tem como não se empolgar.

Repertório:
Drunks, Lovers, Sinners and Saints
Boiled Frogs
Old Crows
.44 Caliber Love Letter
Mailbox Arson
Rough Hands
Sweet Dreams of Otherness
We Are the Sound
Crisis
The Northern
Familiar Drugs
To a Friend
Waterwings (and Other Poolside Fashion Faux Pas)
Accidents
Dog’s Blood
Young Cardinals
Pulmonary Archery
This Could Be Anywhere in the World
Happiness by the Kilowatt

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