[Entrevista] Alestorm: Chegou a hora da festa pirata

O Alestorm levou a frase “Come to Brazil” a sério demais. Não só eles tem o país como rota obrigatória de suas turnês, como até mesmo gravaram uma música cm este título, no álbum Seventh Rum of a Seventh Rum (2022). Agora, com um novo trabalho debaixo do braço, The Thunderfist Chronicles, retornam ao país para único show. Mais informações no serviço ao final da entrevista. Jessica Valentim conversou com o membro fundador Christopher Bowes – que veio há poucos tempos para cá com o Gloryhammer – para falar do atual momento do Alestorm e o show no Brasil.

Acesso: O Alestorm está voltando ao Brasil em março para um show único em são Paulo. E como é estar de volta após sua última visita em 2022?
Christopher: É muito emocionante. Nós amamos voltar para o Brasil sabe, a América do Sul, América Latina, Brasil especialmente, é um lugar muito “bobo”. Você sabe que é um lugar divertido e todos vocês têm uma energia tão louca que é tão boa. É um lugar feliz e quente e eu mal posso esperar

Acesso: Quais memórias se destacam mais de seus shows anteriores no Brasil?
Christopher: As duas últimas vezes – isso é uma coisa estranha, eu odeio estar dizendo isso – toda vez que tocamos no Brasil é literalmente uma loucura. Chegamos ao aeroporto, pousamos em São Paulo e então veio esse desejo avassalador de cagar – fiz nas minhas calças [N do R: quando Clovis Roman entrevistou a banda em 2017, ele contou a mesma história, leia aqui]. Sim, eu não sei que obviamente não é culpa do Brasil. Estava em outro lugar que você conhece, devo ter comido algo estranho na Colômbia e então eu vim para o Brasil. E aconteceu duas vezes, então sim, estou tentando não fazer três seguidas,

Acesso: E isso aconteceu com os fãs esperando no aeroporto?
Christopher: Oh, sim, nós entendemos que isso é uma coisa legal que acontece em todos os lugares por onde passamos nesse tipo de tour. Eu não sei como eles descobrem; é como se todos vocês fossem mágicos ou estivessem literalmente o dia todo no aeroporto esperando por nós. Mas é bom! Há sempre talvez cinco ou seis pessoas que dizem: ‘Oi, pessoal!’. Então, assinamos algumas coisas, tiramos algumas fotos e pensamos: ‘Yay, tem pessoas que gostam de nós aqui, isso é legal!'”

Acesso: E eles sempre descobrem o hotel também, certo?
Christopher: É eu quero dizer eu não me importo não é como se eu tivesse medo de fãs mas é como alguns poderes impressionantes de encontrar coisas você sabe

Acesso: E esse show faz parte da ThunderFisting Latin América Tour que inclui vários países da região. Então o que torna o público da América Latina parte tão importante deste tour e você percebe alguma diferença entre o público da América Latina e da Europa ou América do Norte?
Christopher: Eu quero dizer que todo mundo sabe que vocês têm as plateias mais barulhentas e loucas do mundo. É legal porque, embora eu ache que muitas pessoas talvez não dominem o inglês ou não saibam a letra, todo mundo canta junto com as melodias. Isso é algo que só acontece lá e é muito legal! Eu toco uma melodia simples no teclado e, de repente, centenas de pessoas estão cantando junto; é uma experiência única e divertida, eu adoro isso. Nós acabamos nos alimentando da energia da multidão. Eu odeio quando fazemos um show e todos estão sendo ‘chatos’, apenas parados lá; começo a me sentir mal e penso: ‘Vamos lá, pessoal, isso é música de festa, vocês deveriam estar festejando!’. Mas na América do Sul todo mundo fica louco, o que é muito bom. É uma sensação agradável que nos faz tocar melhor no palco, faz o show ser melhor e tudo fica ótimo.

Acesso: Sim a América Latina é muito apaixonada por rock and roll. Você está em turnê em apoio ao The Thunder Fist Chronicles lançado em 2025. Como você descreveria este álbum dentro da discografia do Alestorm?
Christopher:
Eu acho que este é o trabalho mais ousado que já fizemos em muito tempo. Sinto que estou ficando entediado de fazer apenas esse tipo de som ‘party metal’. Sei que parece estranho vindo de nós, mas me cansei dessas músicas de festa simples e diretas, com pegada disco; eu quero trabalhar com um material mais voltado ao metal. Antigamente, éramos a única banda com esse tipo de ‘som estúpido’, mas hoje sinto que há tantas bandas fazendo a mesma coisa que isso já não é mais único. Por isso, quero tentar coisas mais pesadas e loucas. Colocamos alguns riffs de death metal melódico, guturais, blast beats e um monte de elementos estranhos e pesados lá. Eu gosto do resultado. Acho que é uma boa mistura de música estranha e complicada com música divertida, que as pessoas ainda vão curtir. Eu sei que nem todo mundo quer ouvir músicas de dezessete minutos, mas eu gosto de escrevê-las! No fim das contas, acho que todos devem estar felizes: eu estou feliz e as pessoas estão felizes, então tanto faz.

Acesso: Você já esteve surpreso com o quão a sério os fãs levam a banda apesar do humor dos álbuns anteriores?
Christopher: Eu fico surpreso quando as pessoas dizem: ‘Oh, vocês costumavam ser uma banda séria de verdade’. Não, nós não éramos! Isso acontece com todo mundo; todo mundo diz que ama ‘as coisas antigas’. Essa é a coisa mais comum que se pode dizer a uma banda. Mas eu sinto que as coisas antigas não eram exatamente inteligentes ou pesadas; eram apenas estúpidas. Agora, é apenas um tipo diferente de ‘estúpido’. No fim das contas, o nosso objetivo número um é fazer música divertida, mas acho que agora há elementos mais interessantes e legais para o público se apegar. De qualquer forma, eu gosto quando as pessoas são realmente apaixonadas pelo que fazemos; é gratificante.

