Punho de Mahin – Embate e Ancestralidade
(nacional)
Material gentilmente enviado por Brado Records
Por Clovis Roman
O Punho de Mahin é uma banda de músicos pretos que apresentam um hardcore furioso e ríspido, ao mesmo tempo bem estruturado e executado. Os vocais são vigorosos, muito agudos e monodimensionais, sem grandes variações de entonação, seja quem for que esteja cantando. Os títulos das músicas já deixam claro a temática do grupo: “Direitos Violados”, “-Racista” e “Navio Negreiro”.
Abrindo o CD, “Xingú” começa com um texto declamado pincelando a escravidão desde a ocupação do Brasil pelos portugueses em 1500. No decorrer da audição, o tema central é discorrido em diversos cenários e épocas. Como um soco no estômago, “Estupidez” questiona a babaquice do comportamento enraizada há séculos em nosso país: “Estupidez racista” é o verso que bradam no refrão.
Com versos como “Considerado fugitivo, lutava pelos oprimidos”, a veloz “Carlos Marighella” tem título autoexplicativo, assim como sua sucessora, “Racista”, cujo tema fica óbvio. Com sangue nos olhos, o quarteto não dá folga no âmbito musical, tampouco na parte lírica. A mensagem é agressiva assim como a música, como um contraponto a agressão racial sofrida pelo povo há gerações.
“Protagonista” oferece outro memorável par de versos, cujo significado é – ou deveria ser – bastante claro: “Não posso ser submissa, porque sou subversiva”. “Navios Negreiros”é um som feroz, a mais veloz do disco e uma das melhores, apesar da homogeneidade do álbum.
É uma obra para ser assimilada não apenas musicalmente, mas também no conteúdo lírico denso e bastante explícito. A luta contra o racismo está longe de acabar, e é louvável ver grupos se posicionando e usando sua arte para difundir esta mensagem tão importante. Ouça o som e pire, mas não deixe de ler com atenção as letras e os textos do encarte.
O conjunto paulista é formado pela vocalista Natália Mota, Paulo Tertuliano (bateria), Camila Araújo (guitarra e vocal) e Du Costa (baixo e vocal). O nome da banda é uma referência a Luísa Mahin, uma mulher negra que teria sido escravizada e liderado a Revolta dos Malês, na Bahia, em 1835, entre outras rebeliões.
A gravação é simples, mas bastante discernível. Resulta disso um disco de estreia honesto, vigoroso e de fácil apreciação até mesmo para ouvidos menos treinados (apesar dos vocais esgoelados). Não obstante, se o hardcore de protesto é sua praia, não tem erro!
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Músicas
- Xingu
- Estupidez
- Madame Satã
- Carlos Marighella
- Racistas
- Protagonistas
- Navio Negreiro
- Direitos Violados
- Punho De Mahin
Foto: Dani Montero/Divulgação


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