[Cobertura] Manowar: de volta à Curitiba após quase 30 anos, banda mostra que ainda tem lenha pra queimar

Manowar
20 de novembro de 2024
Live Curitiba
Curitiba/PR

Por Luís S. Bocatios
Foto de Clovis Roman

Você conhece Manowar? Se não, certamente conhece a origem dessa piada, que está totalmente relacionada ao caráter intencionalmente estereotipado que a banda sempre carregou. Muitos detratores do grupo costumam dizer que ele é “o Massacration que se leva a sério”, e isso não deixa de ser verdade, mas ao mesmo tempo não quer dizer algo negativo.

Absolutamente todos os clichês do heavy metal estão presentes em praticamente cada nota de qualquer música do Manowar: riffs grandiosos, temáticas épicas, solos de guitarra virtuosos, uma bateria agressiva e um vocal agudo e teatral. O conceito de ser a banda mais clichê do mundo pode ser contestado e até desdenhado, mas é impossível negar que a banda consegue fazer o que se propõe com grande competência.

Ainda mais claro é o fato de que o Manowar tem uma das fanbases mais apaixonadas do mundo. Posso contar nos dedos de uma mão os shows em que vi uma plateia tão emocionada e que cantava todas as músicas com uma empolgação quase palpável. Durante a música “Blood of my Enemies”, a quinta do set, um senhor que estava ao meu lado fez uma ligação de vídeo para algum amigo ou familiar, e, quando mostrou onde estava, os dois caíram em prantos.

Outra marca registrada do Manowar é a produção grandiosa que está sempre presente em seus shows, e em Curitiba não foi diferente: cortinas de palco elaboradas, fumaça saindo debaixo do palco, figurinos que transformam os músicos em guerreiros medievais (inclusive botas gigantescas que transformam o baixinho Joey DeMaio, de 1,73, em um aparente gigante).

Em termos de performance, a banda permanece impecável: a cozinha é formada por Joey DeMaio, que continua afiadíssimo em seu estilo único de tocar baixo, e Dave Chedrick, que é extremamente firme e faz a banda pulsar de maneira admirável. 

O guitarrista da vez é o excelente Michael Angelo Batio, que apresenta solos virtuosíssimos e executa com perfeição os riffs gravados por seus inúmeros antecessores (mais notavelmente, o lendário Ross, The Boss e o brasileiro Evandro Martel). O único ponto fraco de Batio parece ser o tapping, que é um tanto quanto precário, mas o guitarrista é extremamente técnico e segura a palheta de forma bastante similar à Marty Friedman.

Mas o grande destaque fica por conta do vocalista Eric Adams, que, no alto de seus 72 anos, continua com uma das melhores vozes do metal mundial. É realmente impressionante constatar que o alcance vocal de Adams permanece praticamente intacto, assim como sua presença de palco quase fraternal, que faz todos que estão nas primeiras filas sentirem como se o vocalista estivesse se comunicando especificamente com cada um.

O repertório sempre é uma questão importante quando se trata de Manowar. Basta se lembrar do fatídico show em São Paulo, em 2010, no qual a banda não tocou absolutamente nenhum clássico, apenas músicas novas, e causou uma fúria tremenda na plateia, que chegou a queimar camisetas da banda ao deixar o recinto.

A trupe de Joey DeMaio parece ter aprendido a lição, pois, nas duas vezes que voltou ao Brasil após aquele famigerado evento, os shows foram repletos de clássicos. Dessa vez, não foi diferente: das 14 músicas apresentadas, oito pertencem ao catálogo da banda nos anos 1980. 

O início é matador, com “Manowar”, que já apresenta agudos incríveis de Adams, “Warriors of the World United” e “Brothers of Metal pt.1”. Todas foram cantadas a plenos pulmões por praticamente todos os presentes. Chamou a atenção o fato de que a pausa entre as músicas era maior do que o normal, e os integrantes saiam do palco a cada pouco.

A partir de “Blood of My Enemies” a coisa pareceu engatar de vez: “Immortal” e “Call to Arms” mantém o público animadíssimo, enquanto a belíssima “Mountains” emocionou vários dos presentes. O que poucos poderiam imaginar é que, a essa altura, o show já estava na metade.

Vale citar que a qualidade do som estava absolutamente perfeita: a captação de todos os instrumentos apresentava uma altíssima qualidade, assim como a mixagem, que dava o destaque necessário para cada instrumento.

A próxima música, “Fight Until We Die”, foi a última das três representantes do álbum Warriors of the World, de 2002, que parece ter entrado para o grupo de clássicos da banda, pois sempre é muito bem representado nos repertórios.

A partir daí, o desfile de clássicos não parou mais: “Fighting the World” e “Kings of Metal” foram berradas pela público, enquanto “King of Kings”, de 2007, teve uma recepção mais fria, mesmo sendo uma boa música.

As últimas três canções tinham tudo para mandar o público para casa de alma lavada, pois são três dos maiores sucessos da banda: “Kill with Power”, “Sign of the Hammer” e “Hail and Kill” levaram o público ao êxtase absoluto, até que, inesperadamente, Eric Adams se despediu e deixou o público esperando pelo Bis. Se passaram três, cinco, dez minutos e todos continuaram esperando, mesmo com os roadies já desmontando os instrumentos.

Ciente do repertório que a banda havia apresentado em El Salvador, três dias antes, o público esperava um show de 18 músicas, incluindo “The Dawn of Battle”, “Gates of Valhalla”, “The Power” e “Black, Wind, Fire and Steel”. Isso não aconteceu, pois o repertório contou apenas com 14 faixas e nem sequer teve o tradicional discurso de Joey DeMaio.

Os indícios de algo estranho estavam lá desde o início: o show estava marcado para às 21h e a banda entrou no palco em torno de 21h40, e, mesmo sem nenhum problema aparente para o público, os músicos não paravam de sair do palco e voltar. Isso foi concretizado com um final esquisitíssimo e anticlimático, com um público que parecia unânime em concordar que o show foi excelente, mas inexplicavelmente curto.

2 comentários em “[Cobertura] Manowar: de volta à Curitiba após quase 30 anos, banda mostra que ainda tem lenha pra queimar

  1. Esse show foi muito bom e o som não estava assim tão perfeito, o do Sepultura no mesmo lugar, mesmo equipamento esse estava com som perfeito. Manowar Baixo e guitarra estava meio embolados e o vocal apesar de nítido não estava se destacando quanto o do Sepultura e de novo, mesmo lugar mesmo som.

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  2. Quer dizer então que o “Dave Chedrick, que é extremamente firme e faz a bunda pulsar de maneira admirável” e o Michael Angelo é fraco no tapping? Ora ora vejo que você nunca terá as chaves da Lamborghini.

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