Acesso: E sobre o set list – com um catálogo crescente de músicas como você aborda construindo um set list que equilibra novos materiais com os favoritos dos fãs?
Christopher: Está cada vez mais difícil, porque eu realmente acredito que é importante tocar todos os favoritos dos fãs, todos os sucessos. Temos pelo menos umas dez músicas que são obrigatórias agora. Eu acho que tocar por noventa minutos — uma hora e meia — é o tempo ideal para esse tipo de música, então estamos ficando sem espaço para encaixar as canções novas. Eu não quero entediar as pessoas tocando apenas o material novo. Eu odeio quando vou ver uma banda e eles dizem: ‘Ok pessoal, agora vamos tocar o álbum novo inteiro’. É tipo: ‘Ah, não faça isso, eu não conheço essas músicas!’. Então, o segredo é testar. Nós tocamos as músicas, vemos a reação do público e avaliamos: ‘Eles gostaram desta? Ok. Não gostaram daquela?’. A cada show, vamos ajustando o setlist até encontrar o conjunto perfeito. Acho que esse é o caminho certo.

Acesso: E há alguma música que você acha que deve ser tocada toda noite?
Christopher: Oh sim, nós sempre tocamos ‘Drink’, ‘Fucked with an Anchor’ e ‘Mexico’ — especialmente quando vamos ao México, o que é sempre ótimo. Eu sinto que, se não tocarmos essas três, as pessoas vão se rebelar! Além dessas, temos ‘P.A.R.T.Y.’, que é muito popular agora. É muito difícil cortar músicas quando sinto que há tanta coisa que somos ‘obrigados’ a tocar. Mas, no fim das contas, é um bom problema para se ter: saber que as pessoas gostam de tantas músicas nossas.

Acesso: Você sabe que tem um meme aqui no Brasil que, não me lembro exatamente do ano, o Manowar veio em turnê e eles só tocaram o novo álbum, então os fãs atearam fogo nas camisetas e cds, em protesto. Todo mundo tira sarro disso ainda hoje, porque foi uma loucura.
Christopher: Isso é estúpido. Eu odeio quando as bandas fazem isso. Apenas dê às pessoas o que elas querem. Você sabe que eles estão pagando ingressos para ver você, então apenas dá a eles o que eles querem

Acesso: E olhando para trás, quase vinte anos de Alestorm, o que você acha que tem sido a chave para a longevidade da banda?
Christopher: Eu acho que o que nos impediu de enlouquecer, de desistir ou de passarmos a nos odiar, é o fato de não estarmos fingindo ser algo que não somos. Não subimos no palco para interpretar personagens falsos. Eu sei que o tema da banda é todo sobre piratas, mas eu não subo lá e digo: ‘Ahoy, amigos! Eu sou o Capitão Calças de Tesouro’ ou algo do tipo. É tudo real. Nós não mentimos para os fãs e não fingimos sentimentos; se achamos que alguém está sendo um idiota, nós o chamamos de idiota. Mantemos as coisas muito autênticas. Quando você começa a viver uma mentira no palco, isso se torna exaustivo. Ter que fingir ser outra pessoa todas as noites é um trabalho duro que faz você questionar o que está fazendo da vida. Para nós, como não há fingimento, a vida na estrada se torna mais fácil. Não há conflito de personalidades; apenas somos nós mesmos nos divertindo. Acho que os fãs apreciam isso, inclusive quando saímos para conversar com os fãs. O segredo é esse: apenas não fingir ser outra coisa.

Alestorm: Você vê o Alestorm continuando na mesma direção ou ainda há águas inexploradas à frente? Como você disse, o último álbum é meio diferente, mas você gostaria de explorar qualquer outra coisa, qualquer tipo de som?
Christopher: Sim, sempre há aquela voz na minha cabeça dizendo que eu deveria escrever canções populares, caso contrário, ninguém ouviria a banda. Por isso, sempre existirão músicas como ‘Drink’, ‘Keelhauled’, ‘P.A.R.T.Y.’ e ‘Mexico’ — esse tipo de som divertido. Mas, ao mesmo tempo, eu quero fazer muito mais coisas estranhas e complicadas. Já comecei a escrever material para o próximo álbum e é uma mistura de coisas pesadas com sons ‘estúpidos’ de discoteca. Basicamente, o que vier à minha cabeça vai para o disco. Não sou exigente: qualquer música maluca que eu escrevo acaba se tornando uma faixa do álbum. Definitivamente, estamos indo para algum lugar estranho, só não sei exatamente para onde ainda.

Acesso: E finalmente, que mensagem você gostaria de deixar para os fãs brasileiros antes do show do Alestorm em São Paulo, dia 26 de março?
Christopher: Sim, eu quero dizer a todos os adoráveis brasileiros: por favor, venham ao nosso show no Brasil! Porque se vocês vierem, nós também viremos. E se todo mundo comparecer, vai ser um show muito bom, vamos todos ficar bêbados, ter uma festa legal. Nos vemos lá!

SERVIÇO
Alestorm em São Paulo
Data: 26 de Março de 2026
Local: Vip Station
Endereço: R. Gibraltar, 346, Santo Amaro, São Paulo/SP.
Horário: 19h
Ingressos: a partir de R$
Venda online: https://101tickets.com.br/events/details/Alestorm-em-Sao-Paulo

Realizaçao: @caveiravelhaproducoes @solidmusice @xaninhodiscos

Foto: Niek van de Vondervoort

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