[Resenha] Carttada – Recharged

Carttada – Recharged
(RTR Records/nacional)

Material gentilmente cedido por RTR Records/Carttada

Por Clovis Roman

Considerando a estreia com o disco Divisão Rock’n Roll (ainda com o nome antigo, Motörbastards), este Recharged é o segundo álbum do trio agora intitulado Carttada. Atuando anos como tributo ao Motörhead, fica impossível não haver similaridades, mas é possível notar diversas outras referências no som dos caras. A decisão do Carttada em adotar esta nova alcunha, em substituição ao já famoso nome Motörbastards, foi como ter um Straight Flush em mãos em um jogo de poker.

O disco tem uma identidade visual mais calcada em tons escuros, e deu novos ares à imagem do conjunto. Aliado a isto, estão músicas excelentes, enérgicas e que parecem ter sido feitas para funcionar em cima de um palco. A trinca inicial com “When the Devil Comes”, “The Dance” e “Look Twice” deixa isto mais que evidente.

A formação do grupo conta com Carlos “Basttard” Nunes (vocal e contrabaixo), Aly Fioren (guitarra) e Antonio Death (bateria), três músicos com vasta experiência no cenário metal. Com um background em bandas de black metal, Carlão é a personificação de Lemmy Kilmister. Seja interpretando os clássicos do Motörhead, seja com sua banda de som autoral, a similaridade entre os vocais impressiona. Um dos mais criativos guitarristas do metal nacional, Fioren também atua no Sad Theory, lendária banda de Curitiba que conta com uma discografia sólida e irretocável, além de outros grupos e também atua como produtor (inclusive neste CD). Por fim, Antonio é desde meados dos anos 1990 baterista do Imperious Malevolence, banda de death metal que tem no currículo diversas turnês internacionais.

Portanto, o som aqui é feito por quem manja do assunto. Em meio a sons com estruturas simples, há solos fuzilantes, linhas de bateria coesas e riffs calcados no rock and roll; além dos vocais rasgados, sujos de pigarro e whisky. Das nove músicas do play, sete são em inglês, e as que melhor funcionam no geral. A primeira em português é “Mina de Tamandaré”, musicalmente irretocável. A letra é mais para quem mora em Curitiba e região, o que não deixa de ser legal. A outra é a extensa “Espelhos Quebrados”, que começa lenta e cresce de maneira igualmente lenta, calcada no minimalismo do blues.

A faixa hino é “We Are Bastards”, pelo título e pelo som, uma porrada na cara. Mais cadenciada, “Nightmare” remete a uma “Orgasmatron” turbinada, e é uma das melhores faixas – e mais pesadas – deste trabalho. Um detalhe é que “Bad Reputation” não se trata de uma versão em inglês de “Má Reputação” (do debut), mas é possível notar algumas similaridades em determinados momentos. O trampo de bateria aqui é soberbo, e o solo de Aly Fioren, idem. Um arrasa-quarteirão daqueles!

O final é decretado com “Beer Thirty”, uma pauleira de responsa, para encerrar a audição com a adrenalina a mil. Em resumo, é música crua e pândega, uma celebração do Rock and Roll sem firulas ou invencionices, perfeita para embalar festas com quantidades abismais de cerveja (não pode parar de beber antes de chegar na trigésima), destilados e cigarro. Tem coisa melhor?

Músicas

01 – When The Devil Comes
02 – The Dance
03 – Look Twice
04 – Mina de Tamandaré
05 – We Are Bastards
06 – Nightmare
07 – Bad Reputation
08 – Espelho Quebrado
09 – Beer Thirty

Conheça mais em: https://rtrrecords.com/carttada

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