Paul Di’Anno
10 de fevereiro de 2023
Teatro Bom Jesus
Curitiba/PR
por Clovis Roman
O ex-vocalista do Iron Maiden, Paul Di’Anno, já fez várias turnês pelo Brasil, algumas extensas, todavia, nada como a atual The Beast is Back, que conta com inacreditáveis 31 datas por todo o país. O fato dele estar atualmente em uma cadeira de rodas ligou uma luz de alerta nos fãs, porém, após um primeiro show tumultuado em Fortaleza, as coisas foram entrando nos trilhos. O show na capital paranaense não foi sold-out, todavia, contou com a presença significativa do público em plena quinta-feira, nas dependências do Teatro Bom Jesus, local que não permite ficar em pé em cima das poltronas, como todos deveriam saber.
O repertório no 10º show da turnê, realizado em Curitiba, foi completo, com 14 músicas, sendo 12 cantadas e as duas instrumentais “Genghis Khan” e “Transylvania”. A performance de Di’Anno foi heroica, pois o mesmo está com a voz bastante debilitada por diversos fatores. Porém, sua gana em passar por cima de tudo e “tocar para os amigos” é tocante. Paul não precisa de uma intervenção, mas sim, do carinho e presença dos fãs e de uma equipe que cuida dele, exatamente da maneira que ele tem durante esta turnê capitaneada pela Estética Torta. Junto a Paul, está Stjepan Juras, escritor de diversos livros sobre o Iron Maiden e atual empresário do cantor, que o ajudou a juntar uma grana para sua cirurgia na perna e o consequente tratamento. Digo com conhecimento de causa: trabalhei nos bastidores e atestei que o vocalista está, sim, bem assistido, e ele reconhece isto.
Celebrando o passado, Paul pegou a estrada para fazer aquilo que lhe sustenta, seja financeiramente, seja como artista. Estar no palco é importante para ele, ainda mais neste momento. O repertório foi 100% composto por músicas do Iron Maiden, e ninguém reclamou (por mais que sua carreira solo tenha, sim, momentos brilhantes, como “Children of Madness” e os álbuns Murder One e Nomad).
A intro “Idles of March” abriu as figurativas cortinas do palco do Teatro Bom Jesus, para então a banda, formada pelos guitarristas Leo Mancini e Nolas, o baterista Henrique Pucci e o baixista Saulo Xakol, entra com tudo em uma versão furiosa de “Wrathchild”. Centralizado no palco, Paul agitou, provocou o público cantou como pode. Os fãs ajudaram e, no último acorde da canção, um clima festivo e de reverência ao legado do cantor. O lineup da banda, a princípio, seria o quarteto supracitado, todavia, Chico Brown embarcou na turnê de maneira um tanto improvável. O músico, filho de Carlinhos Brown, foi convidado por Thiago Bianchi (Noturnall) para participar de um show, e a coisa tomou forma: “Eles tinham passado alguns perrengues na estrada, de arranjos, falta de tempo para ensaio com o Paul. No ensaio, fomos formatando para três guitarras e nos adequando às versões ao vivo, que são diferentes do estúdio. Pra mim era um sonho dar uma canja com o Paul. O show do Rio foi do caralho, era para fazer duas músicas e virou o show inteiro. Fizemos São Paulo e quando vi tinha entrado no ônibus da turnê. É a última data hoje e fico feliz em fechar com chave de ouro aqui, galera com a maior energia. Up the Irons na parada, rapá!”, contou o guitarrista.
Em alguns momentos, houve umas travadas na execução, mas não implicou necessariamente em um problema. O principal erro aconteceu na colossal “Purgatory”. Paul alegou que se perdeu e ficou tudo certo. Os fãs aplaudiram igual, em todo caso. Depois de “Remember Tomorrow”, uma das que mais exigem no quesito vocal, a instrumental “Genghis Khan” deu uma folga ao vocalista. Em “Killers”, diferente de alguns outros shows da turnê, ele arriscou aqueles agudos no começo. O cara é guerreiro.
Em determinado momento, comentou que teve uma namorada curitibana, falou mais umas groselhas e então anunciou “Charlotte the Harlot”. Certamente não foi um mero acaso. Outra instrumental mostrou uma banda redondíssima instrumentalmente e Di’Anno fumando ao lado do palco e agitando com a música como fosse um mero fã. Uma cena tocante e motivadora.

Paul é um sujeito de personalidade forte. Ao ser agraciado com um coro da plateia, falou que não quer ser um rockstar, quer apenas tocar para seus amigos. Entre outros resmungos aqui e acolá, reclamou até da cadeira que estava: “Vocês não sabem o quanto minha bunda dói nesta porcaria de cadeira”. Ainda tirou um sarro de “Drifter”, classificando-a como a música mais besta que haviam feito. Mesmo assim, ele parecia feliz.
Se aproximando do fim do repertório, “Phantom of the Opera” e “Running Free” foram o prenúncio do tão aguardado encore (que não rolou na noite anterior, em Florianópolis): “Prowler” e “Iron Maiden” mostraram um Paul cansado vocalmente, mas muito empolgado. No fim das contas, foram apresentadas sete das onze músicas de Killers, e oito das nove do debut (considerando as versões com “Sanctuary”). Uma parte da imprensa dissecou os problemas a fundo, porém, não deu ibope ao fato da turnê estar sendo realizada corretamente desde o incidente em Fortaleza. Felizmente, muitos outros estão mais determinados a apoiar esta turnê de proporções colossais e brindar a nostalgia com o vocalista de álbuns seminais do heavy metal mundial. Não adianta torcer contra: Paul Di’Anno vai te pegar, não importa a distância.
Foi uma celebração. Um momento de prestar reverência a um artista que gravou dois dos álbuns mais importantes do heavy metal e que pode nunca mais voltar. Caso retorne, certamente será recebido de braços aberto por todos.
Repertório:
Wrathchild
Sanctuary
Purgatory
Drifter
Murders in the Rue Morgue
Remember Tomorrow
Genghis Khan
Killers
Charlotte the Harlot
Transylvania
Phantom of the Opera
Running Free
Prowler
Iron Maiden
A abertura ficou com a jovem banda Electric Gypsy (não consegui assistir, todavia, já havia visto a piazada em ação anteriormente e o show é bom, apesar de ainda um tanto cru) e com a Noturnall, na estrada divulgando o novíssimo Cosmic Redemption. Mesclaram algumas coisas dos primeiros trabalhos e coisas novas, incluindo “O Tempo Não Para”, sucesso de Cazuza, que no CD conta com a participação do monstro Ney Matogrosso. Notável a participação da galera, que levantou das cadeiras e foi curtir na boca do palco. Destaque para a brutal “Scream! For!! Me!!!”, que ganha uma força descomunal ao vivo.














Que absurdo passar pano para um péssimo profissional. Um músico que beira a mediocridade e que se queimou por ser burro. 10 anos atrás o show já era horrível de um vocalista que mal conseguia ficar em pé. Agora numa cadeira a cena é patética.
CurtirCurtir
👍
CurtirCurtir