As The Palaces Burn – Zodiac
(independente – nacional)
Material gentilmente enviado por Alyson Garcia
por Clovis Roman
Meu primeiro contato com o As The Palaces Burn aconteceu no Otacílio Rock Fest (sediado na cidade de Otacílio Costa, na Serra Catarinense), em 2020. Vi alguns bons shows lá – outros nem tanto – e um dos destaques daquela tarde foi a performance desse grupo de Criciúma, na época com apenas dois anos de existência e divulgando o disco de estreia, End’evour, que resenhei logo depois. O objeto dessa crítica, Zodiac, é o terceiro full lenght dos catarinenses, que chegou aqui na redação no final do ano passado, mas que só agora virou um texto dissertativo.
Se outrora, eu mesmo defini o som do quarteto como “um heavy/thrash técnico enérgico, com latentes influências do Metal dos anos 1990”, agora preciso remodelar minhas palavras. O espectro musical está mais amplo, e a música do As The Palaces Burn conversa com a atualidade. O peso ganhou ainda mais protagonismo, enquanto os vocais soam mais concisos, fortes e variados. Riffs cavalares se unem a passagens densas, e regularmente desembocam em refrães vigorosos e de fácil assimilação (sem perder a agressividade), como “I and I (One Life, One Matter)” – de longe a mais impactante, ao menos nas primeiras audições -, a cadenciada e até mesmo emotiva “Defying the Power”, e a pesadíssima “United Obsoletion”, que ganhou um videoclipe.
Trazendo uma variedade inventiva, “Infernal Dogma” se volta mais ao progressivo, sem se furtar em usar trechos mais violentos e vocais variados, enquanto “Higher” tem uma aura soturna que reforça um contraste estilístico entre as faixas, deixando a audição sempre interessante – a introdução dela poderia muito bem ter vindo de alguma música do Fear Factory. Indo ao encontro das vertentes mais atuais, “In Your Grave” abre como um metalcore de respeito, porém bem cantado e tecnicamente mais apurado que a média desse estilo. Quando o disco acaba, após cerca de meia-hora (ao menos na edição digital – o CD tem uma faixa bônus), fica a sensação de que a audição acabou em ainda menos tempo.
Sobre a canção extra do material físico, trata-se de uma releitura fiel de “Numb”, um dos maiores hits do grupo de rock moderno Linkin Park.Aqui, a banda brasileira não faz milagres, mas surpreende pela execução brilhante. A música não ficou boa (a missão é impossível, afinal, a original é tenebrosa), mas aplausos pela ousadia e pelo upgrade técnico.
A produção de Adair Daufembach deu ênfase no que precisava, deixando tudo pesado, encorpado e ao mesmo tempo acessível. Os trabalhos anteriores do As The Palaces Burn eram muito bons, mas aqui o grupo gabaritou todos os pontos que, unidos, concretizam um excelente disco de metal.
Além deste material, sugiro a audição da discografia oficial, incluindo aí os EP’s All The Evil e Offer to the Gods, que trazem releituras de gigantes da música pesada como Angra, Dr. Sin e até mesmo Savatage, com a brilhante “Hall of the Mountain King”.
Músicas
Zodiac
I and I (One Life, One Matter)
Defying the Power
United Obsoletion
Never Forgive, Never Forget
Higher
In Your Grave
Infernal Dogma
Numb (Linkin Park)
Foto: Clovis Roman (2020)
